“Em nenhum momento da história o Brasil teve um presidente da envergadura de Getúlio e que pensasse no Brasil do jeito que ele pensou”, disse em discurso. “Lula é um patriota”, afirmou Carlos Lupi, presidente do PDT
O PDT oficializou o apoio ao presidente Lula em sua disputa pela reeleição, em Convenção Nacional realizada nesta segunda-feira (20). O presidente Carlos Lupi afirmou que essa eleição será disputada entre patriotas, que estarão com Lula, e traidores da pátria.
Lupi disse que o PDT, de herança trabalhista, jamais poderia “estar com os filhotes da ditadura”. Para ele, nessa eleição “de um lado está Tiradentes – ao qual nós nos filiamos. Do outro está Silvério dos Reis. Quem quiser escolher o lado de Silvério dos Reis, que pague o preço da história”.

Segundo o ex-ministro da Previdência de Lula, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, “é o grande rival da sociedade moderna”. “É o que persegue, que faz guerra por interesse financeiro, que está fazendo pelo mundo uma destruição permanente dos princípios democráticos”.
“Trump é o atraso, o ódio. Tudo o que ele representa é representado aqui [no Brasil] pela família Bolsonaro. Lula pode representar a antítese de Trump. Vai representar, com a sua vitória. Lula é um patriota”, completou.
Carlos Lupi entregou a Lula, em nome da direção nacional do PDT, um quadro com a Carta Testamento de Getúlio Vargas.
LULA: SOBERANIA E DEMOCRACIA SÃO SAGRADAS
Em discurso na Convenção Nacional do PDT, o presidente Lula afirmou que “não há nada mais sagrado neste momento histórico do que a defesa da soberania nacional e a questão da democracia”.
“Antigamente, traidor era enforcado porque trair a pátria é algo muito grave. Hoje, temos não um, mas vários traidores que vão aos Estados Unidos pedir para impor punição ao Brasil”, continuou o presidente, sem mencionar nomes.
Lula disse que “não há possibilidade de a gente permitir que a democracia sofra mais um arranhão”. Segundo ele, autoridades do mundo todo estão sendo convidadas para acompanhar as eleições no Brasil.
“Se o secretário de Estado americano, Marco Rubio, quiser vir acompanhar meu adversário, que venha, que monte um comitê. A gente vai derrotar todos em nome da defesa da democracia”, assinalou.
Marco Rubio é uma das principais figuras na tentativa de intervenção dos Estados Unidos sobre a política brasileira, recebendo o apoio de Flávio Bolsonaro e outras figuras bolsonaristas pelas sanções que impôs contra o Brasil.
O presidente Lula denunciou que o governo anterior, de Jair Bolsonaro, destruiu políticas públicas e o povo brasileiro teve que “recompor tudo outra vez”. Além disso, Jair e Michel Temer fizeram privatizações que não trouxeram “nada de bom para o trabalhador”.
Lula ressaltou o legado de Getúlio Vargas, apontando que ele fez as duas primeiras políticas de inclusão social no Brasil, que “foram em 1936, com o salário mínimo, e em 1943, com a CLT”. “Tem gente que critica a CLT, mas imagina o que era o Brasil antes”.

O presidente admitiu que, no começo de sua vida política, era contrário às políticas de Vargas. “Hoje, depois de ler tanto sobre Getúlio, acho que em nenhum momento da história o Brasil teve um presidente da envergadura de Getúlio e que pensasse no Brasil do jeito que ele pensou”, reforçou.
Lula ainda enalteceu os feitos de Leonel Brizola, em especial os Centros Integrados de Educação Pública (CIEPs). “Hoje, todo mundo sabe que esse país não terá solução se a gente não nacionalizar a escola de tempo integral para todas as crianças”, completou.
LIDERANÇAS DO PDT APOIAM LULA
A ex-deputada Marília Arraes (PDT), pré-candidata ao Senado em Pernambuco, destacou a importância de eleger uma maioria democrata nesta Casa para “garantir a soberania nacional”. Para ela, o bolsonarismo se aliou ao imperialismo “de forma escancarada”.
A pré-candidata ao governo do Rio Grande do Sul, Juliana Brizola (PDT), participou da Convenção e disse que os partidos progressistas estão fazendo uma “aliança histórica no Rio Grande do Sul”. “A nossa coligação, que tem mais de oito partidos, lidera as pesquisas”, apontou.
A senadora Leila do Vôlei, que buscará a reeleição pelo PDT no Distrito Federal, relatou a diferença que viu nos anos em que foi parlamentar no governo Bolsonaro, quando “vivemos inúmeros retrocessos”, e no governo Lula, que buscou a “reconstrução” do país.
O ex-senador do Paraná, Roberto Requião, candidato a deputado, comentou que a frente que apoia Lula é heterogênea e se encontra na defesa da democracia. Ele salientou que o governo Lula precisa discutir a reestatização da Eletrobrás: “não é possível que o mundo inteiro reverta privatizações, estatizando empresas, e nós fiquemos tranquilamente acompanhando esse processo de liberalização da economia”.
Representando o PCdoB, o ex-deputado distrital João Goulart Filho esteve presente no evento e disse que os democratas brasileiros precisam “impedir, a qualquer custo, a extensão e o domínio dessa direita fascista que nós vivemos há quatro anos”.
Com Lula, os partidos progressistas devem “exigir a verdadeira transformação do Brasil, o desenvolvimento nacional, a reforma agrária, a reforma urbana e a reforma tributária. Temos, principalmente, que ir contra esse sistema financeiro que aí se encontra judiando do nosso país e dos nossos trabalhadores”.










