Lula visita Juazeiro e Petrolina e convoca “exército da democracia” às ruas até domingo

Milhares atravessaram a ponte entre Juazeiro e Petrolina junto a Lula - Foto: Ricardo Stuckert

Em ato entre Bahia e Pernambuco, presidente destaca transposição do São Francisco, defende políticas sociais e pede mobilização nas ruas e nas redes até domingo

Uma multidão tomou a Ponte Presidente Dutra nesta terça-feira (20), atravessando o Rio São Francisco entre Juazeiro (BA) e Petrolina (PE) em uma grande mobilização pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A caminhada reuniu apoiadores, militantes e lideranças políticas dos dois estados a cinco dias do segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Às margens do São Francisco, rio que simboliza a luta histórica do Nordeste pelo acesso à água, Lula convocou os apoiadores a intensificar a campanha na reta final. “Se prepare porque é guerra e o exército do Lula não pode sair da rua, não pode sair das redes digitais. É importante a briga cotidiana. Já somos maiores que o exército chinês, americano, russo. Nós somos o exército da democracia”, declarou.

A concentração começou na Orla II de Juazeiro, e a caminhada seguiu pela ponte até a Avenida Guararapes, em Petrolina. Participaram o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), os senadores Rui Costa, Jaques Wagner, Humberto Costa e Teresa Leitão, a senadora eleita Marília Arraes (PDT), o presidente nacional do PSB, João Campos, e outras lideranças regionais.

“É daqui da margem do Rio São Francisco que nós vamos levar a vitória para o Brasil inteiro”, afirmou Lula, ao defender a continuidade das políticas públicas e dos investimentos destinados à população nordestina.

Presidente Lula durante caminhada – Foto: Ricardo Stuckert

DESENVOLVIMENTO DO NORDESTE

O presidente destacou a transposição do Rio São Francisco como uma das principais obras de infraestrutura hídrica do país, voltada a ampliar a segurança no abastecimento de água em regiões historicamente atingidas pela seca.

“O meu compromisso com o Nordeste brasileiro é uma questão de honra. Desde que eu assumi fazer parte da política, eu assumi o compromisso de fazer com que o Nordeste não seja tratado como se fosse uma terra de segunda qualidade”, declarou.

Lula afirmou que a obra representa um compromisso com milhões de brasileiros que conviveram durante gerações com a escassez de água. Segundo ele, os investimentos em infraestrutura precisam caminhar junto com a ampliação das oportunidades de educação, emprego e desenvolvimento econômico.

“Não é mais privilégio de São Paulo e Rio de Janeiro ter indústria automobilística. A gente vai fazer com que o Nordeste tenha as mesmas oportunidades que outras regiões do Brasil. Nós queremos um país equânime. E estamos provando que nordestino não é inferior a ninguém. O Nordeste só precisa de oportunidades e elas estão acontecendo”, disse.

BOLSA FAMÍLIA E COMBATE À POBREZA

O ato também ocorreu no dia em que o Bolsa Família completou 23 anos. Criado em 2003, o programa tornou-se uma das principais políticas de transferência de renda do país, voltada ao combate à pobreza e à insegurança alimentar.

Lula defendeu a continuidade das políticas sociais e criticou as propostas e posições de seu adversário em relação aos programas de proteção à população de baixa renda. Na agenda desta terça-feira, o presidente também voltou a destacar a importância do Bolsa Família, da Farmácia Popular e do Sistema Único de Saúde (SUS).

A defesa dos programas sociais esteve ligada à mensagem central do discurso: a eleição de domingo definirá a continuidade ou a mudança de rumo das políticas públicas federais.

EDUCAÇÃO E FUTURO EM DISPUTA

Lula afirmou que a disputa eleitoral vai além da escolha de um presidente e envolve o projeto de país para os próximos anos.

“O que está em jogo no dia 25 não é uma simples eleição. O que está em jogo é a gente definir o tipo de Brasil que a gente quer”, declarou.

Entre os compromissos destacados estão a manutenção dos investimentos em educação, a continuidade do programa Pé-de-Meia, destinado a incentivar a permanência de estudantes do ensino médio na escola, e a proposta do Pé-de-Meia Universitário, voltada a apoiar financeiramente jovens do ensino superior e reduzir a evasão por dificuldades econômicas.

O presidente também relacionou a disputa à soberania nacional e criticou a subordinação dos interesses brasileiros a outros países. Em seu discurso, defendeu um Brasil com capacidade de decidir seus próprios rumos e ampliar as oportunidades para a população.

MOBILIZAÇÃO ATÉ DOMINGO

Na reta final da campanha, Lula pediu que seus apoiadores mantenham a mobilização nas ruas, nas comunidades e nas redes sociais, conversem com eleitores indecisos e procurem pessoas que não votaram no primeiro turno. Também pediu atenção aos eleitores com mais de 70 anos, para quem o voto é facultativo.

O presidente agradeceu o apoio recebido na Bahia e em Pernambuco e afirmou que pretende dedicar um eventual novo mandato à ampliação das oportunidades para as próximas gerações.

“Enquanto eu tiver pernas para andar, braço para trabalhar, cabeça para pensar e boca para falar, um ladrão não vai governar o Brasil”, declarou.

Com a travessia da ponte sobre o São Francisco, a campanha de Lula reuniu apoiadores de duas cidades vizinhas e de estados diferentes em uma mobilização que teve como símbolos a integração regional, as políticas sociais e a defesa da continuidade do atual governo. A votação do segundo turno está marcada para domingo, 25 de outubro.

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