O Ministério da Educação Pública (SEP) do México determinou o fechamento de todas as assim chamadas “escolas militarizadas”, após o assassinato da menina de 13 anos, Dafne Zapata Quintos, durante um “acampamento de verão” da Academia Militarizada Marina Doenitz, no Estado de Tamaulipas.
“Para o início do ciclo escolar 2026-2027, em 31 de agosto de 2026, deverá garantir-se que nenhuma instituição preste serviços educativos sob a denominação ou modalidade ‘Militarizada’, ‘Militar’, ‘Castrense’ ou qualquer outra análoga”.
“Não pode haver uma verdadeira transformação educativa se permitimos qualquer expressão de violência”, afirmou o ministro Mario Delgado.
A decisão foi apoiada pela presidente Claudia Sheinbaum, que afirmou que “a educação é um espaço de liberdade, não de abuso”.
A família de Dafne denunciou que ela sofreu torturas, incluindo afogamento em sanitário e forte impacto na cabeça. O que foi confirmado pela autopsia que apontou como causa da morte asfixia por imersão, além de contusões e marcas de maus-tratos recentes. O homicídio ocorreu no dia 16 de julho.
Um vídeo a que mãe, Alejandra Quintos, teve acesso mostra Dafne, já visivelmente ferida e com dificuldade para falar, dizendo, no entanto, “estar bem”, aparentemente pressionada pelos agressores.
Outros estudantes da “Academia Militarizada” revelaram receber golpes, humilhações e serem obrigados a comer o próprio vômito.
Já estão presos Jorge Luis P., diretor da “instituição educativa”, e Estrellita N., instrutora da área feminina e apontada como executora material dos atos que causaram a morte. Uma terceira pessoa, uma auxiliar, também foi presa, mas familiares e ex-alunos a consideram também uma vítima.
A família propõe a “Lei Dafne”, buscando estabelecer protocolos de segurança para evitar a repetição de tais crimes.
NORMALIZAÇÃO DO ABUSO EM NOME DA DISCIPLINA
Como registrou o jornal La Jornada, “o modelo de educação militarizada é uma paródia da vida militar que normaliza a crueldade e o abuso em nome da disciplina. Para piorar a situação, como revelado no caso de Dafne, aqueles que fingem incutir ética militar são frequentemente indivíduos sem o conhecimento ou treinamento necessários”.
A publicação observa que os pais que matriculam seus filhos com a ideia de “formar caráter” ou “corrigir mau comportamento” devem entender que a violência contra crianças e adolescentes “não é apenas uma estratégia pedagógica anacrônica e prejudicial, mas também um crime”.
Acrescenta que “essa fórmula supostamente educativa já ceifou a vida de vários estudantes, além de Dafne, como Zamir Pinto, espancado até a morte em 2023, aos 16 anos, e Erick Terán, de 13 anos, que morreu da mesma forma em 2025”.
NÃO É EDUCAÇÃO MILITAR
O Ministério da Educação Pública (SEP) esclareceu que a educação militar destina-se “exclusivamente à formação de membros das Forças Armadas e não é uma modalidade prevista para o ensino fundamental ou médio”.
Além disso, enfatizou que tal prática “constitui uma violação flagrante e inaceitável dos direitos humanos e do princípio do melhor interesse da criança”, contradizendo o currículo da Nova Escola Mexicana (NEM), na qual “crianças e adolescentes são reconhecidos como sujeitos ativos da educação, capazes de exercer seu direito de transformar sua realidade por meio de uma educação integral que transcende a sala de aula e desenvolve seu potencial de forma ativa, autônoma e transformadora”.
Por sua vez, o Ministério da Defesa Nacional especificou que não possui competência para autorizar, inspecionar ou supervisionar escolas privadas que se anunciam como militarizadas e, portanto, a análise das licenças educacionais é de competência das autoridades civis.











