“Nenhuma potência vai ditar na nossa pátria”, diz Sheinbaum no Dia da Independência do México

Claudia Sheinbaum, presidente do México, foi aclamada pela multidão no Zócalo (Especial)

Presidente mexicana encerrou jornada pelos 31 estados neste domingo diante de uma multidão de mais de 200 mil pessoas na praça do Zócalo, na capital, reafirmando seu compromisso em fazer um “governo próximo do povo, independente e soberano”

“O México é um país independente e soberano”, afirmou a presidente Claudia Sheinbaum, aclamada por mais de 200 mil compatriotas que se somaram neste domingo na Praça do Zócalo, na capital, para participar da comemoração do aniversário da conquista da libertação do país – ocorrida em 27 de setembro de 1821.

Encerrando uma jornada na qual percorreu, em 12 dias, os 31 estados, reunindo nas diversas assembleias populares um total de mais de 850 mil mexicanos, a presidente Claudia Sheinbaum enfatizou que “nenhuma potência estrangeira, nenhuma elite econômica ou política tem o direito de ditar o presente e o futuro de nossa pátria”, reiterando que essa decisão “pertence exclusivamente ao povo do México”.

A frase não surgiu do nada. Em maio, na celebração da Batalha de Puebla, Sheinbaum já havia usado o simbolismo da vitória de 1862 sobre as tropas francesas para alertar contra as atuais tentativas de interferência estadunidense. Agora, ao fechar a jornada pelo território nacional, a presidente levou o mesmo argumento ao coração simbólico do país, a praça onde se encontram o poder político e a memória da independência.

“COMPROMISSO DE PRESTAR CONTAS EM PRAÇA PÚBLICA”

Conforme Sheinbaum, seu governo, surgido de um “movimento social”, tem o compromisso de fortalecer “um governo próximo do povo” que “vai sempre prestar contas em praça pública”.

O discurso ligou a soberania à justiça social, associando a agenda de seu governo a Hidalgo, Morelos e Guerrero, apresentando a defesa da autonomia nacional e a justiça social como eixos de transformação. Defender o México, assinalou, não se resume a proteger fronteiras ou a rechaçar pressões externas. Passa também por garantir direitos e benefícios à população, com investimentos em programas sociais, saúde e transporte. É a lógica da chamada Quarta Transformação, movimento do qual ela faz parte: um Estado que se apresenta cada vez mais próximo do povo e que trata a independência como tarefa permanente, não como efeméride.

“Em todos os momentos em que esse senso de justiça e de pátria foi traído, o povo sai em sua defesa”, frisou a presidente, refletindo sobre os conceitos fundamentais que orientam seu governo, que entende a democracia “como o governo do povo, pelo povo e para o povo do México”, em contraposição à “democracia das elites do passado”. Por isso, acrescentou, não cabe “intervencionismo nem violação de nossa territorialidade”.

Além disso, a líder defendeu uma “liberdade com bem-estar” e equiparou a justiça social à premissa de “moderar a opulência e a indigência”, concretizada hoje no lema “pelo bem de todos, primeiro os pobres”. As declarações foram feitas no evento intitulado “Honestidade e Resultados”, para informar a população após quase dois anos de gestão da primeira mulher a ocupar a Presidência.

A chefe de Governo, Clara Brugada Molina, agradeceu a determinação e o compromisso de Sheinbaum. “Em um mundo onde sopram ventos de ódio e ressoam novamente tambores de guerra, onde a ultradireita avança e o fascismo ressurge, a liderança de nossa presidenta é uma referência democrática internacional. Temos a melhor presidenta do mundo!”, concluiu Clara.

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