ONU inaugura exposição fotográfica sobre o cinquentenário da luta de resistência saarauí

O trabalho do fotógrafo saarauí Adad Ammi registra a vida de famílias deslocadas desde a retirada da Espanha do antigo Saara Espanhol

“50 Anos, 50 Rostos: Exílio Saarauí – Uma Vida de Resiliência” traz imagens e testemunhos da luta contra a criminosa ocupação pelo reinado do Marrocos

A Organização das Nações Unidas (ONU) inaugurou em sua sede, em Nova Iorque, na última segunda-feira (26), a exposição fotográfica “50 Anos, 50 Rostos: Exílio Saarauí – Uma Vida de Resiliência”, com testemunhos de pessoas nascidas em campos de refugiados (como os de Tindouf, no sudoeste da Argélia) ou forçadas ao exílio ao longo de meio século de ocupação e resistência.

A exibição foi programada para coincidir com as discussões e deliberações do Conselho de Segurança da ONU sobre a renovação do mandato da Minurso (Missão das Nações Unidas para o Referendo no Saara Ocidental). Criada em 1991, a Minurso nunca realizou a consulta prevista.

Em fevereiro de 1976, a Frente Polisário proclamou a República Árabe Saarauí Democrática (RASD), enquanto o reino do Marrocos invadiu e passou a administrar ilegalmente a maior parte do território, com o apoio dos Estados Unidos e de Israel. A mostra tem sido valorizada para mobilizar e conscientizar o mundo sobre a necessidade da autodeterminação por meio de referendo, posição que vem sendo constantemente adiada pelos invasores.

O trabalho do fotógrafo saarauí Adad Ammi registra a vida de famílias deslocadas desde a retirada da Espanha do antigo Saara Espanhol, com retratos estampando escolas improvisadas, mercados, o trabalho das mulheres na administração dos acampamentos e a transmissão da cultura e da língua entre gerações.

“O projeto combina fotografia, memória pessoal e depoimentos históricos para mostrar a dimensão humana de um deslocamento prolongado e de um processo de descolonização que permanece sem solução”, assinala a campanha “Não te esqueça do Saara Ocidental”.

Segundo os organizadores, aproximadamente 173.000 pessoas permanecem nos acampamentos, onde várias gerações mantiveram sua identidade, sua dignidade e suas aspirações de autodeterminação. “Cinquenta anos de exílio não devem significar cinquenta anos de invisibilidade”, assinalam.

Conforme Ahamed Mulay Ali Hamadi, embaixador representante da Frente Polisário no Brasil, o relatório do secretário-geral da ONU que trata extensamente do direito do povo saarauí à autodeterminação é um direito consagrado na Carta das Nações Unidas e respaldado por sentenças e pareceres jurídicos do Tribunal de Haia, do Tribunal de Justiça da União Europeia, da Corte Africana de Justiça e até mesmo da justiça espanhola. “No entanto, do outro lado, temos Trump e seus aliados no Conselho de Segurança empenhados em deixar tudo isso de lado, tentando vender o Saara ao Marrocos, já que o rei do Marrocos também está disposto a vender a Palestina a Israel. De nossa parte, estamos decididos a seguir em nossa luta de resistência até a vitória final”, frisou.

Para Ahmed, a solidariedade internacional tem papel chave neste momento em que há uma situação extremamente degradante vivida na zona ocupada pelo Marrocos, onde praticamente não se respeitam os direitos humanos. “Lá a polícia e o exército marroquinos tratam os saarauís de maneira horrível, com desaparecimentos, perseguições e torturas”, sublinhou.

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *