Nova secretária de Política Econômica da Fazenda defende corte da Selic

Débora Freire, titular da Secretaria de Política Econômica - MF. (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

Para Débora Freire, famílias e empresas estão se endividando com “crédito muito caro e condições ruins”

A nova secretária de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Débora Freire, afirma que as ações do governo para conter a alta do petróleo no mercado internacional e seu impacto nos combustíveis abrem espaço para que o Banco Central (BC) possa continuar a reduzir a taxa Selic (taxa básica de juros), hoje nos insustentáveis 14,75% ao ano.

“É importante entender também que nós estamos diante de um choque de oferta, e os juros, nesse caso, podem não ser um instrumento efetivo – na verdade, não são um instrumento efetivo”, disse Freire, em entrevista ao Valor Econômico.

A disparada do preço do barril de petróleo internacional – gerada pela agressão dos EUA contra o Irã – tem efeitos distintos sobre a economia, avalia a secretária. Contudo, Débora Freire considera que não há necessidade de medidas adicionais. Ela também avalia que a alta de alimentos registrada em março se deu por questões sazonais.

Sobre as medidas relacionadas ao alto endividamento de famílias e empresas, como um novo programa de renegociação de dívidas ou liberação de FGTS para quitação de débitos, por exemplo, Débora Freire afirma que as famílias e empresas “estão se endividando hoje fora dos programas atuais, com crédito muito caro, com condições ruins”.

O objetivo “é diminuir a pressão que elas têm atualmente que está muito elevada” , diz a secretária, ao ressaltar que tais medidas podem liberar “um pouco de renda disponível, mas a gente entende que nesse processo de desaceleração [econômica] esse efeito é bem-vindo”. 

A nova secretária de Política Econômica do Ministério da Fazenda também destaca que essas medidas não devem gerar pressões inflacionárias.

“Esse é o ponto. A gente não acredita que, neste momento, tenha uma questão de inflação de demanda. Um alívio de renda para as famílias não geraria uma pressão, porque, neste momento, os vetores inflacionários, até, inclusive, o viés altista em relação à inflação, está muito mais relacionada à oferta, com o preço do petróleo, com a crise no Oriente Médio, do que a fatores de demanda”.

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