O ministro da Previdência, Wolney Queiroz, afirmou que não concorda com análises que apontam para a necessidade de uma nova reforma da Previdência, especialmente com o aumento da idade para a aposentadoria.
“Não concordo que haja necessidade de uma reforma”, disse Queiroz. “Nós estamos envelhecendo mais e isso pressiona a conta da Previdência, mas eu considero injusto que se olhe sempre para uma reforma da Previdência como se costuma fazer, olhando sempre para aumentar a idade ou aumentar a alíquota [de contribuição]”, afirmou o ministro em entrevista ao Jota, na última segunda-feira (27).
O ministro, inclusive, vê esse tipo de defesa como uma “crueldade”: “Acho isso muito cruel. Sou do Nordeste brasileiro, onde a expectativa de vida não é como a do Sul e do Sudeste. As pessoas não vivem tanto tempo”, disse. “É muito cruel [aumentar a idade mínima] para quem pega ônibus todos os dias, [leva] duas horas para ir para o trabalho, duas para voltar”, ressaltou.
As declarações de Queiroz vêm, inclusive, na contramão de algumas posições defendidas por outros membros do Governo Federal, como o ministro da Fazenda, Dario Durigan, que tem feito acenos à necessidade de contenção de despesas obrigatórias no Orçamento da União.
Wolney Queiroz concorda com a necessidade de mudanças no sistema da Previdência, mas, de acordo com ele, existem outras maneiras de contornar as dificuldades financeiras.
“Acredito que nós estaremos desafiados – todos nós, a inteligência brasileira – a construir soluções de Previdência que são reais, que nós precisamos ajustar e adequar. Mas sempre com o olhar de não penalizar aqueles que já vivem muito sofridos, que são os trabalhadores brasileiros”, disse.
“Todos nós aqui trabalhamos muitas horas, mas nós trabalhamos no ar-condicionado, de paletó e gravata, bem vestidos, graças a Deus, e nós sabemos que essa não é a realidade da maioria, de 99% dos trabalhadores brasileiros. Então é com eles que me preocupo”, disse.











