Milei fechou 32 mil empresas e arrasou a Argentina e Flávio quer imitá-lo no Brasil

Javier Milei e Flávio Bolsonaro encenando o doentio "tesouraço" (Vitor Salles/Divulgação)

Após tratar Milei como referência, em São Paulo, candidato da extrema direita fugiu do debate na TV Bandeirantes que planeja seguir o doentio rumo ultraneoliberal que afundou a Argentina. Lula condenou a subserviência ao estrangeiro, os abusivos cortes nas áreas sociais, empregos e direitos, além do programa de arrocho salarial do país vizinho

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou do candidato Flávio Bolsonaro, durante o debate na Band, na noite de domingo (18), as razões de se inspirar no mandatário argentino Javier Milei, e alertou para o peso insuportável da conta social que o eleitor terá de pagar caso o país trilhe o receituário neoliberal que afundou o país vizinho.

“Eu só quero saber se você vai seguir este modelo. A tua mulher da economia fala que o Milei é o modelo, a motosserra do Milei. Você sabe quanto é que está a pobreza da Argentina? O desemprego? Você tem acompanhado a economia da Argentina? Se não, leia, para você nunca mais dizer que vai acompanhar o Milei”, afirmou Lula. E reiterou: “Você vai escolher o modelo do Milei. Vai pegar a motosserra dele emprestada?”

Flávio tentou fugir pela tangente, deixando clara sua posição. Como explicitou recentemente sua coordenadora econômica, Daniella Marques, o plano do insano senador se inspira nas reformas de Milei, que prevê a revogação de mais de mil normas infralegais e o envio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) – instrumento legislativo usado para modificar o texto da Constituição Federal de 1988 – de colossal corte de “gastos” entre as primeiras medidas.

Ao longo da campanha, o moleque de recados de Trump fez questão de adotar como símbolo um “tesouraço” nos investimentos públicos, empunhando o corte como a versão abrasileirada da “motosserra de Milei”. Na convenção do PL, o próprio argentino propagandeou que o filho de Bolsonaro é a única saída para o Brasil.

POBREZA E INDIGÊNCIA CRESCERAM NA ARGENTINA

Conforme o Instituto Nacional de Estatística e Censos da Argentina (Indec), 32,3% da população está abaixo da linha de pobreza na primeira metade deste ano, considerando 31 aglomerados urbanos. O número representou um aumento de 4,1% pontos percentuais em relação ao segundo semestre de 2025. São cerca de 9,7 milhões de pessoas abaixo da linha de pobreza nas áreas urbanas pesquisadas, 2,25 milhões delas em extrema pobreza. A indigência subiu de 6,3% para 7,5%. A renda média das famílias argentinas cresceu 11,5%, mas a cesta básica que define a linha de pobreza subiu quase 20%. Passados três anos da posse, os salários médios seguem abaixo, em termos reais, do nível de dezembro de 2023.

No emprego, o quadro é igualmente tétrico. O desemprego subiu para 7,9% no segundo trimestre de 2026, e o emprego formal privado caiu por 13 meses seguidos. Segundo o portal de notícias de negócios, economia, finanças e política Bloomberg, o país vizinho perdeu 246 mil empregos formais no setor privado, cerca de 4% do total, desde que Milei assumiu. Um levantamento aponta que o número de empregadores caiu de 512.357, em novembro de 2023, para 480.067 em julho deste ano, cerca de 32 mil empresas a menos.

DESGOVERNO MILEI REDUZIU O NÚMERO DE MINISTÉRIOS PELA METADE

Em dezembro de 2023, já no primeiro dia de mandato, o presidente argentino assinou um decreto que reduziu o número de ministérios pela metade, cortando as pastas estatais de 18 para tão somente nove. De cara, foram extintos ou rebaixados a “secretarias”: Educação; Trabalho; Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; Ciência, Tecnologia e Inovação; Cultura; Mulheres, Gênero e Diversidade; Turismo; Esporte; e Desenvolvimento Territorial e Habitacional. Um verdadeiro caos social.

Segundo dados divulgados em setembro de 2026 pelo próprio Ministério de “Desregulamentação”, o Estado eliminou, desde o começo da “gestão Milei”, mais de 77.500 empregos públicos, o equivalente a 21% dos postos de trabalho.

O número de aposentados despencou 53% desde 2024, e o bônus foi congelado em 70 mil pesos (míseros R$ 232,70). O setor previdenciário arcou com grande parte do pretenso “ajuste fiscal”, respondendo por cerca de 19,2% da redução de “gastos” do Estado. Ao mesmo tempo, os repasses a programas sociais — principalmente à Asignación Universal por Hijo (AUH), o Bolsa Família argentino) — sofreram uma redução real de 45,6%.

O contraste com o Brasil tem sido chave. Aqui, o desemprego de 5,3% no trimestre até agosto de 2026 é o menor para o período desde o início da série, em 2012. Lá, o tesouraço tem implicado em elevado custo social, com brutal arrocho sobre a renda dos aposentados e pensionistas e uma queda sem precedentes nos serviços públicos.

Flávio defende abertamente propostas que desvinculam os gastos mínimos com a educação e saúde, além de privatizações de “95% do Estado”. No campo trabalhista, propõe a necessidade de “regras mais flexíveis”. Eliminar a obrigatoriedade constitucional, flexibilizar direitos e reduzir o Estado, tudo em nome de uma pretensa “disciplina fiscal”, é precisamente o roteiro que conduziu os argentinos à asfixia atual.

“O BRASIL PODE VIRAR UMA ARGENTINA”, ALERTA LULA

Lula tem alertado que “o Brasil pode virar uma Argentina”, assinalando que a melhor maneira de reduzir a relação entre o déficit e a dívida pública é promover o crescimento econômico e incentivar a microeconomia, em vez de cortar gastos de programas voltados à população de menor renda, como propõem os neoliberais. Tem sublinhado que, se é para cortar, que seja dos ricos, num país tão desigual.

Em relação ao Fundo Monetário Internacional (FMI), Lula esclareceu em entrevista à TV Globo em outubro de 2026 que, ao assumir a Presidência em 2003, o Brasil devia US$ 30 bilhões, mas que conseguiu pagar essa dívida, acumular reservas internacionais e, posteriormente, inclusive emprestar recursos. Isso tudo enquanto a Argentina de Milei contraiu mais uma dívida bilionária, de US$ 20 bilhões.

A pergunta que o eleitor deve fazer no dia 25 é quem vai pagar a dor e a profundidade do fio da tesoura de Flávio Bolsonaro. A experiência vizinha tem demonstrado de quem são as costas – e as contas.

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