Ministro israelense posta vídeo onde agride ativistas da Flotilha humanitária que se dirigia a Gaza

Ministro Gvir ostenta bandeira de Israel diante de ativistas mantidos de joelhos e algemados (Ilaria Salis -X)

O ministro da Segurança Nacional de Israel, Ben Gvir, não teve vergonha de divulgar um vídeo nesta quarta-feira (20) mostrando-se no comando à agressão dos participantes da “Flotilha Global Sumud” sequestrados em águas internacionais e detidos em Israel.

As imagens mostram os ativistas humanitários que levavam medicamentos e alimentos a Gaza ajoelhados, com as mãos amarradas atrás e com as cabeças voltadas ao chão.

O fascista Gvir grita com os presos, de olhos vendados, em hebraico: Bem-vindos! Somos os donos da casa! E grita ainda a um dos presos: “O povo de Israel vive”. Depois de toda essa encenação durante a agressão, os presos são obrigados a ouvir, ainda de joelhos, o hino de Israel.  

A legenda diz: “É assim que recebemos os apoiadores do terrorismo”.  Depois, Gvir aparece com um sorriso debochado enquanto observa uma mulher sendo agredida depois de expressar “Palestina Livre!”.

Em seguida, Ben Gvir aparece acenando com a bandeira israelense e dizendo aos soldados: “Não se impressionem com os gritos deles”.

A barbaridade gerou forte reação internacional nesta quarta-feira (20). Irlanda, Espanha, França, Itália e Indonésia condenaram o tratamento dado aos ativistas e convocaram representantes governamentais israelenses exigindo explicações.

A ministra das Relações Exteriores da Irlanda, Helen McEntee, afirmou estar “consternada e chocada” com o vídeo e denunciou o que chamou de detenção ilegal dos participantes irlandeses da flotilha, entre eles Margaret Connolly, irmã da presidente irlandesa Catherine Connolly. Para a diplomata, os detidos “não estão sendo tratados com a dignidade ou o respeito apropriados”, e sua libertação imediata é considerada prioridade pelo governo de Dublin.

“TRATAMENTO É MONSTRUOSO, INDIGNO E INUMANO”

Na Espanha, o ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares, classificou o tratamento dos militantes como “monstruoso, indigno e inumano”, exigiu desculpas públicas de Israel e anunciou a convocação urgente da encarregada de negócios israelense em Madri. O diplomata afirmou que os cidadãos espanhóis que estavam entre os detidos foram expostos a condições que violam padrões mínimos de respeito humanitário.

Em comunicado conjunto, a primeira-ministra Giorgia Meloni da Itália e o ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, afirmaram que o episódio “fere a dignidade humana”, classificaram como “inadmissível” o tratamento dado aos ativistas, entre eles diversos cidadãos italianos, e anunciaram medidas imediatas para obter a libertação dos italianos detidos. Roma também exigiu desculpas formais e convocou o embaixador israelense para prestar esclarecimentos.

VIDEO COMPROMETE A RELAÇÃO BILATERAL

A França seguiu a mesma linha e convocou o embaixador israelense. Para Paris, a divulgação das imagens por um membro do governo israelense ultrapassa limites diplomáticos e compromete a relação bilateral num momento de forte sensibilidade internacional. O ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot, afirmou que o comportamento “inadmissível” de Ben Gvir exige explicações formais.

A Indonésia, que confirmou a detenção de nove de seus cidadãos, incluindo dois jornalistas do jornal Republika, pediu a libertação imediata de todos os participantes e dos navios apreendidos. O governo indonésio afirmou que os detidos estavam em missão humanitária e que sua remoção forçada para território israelense ocorreu contra a vontade dos tripulantes.

Segundo os organizadores da flotilha, 50 embarcações haviam partido da Turquia com o objetivo de entregar ajuda humanitária ao território palestino, devastado por dois anos de guerra e por uma trégua frágil em vigor desde outubro de 2025.

As forças israelenses interceptaram os barcos na segunda-feira (18), ao largo de Chipre, e iniciaram o transporte dos 700 participantes para o porto de Ashdod, no sul de Israel. Segundo o Ministério das Relações Exteriores israelense, todos foram transferidos para navios militares e conduzidos ao país durante a madrugada de terça para quarta-feira. Uma ONG de defesa de direitos humanos, Adalah, afirmou que alguns já haviam chegado ao porto e estavam detidos em instalações israelenses.

ISRAEL DESRESPEITA A TRÉGUA O TEMPO TODO

A flotilha incluía legisladores, médicos, jornalistas e ativistas de direitos humanos. De acordo com os organizadores, cerca de 100 médicos estavam a bordo, juntamente com uma embarcação médica que transportava equipamentos e suprimentos urgentes para o setor de saúde em colapso de Gaza.

O episódio ocorreu meses depois de outra flotilha ter sido interceptada em abril, nas águas internacionais próximas à Grécia. Na ocasião, a maioria dos ativistas foi expulsa para países europeus, enquanto dois foram levados a Israel, detidos por vários dias e posteriormente deportados.

Um deles, o brasileiro Thiago Ávila, denunciou tortura e interrogatórios persistentes durante sua detenção.

A repetição das tentativas de romper o bloqueio evidencia a persistência de redes internacionais de solidariedade a Gaza e a crescente pressão sobre Israel para permitir maior fluxo de ajuda humanitária.

A Faixa de Gaza, sob bloqueio israelense desde 2007, enfrenta escassez crônica de alimentos, medicamentos e bens essenciais. Durante a guerra, Israel interrompeu completamente o envio de ajuda em diversos momentos, agravando a crise humanitária. A trégua teoricamente iniciada em outubro de 2025 reduziu a intensidade dos combates, mas é permanentemente furada e desrespeitada pelo governo genocida de Netanyahu, e continua dependente de corredores humanitários intermitentes.

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