Candidata afirma que estado “está ficando para trás” em áreas essenciais e rebate ataque de Ricardo Salles, que tentou desqualificá-la por ter nascido no Acre
A candidata ao Senado por São Paulo Marina Silva (Rede) criticou a gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) durante o primeiro debate entre os postulantes às duas vagas do estado no Senado, realizado pela Band na noite de quarta-feira (9). Marina afirmou que São Paulo vem perdendo desempenho em áreas como educação, segurança pública, desenvolvimento econômico e eficiência fiscal.
“O Estado de São Paulo, infelizmente, está ficando para trás em vários aspectos, inclusive o da eficiência fiscal. São Paulo está ficando para trás em educação, está ficando para trás em segurança pública e está ficando para trás em desenvolvimento econômico. São Paulo precisa voltar a crescer”, afirmou.
A declaração ocorreu durante uma discussão sobre a situação fiscal paulista. Marina destacou o peso econômico do estado, responsável por cerca de um terço do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, e questionou os resultados apresentados pela atual administração estadual.
“Muita gente faz uma propaganda muito grande dessa eficiência, mas, infelizmente, ela não vem sendo atestada, nem na eficiência do gasto público, nem no avanço do desenvolvimento econômico, nem em educação, saúde e segurança pública”, disse a candidata.
CRÍTICA A TARCÍSIO
A fala de Marina ocorreu em meio a uma disputa sobre os rumos de São Paulo e colocou em questão o discurso de eficiência administrativa utilizado pelo governo Tarcísio. Para a candidata, o tamanho da economia paulista não tem se traduzido em melhoria proporcional das condições de vida da população.
Ao final do confronto, Marina afirmou que São Paulo precisa de uma discussão política baseada em resultados concretos e apresentou como prioridades o combate à violência contra as mulheres, a melhoria da saúde e a redução das desigualdades.
“Aqui é o lugar do debate sério e comprometido em fazer este Estado voltar a crescer, combater feminicídio, combater violência, ter saúde de qualidade e combater desigualdade. Aqui a desigualdade social cresceu 80% no governo Tarcísio”, afirmou.
A candidata também defendeu o fim da escala de trabalho 6×1 sem redução salarial. Em uma interação com Simone Tebet (PSB), as duas afirmaram que, se eleitas, votarão a favor da mudança na jornada. Marina associou a medida à melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores e ao aumento da produtividade.
MARINA REBATE ATAQUE DE SALLES
As críticas à situação de São Paulo provocaram reação do deputado Ricardo Salles (Novo), ex-ministro do Meio Ambiente de Jair Bolsonaro. O candidato tentou desqualificar a fala de Marina destacando que ela nasceu no Acre e acusando-a de não ter vínculos históricos com o estado.
Salles chamou Marina e Tebet de “forasteiras” e afirmou que elas não teriam legitimidade para criticar a situação paulista. O candidato também questionou posições anteriores de Marina relacionadas ao Fundo de Participação dos Estados (FPE).
Marina reagiu e classificou o argumento como uma tentativa de desviar o debate. A candidata também denunciou o tratamento desigual dispensado a homens e mulheres na política.
“Quando é um homem que sai lá do Rio de Janeiro para ser candidato ao governo do Estado de São Paulo, é tapete vermelho. Quando são mulheres, são tratadas como forasteiras”, afirmou, em referência a Tarcísio, que nasceu no Rio de Janeiro e se transferiu para São Paulo para disputar o governo estadual.
Marina lembrou ainda sua trajetória política e afirmou que possui uma história de atuação tanto no estado de origem quanto no cenário nacional. “Nós temos uma biografia. Temos um serviço prestado aos nossos estados de origem e ao país”, disse.
O encontro da Band foi o primeiro debate televisivo dedicado exclusivamente à disputa pelo Senado em São Paulo. Participaram Marina Silva, Simone Tebet, Guilherme Derrite (PP), Ricardo Salles, André do Prado (PL), Geraldo Rufino (Podemos) e Soninha Francine (Cidadania). Em 2026, os eleitores paulistas escolherão dois representantes para o Senado.
O debate foi marcado por fortes confrontos entre os candidatos. Enquanto Salles e Derrite concentraram ataques nas candidaturas apoiadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marina e Tebet atuaram em sintonia em defesa de pautas como o fim da escala 6×1.











