Multidões nos EUA ocuparam as ruas em defesa do voto e contra sabotagem de Trump à eleição

Manifestação em Denver, Colorado, contra o governo de Trump (foto: Andrew Fraieli/Newsline)

“Proteja seu voto”: por todo os Estados Unidos, em quase 3 mil localidades, de costa a costa, o movimento “No Kings” [Nenhum Rei], tomou as ruas no sábado (17), chamando a população a ir votar em 3 de novembro e derrotar Trump e a inflação que a guerra contra o Irã e seus tarifaços trouxeram, bem como sua manifesta intenção de minar o direito de voto e fraudar as eleições. As maiores manifestações foram em Nova Iorque, Washington e San Francisco.

Milhões já participaram nesses dois anos das mobilizações “No Kings”, que tiveram início no dia 14 de junho de 2025, quando Trump fez um desfile militar para comemorar seu próprio aniversário, a pretexto dos 250 anos da independência; continuaram com milhões contra a perseguição aos imigrantes em outubro daquele ano; e em março haviam alcançado 8-9 milhões em repúdio ao autoritarismo, à guerra de escolha contra o Irã e à alta da gasolina e dos alimentos.

Neste outubro, ainda não há um quadro geral sobre a capilaridade do protesto, porque a Meta tirou do ar o instagram do “No Kings” por 90 minutos e no resto do sábado impediu que os organizadores realizassem postagens no canal, e depois deu uma desculpa esfarrapada de que foi um “engano” do algoritmo por excesso de acessos. (Fenômeno também percebido nas bandas de cá, com o favorecimento do boneco de Trump, Flávio Rachadinha, e prejuízo à divulgação do presidente Lula).

A organizadora Leah Greenberg escreveu que “essa desculpa não bate com os fatos”, acrescentando que o movimento iria “aguardar uma explicação detalhada do que aconteceu aqui e como a Meta tomará medidas para garantir que isso não aconteça novamente.”

O senador democrata Chris Murphy considerou “ultrajante” a suspensão da conta do “No Kings” pela Meta e se comprometeu a “colocar isso na lista de investigação de janeiro” caso os democratas retomem o controle do Congresso.

Esse trabalho de esclarecimento e de organização para ir votar é ainda mais urgente nos EUA, onde não existe uma justiça eleitoral independente e é o partido no poder em cada local que organiza o processo eleitoral. E cujo dia de eleição é numa terça-feira, dia útil, dificultando o exercício da cidadania. Como forma de minorar esses entraves foram surgindo formas como o voto antecipado pelo correio, para garantir uma participação maior dos eleitores que, aliás, precisam a cada eleição, de dois em dois anos, se registrar para votar. Sem falar que Trump, sempre que perde, diz que foi fraude.

A sabotagem à verdade eleitoral também ocorreu através da alteração dos distritos eleitores, de forma a inviabilizar candidatos, utilizando o controle do parlamento estadual, o chamado “gerrymanding”, o que começou no Texas. E de decisões da Suprema Corte considerando que a minoria negra já não precisa da proteção concedida por Lyndon Johnson atendendo a Martin Luther King.

VOTE OUT MAGA

Nos atos desse sábado, cartazes e faixas com dizeres como “defenda a democracia: vote”, “os imigrantes construíram a América” e “vote out MAGA” [vote pra fora o MAGA]. 

Ao USA Today, um dos organizadores do protesto, Ezra Levin, do grupo Indivisible, disse que a mobilização se explica porque “levamos a sério o que Trump disse repetidas vezes, que pretendia sabotar esta eleição”.

“Como evitar a sabotagem de uma eleição com as ferramentas que temos disponíveis? Bem, votando como loucos”, enfatizou, acrescentando que o objetivo é gerar uma taxa de participação alta o suficiente para superar qualquer tentativa de lançar dúvidas sobre os resultados.

Além de seguir semeando dúvidas sobre a integridade da votação, Trump também ameaça despachar sua Gestapo anti-imigrantes para os locais da votação para intimidar eleitores. Já chegou a cogitar apreender cédulas para “verificar” se não foram emitidas por estrangeiros sem direito a voto – apesar de o fenômeno, historicamente, quase inexiste.

Trump até mesmo tentou aliciar eleitores, a quem prometeu US$ 5 mil caso seu partido não perca o controle do Congresso.

Na eleição, as 535 cadeiras da Câmara dos Representantes estão em disputa, bem como um terço das 100 cadeiras do Senado, com a maioria das pesquisas apontando que os democratas deverão retomar o controle da Câmara. O Senado deverá ser decidido em seis estados, Michigan, Maine, New Hampshire, Geórgia, Ohio e Texas.

APROVAÇÃO DE TRUMP NO MENOR NÍVEL DO MANDATO

A aprovação do presidente Trump caiu para 31%, o menor índice desde o início de seu atual mandato, segundo pesquisa Reuters/Ipsos divulgada na segunda-feira (19). Uma queda de um ponto percentual em relação a duas semanas antes.

Na intenção de voto para o Congresso, a vantagem dos democratas é de 12 pontos percentuais sobre os republicanos, a maior já registrada neste ciclo eleitoral. 47% dos eleitores registrados afirmaram que votariam no Partido Democrata e 35% nos republicanos, caso as eleições legislativas fossem realizadas hoje.

A pesquisa foi realizada pela internet e ouviu 1.679 adultos nos EUA, sendo 1.279 eleitores registrados. A margem de erro é de dois pontos percentuais para o conjunto dos entrevistados e de três pontos para os eleitores registrados.

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