Estas eleições serão o mais significativo embate da nação contra o imperialismo (ou contra seus capachos internos, o fascismo bolsonarista, como qualificou a deputada Jandira Feghali).
É tudo ou nada! Se Lula ganhar, e tem tudo para ganhar, está aberta uma avenida de possibilidades para que o Brasil cumpra seu destino de grande nação. Se perder, poderá ser a destruição de tudo que construímos até hoje, desde a queda do Império.
E qual a questão política fundamental nessas eleições? É, sem sombra de dúvidas, a construção da mais ampla unidade na defesa da soberania nacional. Esta é a questão que divide as águas. Quem é a favor do Brasil e quem é a favor do imperialismo norte-americano, que nos ameaça com tarifaços às nossas exportações, com a interferência nas eleições presidenciais e até com a invasão de nosso território, para açambarcar as terras raras e o petróleo, entre outras riquezas.
E qual a questão principal para a formação da frente antifascista e em defesa da soberania nacional? É a participação das FFAA na frente, é, justamente, promover o diálogo entre a sociedade civil – trabalhadores, estudantes , intelectuais, jornalistas, empresários, partidos democratas – e os militares.
Qual será o modelo de participação? Essa é uma questão a se ver.
O fato é que esta participação irá fortalecer a campanha de Lula, porque é quem defende, sem subterfúgios, a soberania nacional. As outras candidaturas expressivas estarão, necessariamente, entre a cruz e a calderinha, e, quanto mais para o centro, mais para cá.
E qual será a questão decisiva para consolidar a aliança com as FFAA?
É o fortalecimento da indústria da defesa, e da energia, como as questões centrais do programa nacional de desenvolvimento ou da reindustrialização do país.
As FFAA, se dermos a atenção que merecem, não faltarão à nação, Afinal, não nos faltaram na Abolição à escravidão, na República, na Revolução de 1930 (e nos seus episódios mais heroicos, como os 18 do Forte e a Coluna Prestes) e, mais, devemos a elas a integridade territorial, a luta contra o nazifascismo, além de garantirem a posse de JK e Sarney. Foram decisivas para impedir o golpe do 8 de Janeiro. O saldo é extremamente positivo.
Reconstruir a indústria da defesa passa, primeiramente, por reconstruir o que foi destruído pela ação criminosa pró imperialista do neoliberalismo: a conclusão da usina nuclear de ANGRA 3, a conclusão do submarino nuclear Almirante Álvaro Alberto, o fortalecimento da AVIBRAS, a recuperação da ENGESA (fábrica de blindados), do SIVAM (Sistema de Vigilância da Amazônia) e da Barreira do Inferno.
Embora a maioria da nação não tivesse consciência, o Tesouro Nacional foi assaltado, o ano passado, em mais de um trilhão de reais, de juros, levado a cabo pelo cambio livre, pelas metas de inflação subdimensionadas, e pelos juros altíssimos (para, dessa forma, atrair especuladores de todos os calibres). E, agora, com nomes tão arrogantes quanto os seus mentores, como arcabouço fiscal, fiscalismo, superavit primário e outras baboseiras. Além, é claro, da superexploração dos trabalhadores. Crimes que vêm sendo cometidos há 40 anos.
Depois de 50 anos, a partir de 1930, fomos o país que mais crescia no mundo, nosso PIB era maior que o da China, tínhamos uma poderosa indústria de equipamentos, um salário mínimo, até o governo JK, capaz de sustentar uma família operária de 4 pessoas, uma taxa de investimento de 25%.
Hoje o crescimento médio do PIB é de 2,2%, 1/3 da era Getúlio, o salário mínimo ocupa o 14º lugar na América Latina, o PIB brasileiro, que já foi maior que o da China, hoje é a metade, a taxa de investimento é 16%, na China é 40%.
A diferença é que em vez de Estado mínimo teremos o Estado investindo em tecnologia, infraestrutura, apoiando as empresas genuinamente nacionais e não os monopólios estrangeiros, uma agricultura principalmente para atender o mercado interno. Um Estado que garanta os direitos históricos da CLT e da Previdência, que recrie uma rede de proteção aos trabalhadores, com fortalecimento da Justiça Trabalhista, dos sindicatos e da negociação coletiva.
O neoliberalismo, no final das contas, é o outro lado da moeda do fascismo.
CARLOS PEREIRA










