Ele desmascarou a política neoliberal que insiste em asfixiar a sociedade para engordar o mundo da especulação. “Vamos investir, crescer e resolver os problemas”, disse o presidente
A entrevista do presidente Lula no Jornal Nacional, da rede Globo, desta quinta-feira (27), demonstrou que ele está muito disposto a apostar tudo no desenvolvimento do Brasil. Para ele, o problema fiscal se resolve com crescimento.
Depois de tentar encurralar Lula com as ilações contra seu filho, Fábio, conhecido como Lulinha, os entrevistadores assumiram-se como porta-vozes dos bancos e especuladores tentaram de todo jeito arrancar do presidente o compromisso de cortar investimentos, privatizar os Correios e atacar a Previdência Social.
Sobre o filho, Lula disse que acredita em sua inocência, mas destacou que não fará como no governo anterior, em que Jair Bolsonaro se meteu nas investigações das falcatruas de seu filho, Flávio Bolsonaro, no caso das rachadinhas, e até trocou o superintendente da Polícia Federal do Rio para abafar o caso. Lula disse que se seu filho cometeu ilícito deve pagar por ele.
O presidente disse que tem que aguardar as investigações e não ficar se baseando em ilações. Ele lembrou que o escândalo do INSS foi gestado no governo anterior e que ele é que prendeu os criminosos e ressarciu os aposentados lesados. Disse também que não achou certo o seu chefe de gabinete pedir dinheiro emprestado, mas que não julga antes do fim do inquérito.
Já sobre o que Lula deveria fazer em relação à dívida pública, os entrevistadores queriam o compromisso de arrocho e cortes e não conseguiram o que queriam. Lula disse que a dívida brasileira não é preocupante. Ele lembrou que a dívida dos EUA é 120% do PIB, chegando a US$ 40 trilhões.
Sobre a questão fiscal, ele foi muito enfático. Disse que nunca teve problemas com isso e que pegou o Brasil quebrado e com déficits enormes e dívidas gigantescas que teve que pagar. E foi muito firme em dizer que a questão fiscal se resolve com o crescimento do país. Ele garantiu também que não vai vender os Correios. Disse que desde 1985 querem privatizá-lo, mas que ele não vai fazer isso, pelo contrário, vai recuperá-lo. “Os Correios são muito importantes para o Brasil. Ele atinge todos os municípios do país”, frisou o presidente.
Lula falou também que, mesmo tendo sido o presidente que mais criou universidades e Institutos Federais, que mais criou vagas no ensino superior, vai investir muito em Educação para que o Brasil dê um salto de qualidade. Ele disse que esta e a sua missão no quarto mandato. Lula destacou que o Brasil precisa formar matemáticos, engenheiros e pesquisadores para se desenvolver e disputar com os países ricos.
“Queremos exportar inteligência e tecnologia, defender nossos minerais críticos e terras raras e produzir celulares baterias elétricas e chips dentro do Brasil”, disse Lula. Queremos ter a nossa inteligência artificial, falada em português”, acrescentou o presidente. Para ele, isso permitirá que os estudantes tenham bons empregos e possam viver bem no Brasil. “É por isso que eu me reuni hoje com o presidente do Senado e da Câmara. Para aprovar a regulação das terras raras”, disse Lula.
Questionado sobre as filas no INSS, Lula convidou os dois entrevistadores para estarem presentes em Brasília onde ele anunciará, na próxima semana, que a fila do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) foi zerada. Segundo Lula, a espera de 45 dias ficará restrita a 251 mil pessoas, número que classificou como normal.
Sobre Segurança Pública, Lula deixou claro que vai jogar pesado no momento em que for aprovada a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Segurança Pública que passará a permitir a participação do governo federal no combate efetivo ao crime junto com os estados. Ele explicou que a Constituição de 88, definiu que Segurança é de responsabilidade apenas dos estados. “Nós vamos agir juntos, União, estados e inclusive os municípios e vamos vencer a luta contra o crime. Nenhum estado sozinho conseguiu resolver o problema”, apontou Lula.
E aí ele mostrou que esta será uma grande prioridade de seu próximo mandato. “Assim que for aprovada PEC da Segurança, imediatamente eu crio o Ministério da Segurança e aí sim vamos com tudo, junto com estados e municípios e vamos retomar os territórios da bandidagem”, garantiu o presidente. “Os bairros são do povo e não dos bandidos, as ruas são do povo e não dos bandidos. Nós vamos recuperar tudo isto e devolver para a população brasileira, acrescentou Lula.
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SÉRGIO CRUZ










