Paes denuncia corrupção de Douglas Ruas: “Não aguentamos outro Witzel, Castro ou Bacellar”

Eduardo Paes durante comício com Lula no Rio de Janeiro - Foto: Ricardo Stuckert

O candidato ao governo do Rio de Janeiro Eduardo Paes (PSD) questionou o adversário Douglas Ruas (PL) nas redes sociais sobre o crescimento do patrimônio de empresas ligadas ao deputado estadual. Na publicação, Paes chamou Ruas de “jovem político milionário”, afirmou que ele nunca teria exercido outra atividade além da política e questionou a origem dos milhões acumulados por sua empreiteira.

“Jovem político milionário! Nunca fez outra coisa na vida que não política empurrado pelo papai!”, escreveu Paes. Na sequência, afirmou que Ruas teria se afastado politicamente do ex-governador Cláudio Castro e questionou como o candidato teria acumulado seu patrimônio.

“Nega o padrinho Claudio Castro e é incapaz de explicar como acumulou tantos milhões com sua empreiteira! Aliás, simplesmente não nega e nem explica”, publicou.

Na publicação, Eduardo Paes relacionou ainda Douglas Ruas ao grupo político de Cláudio Castro e citou os ex-governadores Wilson Witzel e Cláudio Castro, além do ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar. “O povo fluminense não vai ser enganado pela terceira vez! Não aguentamos outro Witzel e outro Castro com pitadas de Bacelar!”, escreveu.

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) mantém uma investigação sobre empresas ligadas a Douglas Ruas. O procedimento foi instaurado após uma denúncia anônima e apura o que o MPRJ classificou como um crescimento patrimonial e financeiro abrupto da Saur Construção, Terraplanagem e Locação e da DM Invest Consultoria e Participações, empresas nas quais Ruas possui vínculo societário.

Segundo a investigação, o crescimento das empresas teria ocorrido no mesmo período da ascensão política de Douglas Ruas e de seu pai, Capitão Nelson, prefeito de São Gonçalo. O procedimento investiga suspeitas de organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro e crimes licitatórios. A apuração tramita sob sigilo no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

O MPRJ identificou movimentações imobiliárias envolvendo a Saur. Entre 2023 e 2025, a empresa realizou operações de compra e venda de imóveis que, segundo os documentos da investigação, movimentaram mais de R$ 12 milhões. Três imóveis adquiridos pela empresa, localizados em Duque de Caxias e São Gonçalo, somaram R$ 7,4 milhões.

Um dos imóveis em São Gonçalo também entrou no radar da investigação por envolver a Saur e a Normandia Empreendimentos e Participações, empresa ligada ao deputado federal Altineu Côrtes (PL), presidente estadual do partido. Como Altineu possui foro por prerrogativa de função, o caso foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República para avaliar se existe algum fato relacionado ao parlamentar que deva ser analisado pelo Supremo Tribunal Federal.

A investigação também incorporou informações de uma auditoria realizada pelo governo do Rio sobre contratos firmados durante o período em que Douglas Ruas comandou a Secretaria Estadual das Cidades, na gestão de Cláudio Castro. A auditoria identificou contratos que somam R$ 702 milhões com consórcios liderados pela FP Vieira Engenharia. Em um dos contratos, a empresa subcontratou a Mineração Santa Edwiges, ligada à família de Altineu Côrtes.

O Ministério Público chegou a solicitar à Procuradoria-Geral do Estado informações sobre possíveis pagamentos do governo do Rio à Saur e à DM Invest. Segundo a apuração, a PGE informou posteriormente que não encontrou pagamentos feitos pelo governo estadual às duas empresas.

Douglas Ruas confirmou que possui vínculo com as empresas investigadas e afirmou que confia no trabalho do Ministério Público. O candidato disse que ainda não havia sido notificado para prestar esclarecimentos e afirmou que um procedimento anterior envolvendo os mesmos fatos havia sido arquivado. Ruas também declarou que considera as acusações ataques políticos contra sua candidatura e afirmou nunca ter respondido a processo criminal.

Altineu Côrtes afirmou que a Mineração Santa Edwiges nunca forneceu serviços ou produtos à Secretaria Estadual das Cidades ou a qualquer outro órgão público. Segundo ele, a empresa atua no mercado privado e pratica preços abaixo da tabela do Tribunal de Contas do Estado. O deputado também afirmou que o terreno mencionado na investigação foi adquirido por empresas privadas antes de Douglas Ruas assumir a Secretaria das Cidades e que nenhuma obra da secretaria foi realizada no local. 

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