Manifestações cobram Senado pelo fim da escala 6×1

Foto: CTB

Manifestações tomaram as ruas neste domingo (30), em diversas regiões do país, cobrando a aprovação pelo Senado da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que põe fim à escala 6×1, garantindo a redução da jornada de trabalho.

Em São Paulo o ato foi realizado no vão livre do Masp e reuniu trabalhadores da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Força Sindical, União Geral dos Trabalhadores (UGT), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), além de movimentos sociais e estudantis.

A proposta defendida pelas entidades, e que ganhou apoio em diversos setores empresariais, prevê a redução da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, além da garantia de dois dias de descanso semanal remunerado. O texto deve ser analisado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado na próxima quarta-feira (2).

Para o presidente da CUT, Sergio Nobre, a mobilização representa uma etapa importante de uma luta histórica da entidade pela redução da jornada. O dirigente também destaca que a pressão sobre os senadores continuará ao longo da semana. “A partir de amanhã [31] vamos de gabinete em gabinete pressionando os senadores, vamos fazer ato na rua, no Brasil inteiro. Vamos para o metrô entregar o material pro povo pressionar os senadores”, afirmou Nobre.

As lideranças sindicais destacaram os efeitos da escala 6×1 especialmente sobre mulheres e jovens. Para o secretário-geral da UGT, Francisco Canindé Pegado do Nascimento, a jornada de seis dias de trabalho e apenas um de descanso se torna ainda mais pesada para as mulheres devido à divisão desigual do trabalho doméstico. “Hoje a escala é 6X1 para a mulher chama-se escala sete por zero. Hoje a mulher, mesmo com o domingo de folga, chega em casa e ainda tem mais uma jornada de trabalho”, afirmou.

O presidente da Força Sindical, Miguel Torres, também defendeu a continuidade da mobilização durante a tramitação da proposta no Congresso. “Que nós possamos virar mais essa, ganhar mais essa que é a redução da jornada de trabalho quarenta horas semanais sem redução salarial e também o fim da escala seis por um. Isso está nas nossas mãos”, declarou.

“Nós temos que pôr fim à famigerada escala seis por um porque não é mais possível conviver com essa realidade”, afirmou o presidente da CTB, Adilson Araújo, que classificou a escala 6×1 como incompatível com a defesa de condições dignas de trabalho.

O ato também contou com a presença de políticos e candidatos nas eleições de 2026. Entre eles esteve Marina Silva, candidata ao Senado por São Paulo, que discursou em defesa da redução da jornada. Sobre a defesa do tempo livre, afirma Marina que “tem gente que usa para estudar, para ficar com a família, para se divertir, para ir fazer oração, o que quiser. O trabalhador não pode ser tratado como se fosse um escravo”, ressaltou.

Carlos Machado, candidato ao governo de São Paulo pelo PCB, Sâmia Bomfim (PSOL-SP) e Nat Boulos (PSOL), candidatas a deputadas estaduais, também participaram do ato.

TRAMITAÇÃO

Na CCJ do Senado, o relator da proposta, senador Omar Aziz (PSD-AM), apresentou parecer favorável e rejeitou as emendas apresentadas até o momento, mantendo o texto aprovado pela Câmara dos Deputados. Após passar pela Comissão, o texto segue para apreciação em plenário.

“O resultado positivo vai depender muito da nossa mobilização. A partir de amanhã as centrais sindicais e os sindicatos filiados às centrais sindicais estarão distribuindo jornais, panfletos e mobilizando a população”, afirmou o vice-presidente da NCST, Nailton Francisco de Souza.

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