Lula vence Flávio no 2º turno por 47% a 43%, mostra Datafolha

Campanha começou no fim de semana passado (Foto: Ricardo Stuckert)

Presidente aparece com 39% contra 33% do senador no primeiro turno

A primeira pesquisa Datafolha realizada após o início oficial da campanha eleitoral, divulgada nesta sexta-feira (21), coloca Lula (PT) na liderança da corrida presidencial, com 39% das intenções de voto, 6 pontos à frente de Flávio Bolsonaro (PL), que registra 33%.

O levantamento foi realizado entre 18 e 20 de agosto, ouviu 2.058 eleitores com 16 anos ou mais em 127 municípios e tem margem de erro de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa, contratada por Globo e Folha de S.Paulo, está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BR-04496/2026.

A vantagem de Lula no primeiro turno é superior à margem de erro. Ainda assim, a série histórica mostra redução da distância entre os 2 principais candidatos. Em junho, a diferença era maior; na pesquisa anterior, divulgada em julho, Lula tinha 40% e Flávio, 32%. O novo levantamento registra, portanto, oscilação de 1 ponto para baixo do presidente e de 1 ponto para cima do senador.

O dado mais importante, contudo, está no segundo turno.

SEGUNDO TURNO: 47% A 43%

Em eventual disputa direta entre Lula e Flávio Bolsonaro, o petista aparece com 47%, contra 43% do senador. Brancos, nulos e nenhum somam 9%, enquanto 2% não souberam responder.

A diferença de 4 pontos está no limite da margem de erro e caracteriza empate técnico do ponto de vista estatístico.

Na pesquisa de julho, Lula tinha 48% contra 43% de Flávio. O presidente, portanto, oscilou negativamente 1 ponto, enquanto o senador manteve o mesmo percentual.

O quadro é particularmente relevante porque a campanha eleitoral apenas começou oficialmente em 16 de agosto, e a propaganda gratuita no rádio e na televisão terá início em 28 de agosto. A partir daí, os candidatos terão instrumentos mais amplos para apresentar propostas, explorar vulnerabilidades dos adversários e disputar os segmentos ainda indecisos.

TERCEIRA VIA CONTINUA DISTANTE

No primeiro turno, Ronaldo Caiado (PSD) aparece com 5%, seguido por Renan Santos (Missão), com 4%, e Romeu Zema (Novo), com 3%. Augusto Cury (Avante) registra 2%. Samara Martins (UP), Rui Costa Pimenta (PCO), Wilson Grassi (Democrata) e Edmilson Costa (PCB) têm 1% cada. Clariana Barão (DC) e Hertz Dias (PSTU) aparecem com 0%.

Brancos, nulos e nenhum somam 6%, e os indecisos representam 4%.

O levantamento também testou cenário com Pablo Marçal (PRTB), cuja situação eleitoral permanece submetida à Justiça. Nesse cenário, Lula conserva 39%, enquanto Flávio oscila para 32%. Caiado permanece com 5%, Renan Santos com 4% e Zema com 3%; Marçal aparece com 2%.

Segundo os dados divulgados, a entrada de Marçal não altera substancialmente a configuração da disputa.

ELEITORADO AINDA TEM ESPAÇO PARA MUDANÇAS

Um dos dados mais relevantes para compreender o estágio atual da eleição é o grau de definição do voto. Segundo o Datafolha, 72% dos eleitores dizem estar totalmente decididos, enquanto 27% admitem que ainda podem mudar de candidato.

Na pesquisa espontânea, quando os nomes dos candidatos não são apresentados, Lula aparece com 32%, contra 19% de Flávio Bolsonaro. Jair Bolsonaro é citado por 3%, enquanto Caiado e Renan Santos têm 2% cada. Zema e Marçal aparecem com 1%.

O dado que chama atenção é o contingente que ainda não manifesta preferência espontânea: 32% estão indecisos. Isso mostra que, apesar da vantagem dos líderes, existe parcela expressiva do eleitorado que ainda não está plenamente incorporada à disputa.

REJEIÇÃO É QUASE EMPATE

Outro elemento decisivo para a leitura da pesquisa é a rejeição. Flávio Bolsonaro aparece com 46% de eleitores que afirmam não votar nele de jeito nenhum, enquanto Lula registra 45%.

A diferença de 1 ponto está muito abaixo da margem de erro. Em relação ao levantamento anterior, a rejeição de Flávio caiu de 48% para 46%, enquanto a de Lula recuou de 46% para 45%.

Pablo Marçal aparece com 22% de rejeição, seguido por Zema, com 16%, e Renan Santos e Caiado, ambos com 14%.

A elevada rejeição dos 2 principais candidatos ajuda a explicar porque a disputa de segundo turno permanece apertada. A eleição tende a depender não apenas da capacidade de cada campanha de preservar sua base, mas também da disputa pelos eleitores que rejeitam ambos, estão indecisos ou ainda admitem mudar de voto.

LULA LIDERA CONTRA OS OUTROS ADVERSÁRIOS

O Datafolha testou ainda outros confrontos de segundo turno. Lula aparece com 47% contra 40% de Ronaldo Caiado; 47% contra 37% de Renan Santos; e 48% contra 38% de Romeu Zema.

PROPAGANDA PODE MUDAR DINÂMICA

A pesquisa foi realizada justamente na transição entre o período pré-eleitoral e o começo efetivo da campanha. A partir de 28 de agosto, Lula terá vantagem no tempo de propaganda eleitoral gratuita em relação a Flávio Bolsonaro, segundo informações divulgadas pela imprensa.

A campanha petista deverá explorar a avaliação do governo, programas sociais, emprego, renda e investimentos, enquanto a campanha de Flávio tende a concentrar a comunicação em temas como segurança pública, oposição ao governo e críticas relacionadas a denúncias que envolvem aliados e familiares do presidente.

A capacidade de cada candidato de ampliar suas bases, reduzir rejeições e convencer o eleitorado ainda indeciso será central para a evolução das próximas pesquisas.

O dado mais expressivo do novo Datafolha, portanto, é menos a fotografia isolada dos 39% contra 33% do primeiro turno do que a combinação entre liderança de Lula, estagnação de Flávio e estreitamento da diferença no segundo turno: 47% a 43%.

A eleição entra agora na fase decisiva, com os 2 principais candidatos separados por margem estreita e parcela relevante do eleitorado ainda sujeita a mudanças.

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