Máscaras caem: Tarcísio aumenta ICMS da gasolina, diesel e gás após eleição

Governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas - Foto: SECOM-SP

Passada a eleição, o governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) votou pelo aumento do ICMS sobre gasolina, diesel e gás de cozinha. A partir de 1º de fevereiro de 2027, o paulista vai pagar mais imposto estadual cada vez que abastecer o carro, o caminhão ou trocar o botijão. A decisão foi tomada em 29 de outubro, no Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), dias depois do segundo turno.

O próprio governo de São Paulo admite que o aumento vai chegar às bombas: a gestão Tarcísio calcula um acréscimo de R$ 0,07 a R$ 0,13 por litro no preço final pago pelo consumidor, em todo o estado, da capital a Campinas.

O diesel, que move o transporte de cargas, terá a maior alta. O imposto estadual passa de R$ 1,17 para R$ 1,30 por litro, um salto de 11,1%.

Reajuste do ICMS em SP a partir de 1º de fevereiro:

  • Óleo diesel: de R$ 1,17 para R$ 1,30 por litro (alta de 11,1%)
  • Gasolina e etanol: de R$ 1,57 para R$ 1,64 por litro (alta de 4,5%)
  • Gás de cozinha (GLP): de R$ 1,47 para R$ 1,54 por quilo (alta de 4,8%)

No gás de cozinha, o aumento significa R$ 0,91 a mais de imposto em cada botijão de 13 quilos. Com repasse integral, encher um tanque de 50 litros de gasolina vai custar R$ 3,50 a mais só de ICMS. No diesel, R$ 6,50 a mais pelo mesmo volume.

Durante a campanha, Tarcísio passou meses atacando o governo Lula por causa de impostos, segundo o ministro Guilherme Boulos. Os bolsonaristas repetiram que a esquerda aumenta imposto e que eles iriam baixar. Fechadas as urnas, o governo paulista deu o voto a favor de mais imposto sobre o combustível.

A decisão foi política. O ICMS é um imposto estadual, e quem define o valor cobrado sobre os combustíveis são os governadores no Confaz. A Lei Complementar 192/2022 estabelece como o cálculo é feito, mas, segundo especialistas, não obriga nenhum governador a elevar a carga tributária. São Paulo podia ter dito não.

O governo Tarcísio fez questão de registrar, em nota, que o aumento foi ratificado “por unanimidade”. Ou seja, o estado mais rico do país votou sim.

O aumento do diesel não fica no posto. Quase toda a comida, os remédios e as mercadorias que circulam em São Paulo chegam de caminhão. Com o imposto mais alto, o frete sobe, e o custo vai parar no preço da cesta básica nos supermercados e nas feiras livres. Quem não tem carro também vai pagar a conta do voto de Tarcísio.

Caminhoneiros, entregadores e motoristas de aplicativo, que dependem do combustível para trabalhar, perdem renda direto. Para as famílias mais pobres, o gás de cozinha mais caro se soma ao transporte mais caro e encolhe o salário no fim do mês.

GOVERNO FEDERAL REDUZIU IMPOSTO SOBRE O DIESEL

No mesmo dia em que São Paulo votou pelo aumento, o governo federal prorrogou por mais 30 dias a subvenção de R$ 2,12 por litro de diesel rodoviário, criada para segurar os preços diante da guerra no Oriente Médio.

Em outubro, a União já tinha zerado temporariamente PIS/Pasep, Cofins e Cide sobre a gasolina, o que, segundo o Ministério da Fazenda, representa R$ 0,89 a menos por litro de gasolina A. Também criou um benefício extra de R$ 1,40 por litro para o diesel importado, para garantir o abastecimento.

Em março, durante agenda em São Paulo, o presidente Lula (PT) pediu aos governadores que também cortassem imposto sobre o diesel importado, com a União bancando parte da perda de arrecadação. A proposta morreu na resistência dos governos estaduais.

O governo federal usa dinheiro público e abre mão de arrecadação para proteger o consumidor. O governo Tarcísio fez o caminho contrário: aumentou o imposto em plena crise internacional do petróleo. E enquanto as medidas federais são temporárias, o ICMS mais alto aprovado por São Paulo começa em fevereiro e fica.

AS MÁSCARAS CAEM

Boulos, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência (PSOL), cobrou o governador em vídeo nas redes sociais. Acusou Tarcísio de descumprir promessas de campanha feitas em entrevistas e lembrou que o diesel mais caro encarece os alimentos.

“Passadas as eleições, as máscaras caem. Vocês viram que os bolsonaristas passaram a eleição inteira dizendo: ‘Ah, a esquerda aumenta imposto, a gente quer diminuir imposto’. Olha o que está acontecendo agora com o diesel. (…) Governador Tarcísio, faça a sua parte, ajude o povo brasileiro. Não dá para ter um discurso na eleição e a prática ser outra, né?”, declarou.

O governador não explicou por que votou a favor do aumento. Em nota do Palácio dos Bandeirantes, chamou a fala de Boulos de “lamentável”, acusou o ministro de espalhar desinformação e jogou a responsabilidade no colegiado: disse que a decisão foi do Confaz e que estados governados pelo PT também aprovaram o reajuste. Na mesma nota, Tarcísio desviou o assunto para a alíquota geral do ICMS, que afirma ter mantido em 18%, e para isenções em alimentos e no IPVA de motos de até 180 cilindradas. Nenhuma dessas medidas muda o aumento que ele aprovou sobre os combustíveis.

Boulos rebateu: a nota “não muda nada em relação à incoerência de Tarcísio com seu discurso de campanha. Passou meses atacando Lula a respeito de impostos”. “Três dias depois da eleição, se posicionou a favor do aumento do ICMS no Confaz”, escreveu.

O governo paulista voltou às redes para repetir que o aumento “não é uma decisão isolada de São Paulo” e atribuir o cálculo à regra nacional baseada nos preços da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Os novos valores comparam os preços médios entre fevereiro e setembro de 2026 com os do mesmo período de 2025. A regra diz como calcular; a decisão de aplicar o aumento passou pelo voto de São Paulo.

O Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz) disse que os estados estudam mudar os prazos de atualização do diesel por causa da instabilidade internacional. Até agora, o governo Tarcísio não apresentou nenhuma medida para aliviar o aumento que aprovou.

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