Nazista Gvir quer que as forças genocidas de Israel se encarreguem da tarefa macabra contra aqueles que para ele “não são pessoas” e que por isso “não deveriam viver”
O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, um dos mais sanguinários e provocadores da coalizão de criminosos de guerra encabeçada por Netanyahu, afirmou publicamente neste domingo (16) a necessidade do Estado sionista executar “entre 30 e 40 pessoas por noite na Faixa de Gaza”.
Realizada em um podcast de extrema direita, a conclamação explicitou a disposição do terrorismo de Estado como alternativa à redução das operações militares, determinada pelo próprio governo israelense sob pressão internacional.
Conforme Ben-Gvir, os alvos não deveriam se limitar a pessoas que representassem ameaça imediata – critério que, por si só, já banaliza a morte de civis como instrumento do extermínio em curso. Fazendo uso da linguagem macabra da desumanização, o ministro enfatizou que “há pessoas lá que não são dignas de viver. Elas não deveriam estar vivas. Elas nem sequer são pessoas”.
Como se não bastasse, na mesma entrevista, Ben-Gvir defendeu a expulsão em massa da população palestina de Gaza e a construção de assentamentos israelenses em todo o território, algo que classificou como “nosso”.
Integrante do primeiro escalão do governo de Bibi Netanyahu, o ministro propôs ainda que os palestinos rotulados pelos sionistas como “terroristas” não tenham qualquer possibilidade de sobrevivência. Resultaria então apenas uma possibilidade: a de serem executados, “um por um”.
Diante deste ritual nazi-israelense – mortes diárias anunciadas como meta numérica, colonização declarada como projeto e bestificação como discurso oficial – o papa Leão XIV se insurgiu no mesmo domingo, com palavras que ganham um peso ainda mais urgente.
PAPA EXIGE O FIM DA VIOLÊNCIA CONTRA O POVO PALESTINO
Após a oração do Angelus, realizada em Castel Gandolfo, o pontífice renovou seu chamado pelo fim da violência contra a população civil palestina, focando na Cisjordânia, onde comunidades como a vila de Qusra vêm sendo cercadas por colonos que cortaram água e eletricidade de famílias inteiras. “Renovo o meu apelo para que cessem os repetidos atos de violência contra a população civil palestina”, voltou a defender Leão XIV, enfatizando a necessidade da “urgência” a fim de garantir o avanço da Solução de dois Estados rumo a “uma paz justa e duradoura”.
O abismo entre os dois pronunciamentos não poderia ser mais eloquente. De um lado, um ministro de Israel propondo cotas diárias de mortes de palestinos e o apagamento de uma população do mapa. Do outro, a mais alta autoridade da Igreja Católica pedindo, mais uma vez, pelo fim da violência e que o direito internacional, sistematicamente ignorado pelos sionistas nos assentamentos considerados ilegais pela Organização das Nações Unidas (ONU), seja finalmente respeitado.
Obviamente, a fala de Ben-Gvir não representa um episódio isolado nas décadas de política de Israel. Ela ocorre em meio à rejeição, pelo próprio governo Netanyahu, de um plano de paz apoiado por países como Egito, Jordânia, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Arábia Saudita, Turquia e Indonésia – países que, no mesmo fim de semana, condenaram publicamente essa recusa. Infelizmente, no momento que parte do mundo árabe e muçulmano se mobiliza por um caminho negociado, um integrante do governo israelense propõe, abertamente, intensificar o genocídio.
Declarações como as de Ben-Gvir deveriam provocar reação imediata da comunidade internacional, com consequências diplomáticas concretas – mas o aval de Trump blinda a expansão do território ilegal e assegura a impunidade à matança. Ou seja, ao mesmo tempo naturaliza o discurso e abre caminho para que se torne um prática cada vez mais permissiva.
A exortação do Papa reafirma o que deveria ser óbvio: que vidas não poderão jamais ser metas a serem cumpridas por noite – com tanques, bombas e drones avançando sobre os cadáveres de crianças, mulheres e idosos -, e que a paz, fruto da Resistência Palestina e dos povos do mundo inteiro configuram a única saída moralmente admissível.











