Milei arrasou a economia argentina e Flávio diz que quer imitá-lo no Brasil

Flávio Bolsonaro e Milei na convenção do PL. (Foto: Nelson Almeida/AFP)

Cerca de 30 mil empresas fecharam desde que Javier Milei chegou a Casa Rosada. Salário foi cortado em 39,3% e um terço da população caiu na pobreza

O governo Milei arrasou a economia argentina e Flávio Bolsonaro diz que quer fazer o mesmo no Brasil. Dados da Universidade Nacional de Buenos Aires (UBA) mostram que, entre novembro de 2023, logo no início do seu governo, e abril de 2026, o salário mínimo, na Argentina, perdeu 39,3% do seu poder real de compra.

Pesquisa do Instituto Nacional de Estadística e Censos da Argentina (Indec), órgão oficial de estatísticas do país, divulgada na quinta-feira (24), indica que a Argentina tem 32,3% da população em situação de pobreza no primeiro semestre deste ano, ou 4,1 pontos percentuais acima da pesquisa anterior. A população argentina é de aproximadamente 46 milhões de pessoas. Entre as famílias, o percentual na pobreza é 24,4% do total ou 2,5 milhões delas.

No Brasil, ainda há aqueles que consideram um grande feito as políticas de Milei. Para a coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro, Daniella Marques, “Milei é um ótimo exemplo em termos de voltar a ter capacidade de investimento e redução de burocracia e impostos”, disse ela em recente evento do grupo Esfera. O próprio Flávio já se declarou no mesmo sentido.

Mesmo com os dados, ainda mais alarmantes, de que a pobreza atinge 44,5% das crianças argentinas de até 14 anos. Desse grupo, 10,8% vivem na indigência, também conforme o instituto Indec.

O número de argentinos em situação de indigência, de acordo com a mesma pesquisa, subiu para 7,5% da população. Indigentes, pelo estudo, são as pessoas que têm renda estimada em US$ 150, ou seja, sem capacidade de acessar uma cesta apenas de alimentos capaz de suprir as necessidades diárias de energia e proteínas.

Cerca de 30 mil empresas fecharam desde que Javier Milei chegou a Casa Rosada. O mercado de trabalho desabou, com desemprego de 7,9%, o maior nível desde 2021. Quase metade da população economicamente ativa está na informalidade.

Essas perdas, entre outras, são desdobramento do plano econômico focado no “déficit zero”, desse chamado equilíbrio fiscal, ou seja, cortes na saúde, educação e outros direitos sociais, para garantir o pagamento desmedidos de juros aos bancos na rolagem da dívida pública.

A obtenção, em um primeiro momento da redução da inflação, é resultado da devastação da economia. A pobreza avança, a inflação volta a acelerar de 2025 para o primeiro semestre de 2026, em meio ao aumento do desemprego e a ameaça de uma estagflação, o pior dos mundos, inflação, com crescimento (PIB) negativo e alto desemprego.

Na Argentina de Milei cortes foram feitos em diversas frentes: subsídios aos serviços públicos, obras públicas, gastos sociais e nas transferências para governos provinciais. Só no primeiro ano de governo, a redução nos gastos com obras públicas chegou a 87%. Nos recursos discricionários para as províncias, a diminuição foi de 76%, conforme UOL.

Cortar gastos, do mesmo tipo feito na Argentina, entregar as estatais, inclusive estratégicas como o Banco do Brasil, como disse a economista de Flávio, fazer privatizações predatórias, congelar o salário mínimo e as aposentadorias. Fazer outra reforma da previdência para retirar mais direitos das aposentadorias, entre outas, medidas no mesmo sentido, teriam por evidência um efeito igual ou pior em nosso país, cuja economia é algo de 3,7 vezes maior do que a dos “hermanos”.

O professor Juan Manuel Abal Medina, Titular da Universidad de Buenos Aires e Investigador do Conselho Nacional de Investigações Científicas e Técnicas (CONICET), vinculado ao Ministério de Ciência e Tecnologia da Argentina, faz duras críticas à tentativa de espelhar o cenário vizinho no mercado brasileiro. “Transferir a experiência de Milei para o Brasil seria simplesmente uma loucura. Seria conspirar contra a indústria e o desenvolvimento tecnológico, provocar o fechamento de milhares de fábricas, a queda geral da renda e a consequente falência da atividade comercial”.

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