A notícia foi dada na entrevista ao SBT nesta segunda-feira (19). Ele disse que vai entregar a quebra de sigilo de toda a família no TSE na terça-feira (20). “Vamos ver se o adversário fará o mesmo”, cobrou Lula
O presidente Lula, candidato à reeleição, afirmou, nesta segunda-feira (19), em entrevista no SBT, que abriu todos os seus sigilos, bancário e telefônico, e de toda a sua família e desafiou seu adversário a fazer o mesmo.
DESAFIO ESTÁ FEITO
Lula afirmou que vai entregar toda a documentação amanhã (terça-feira, 20) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e desafiou seu adversário a fazer o mesmo. “Vamos acabar com esse negócio de ladrão ficar acusando pessoas honestas. É hora de esclarecer tudo. Eu quero que ele e sua família também abram seu sigilos”, disse Lula. “Eu não quero que um miliciano fique atacando a honra de pessoas honestas neste país”, acrescentou.
Ele já havia feito esse desafio a Flávio Bolsonaro durante o debate na Bandeirantes no dia anterior. O candidato da extrema-direita não deu sinais, no debate, de que vá aceitar o desafio de Lula. O presidente cobrou várias vezes explicações sobre os R$ 134 milhões que Flávio recebeu de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Flávio também não explicou nada sobre o assunto.
O presidente foi questionado no SBT sobre se ele estaria gastando demais e provocando desequilíbrio nas contas públicas. Lula respondeu que essa é uma reclamação que sempre ocorre por parte do sistema financeiro, mas que o país não corre este risco. Lula disse que recuperou o país e que nunca houve problemas fiscais em seus governos.
GASTOS COM O POVO
As queixas recaem sobre propostas que o presidente tem defendido em favor do povo. O fim da escala 6×1 por exemplo que, segundo as entrevistadoras, teria sido refutada por entidades empresariais. Lula disse que “toda vez que o povo conquista algum direito sempre dizem que o mundo vai acabar”. “Foi assim em 1936, quando Getúlio criou o salário mínimo e, em 1943, quando foi criada a CLT, mas o mundo não acabou”, lembrou o presidente.
Ele disse que é justo que o trabalhador descanse dois dias. Além disso, Lula anunciou que vai implantar o transporte público gratuito nos fins de semana. Ele afirmou que as emendas parlamentares serão utilizadas para ajudar a financiar a gratuidade do transporte público coletivo aos fins de semana.
Assista a entrevista na íntegra
“Vai ser uma briguinha com o Congresso Nacional. Mas isso é uma parte da democracia. Todo deputado vai querer fazer uma concessão das suas emendas, para permitir que os seus eleitores possam passear no fim de semana e visitar parentes. Eu, sinceramente, acho que não vai ter problema”, declarou Lula.
O presidente explicou que a medida busca garantir que os trabalhadores possam aproveitar os dias de descanso, especialmente diante da proposta de ampliação do tempo livre com o fim da escala de trabalho 6×1. “Não adianta você dar dois dias para descansar e não ter como passear ou visitar um parente. Então nós vamos fazer isso. De onde é que vai sair dinheiro? Nós vamos tirar das emendas parlamentares”, explicou.
REAJUSTE DO BOLSA FAMÍLIA
A iniciativa se soma a outras medidas anunciadas pelo governo nos últimos meses, durante a disputa eleitoral, entre elas ações relacionadas ao Bolsa Família, ao programa Desenrola 3 e ao Prospera MEI, voltado aos microempreendedores individuais (MEIs) e à renegociação de dívidas.
O presidente defendeu uma ofensiva contra o crime organizado que alcance desde os integrantes das facções nas ruas até os responsáveis por financiar suas atividades. Lula cobrou o avanço da PEC da Segurança Pública, criticou os limites da atuação dos estados e afirmou que pretende criar um ministério exclusivo para a área após a aprovação da proposta.
A discussão começou com uma pergunta da jornalista Adriana Araújo sobre o avanço das facções criminosas e os possíveis efeitos da redução da maioridade penal. Ao receber a palavra, Lula questionou o adversário sobre a proposta de emenda constitucional encaminhada pelo governo ao Congresso em março de 2025. “O candidato poderia ter votado a emenda constitucional que eu mandei dia 25 de março do ano passado”, afirmou.
VAMOS ACABAR COM A BANDIDAGEM
O presidente argumentou que a segurança pública continua concentrada nas administrações estaduais, enquanto a União dispõe de instrumentos limitados para atuar diretamente no enfrentamento da criminalidade. Para Lula, o modelo atual não conseguiu conter a expansão das organizações criminosas. O presidente defendeu uma articulação permanente entre governo federal, estados e municípios para recuperar territórios controlados por facções e milícias.
Lula também citou o endurecimento da legislação contra facções e defendeu uma atuação federal mais ampla. Ele anunciou que pretende criar o Ministério da Segurança Pública assim que o Senado aprovar a PEC apresentada pelo governo.
A proposta busca ampliar a coordenação nacional das políticas de segurança e estabelecer mecanismos de cooperação entre União, estados e municípios. A tramitação da emenda ganhou destaque na reta final da campanha presidencial, diante das divergências sobre a inclusão da redução da maioridade penal no texto.
“Para o trabalhador, para a comunidade, proteção. Para o bandido, prisão”, afirmou. Na parte final de sua resposta, Lula afirmou que o governo ampliou o enfrentamento ao crime organizado nos últimos quatro anos e defendeu a necessidade de dar continuidade às ações. O presidente sustentou que a aprovação da PEC permitirá uma participação mais efetiva da União nas políticas de segurança e no combate às organizações criminosas.










