O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) acionou a Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol) para obter informações sobre o histórico do missionário norte-americano preso após confessar ter espancado e assassinado o próprio filho, de 3 anos, em Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre. A criança morreu na madrugada de quinta-feira (9), em decorrência das agressões.
O menino havia sido levado ao hospital no último domingo (5) pelo próprio pai, Dandre Jermaine Grayson, de 33 anos. Preso desde então, o missionário confessou o crime em depoimento à Polícia Civil e afirmou que agrediu o filho porque a criança não lhe deu “bom dia”. Segundo a delegada Luana Tamiozzo Medeiros, substituta da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) e responsável pela investigação, o homem relatou ter desferido socos no peito e no abdômen do menino, além de bater a cabeça da vítima contra o chão.
Além da criança morta, a família é composta pela mãe, Mayanna Angelina Rodgers, presa na quinta-feira (9), e outros cinco filhos. De acordo com as investigações, pelo menos quatro crianças, com idades entre 5 e 9 anos, também teriam sido vítimas de agressões semelhantes. A situação de um bebê de 1 ano ainda está sendo apurada e, até o momento, não há confirmação de que ele tenha sofrido violência.
Segundo a subprocuradora para Assuntos Institucionais do MPRS, Alessandra Moura Bastian da Cunha, o objetivo do contato com a Interpol é verificar se Dandre já era investigado ou possuía antecedentes criminais em outros países, especialmente nos Estados Unidos. A Polícia Civil também informou que a família já residiu nos estados de São Paulo e Santa Catarina antes de se estabelecer em Viamão, onde há registros relacionados ao caso.
A subprocuradora afirmou que o Ministério Público só tomou conhecimento da situação quando a criança deu entrada no hospital. Agora, o órgão busca esclarecer toda a extensão da violência praticada no ambiente familiar. Entre as linhas de investigação está a apuração sobre o possível uso de algum objeto durante as agressões que provocaram a morte do menino.
O MPRS também identificou indícios de agressões contra os irmãos mais velhos da vítima e solicitou prontuários médicos de hospitais das cidades por onde a família passou, para verificar se havia registros anteriores de maus-tratos.
“Existem informações de agressões anteriores em relação às crianças, às três mais velhas. Está se solicitando prontuários médicos dos hospitais de todas as cidades pelas quais eles passaram, para que se verifique a dimensão dessa situação, que, por alguma razão, provavelmente em razão das mudanças frequentes da família, acabou não sendo investigada em toda a sua integralidade”, afirmou Alessandra Moura Bastian da Cunha.











