O debate entre os três candidatos mais bem posicionados nas pesquisas para o governo do Paraná — Requião Filho (PDT), Sandro Alex (PSD) e Sergio Moro (PL) — realizado na noite de terça-feira (29) pela RPC, afiliada da Rede Globo no Estado, colocou em discussão problemas que afetam diretamente a população, como a situação da educação, da saúde pública, da infraestrutura e a qualidade dos serviços prestados pelas empresas privatizadas.
O deputado Requião Filho (PDT) concentrou suas intervenções em críticas à gestão de Ratinho Jr. (PSD) e apresentou propostas para áreas como educação, saúde, combate à violência contra a mulher e desenvolvimento econômico.
Na educação, o candidato criticou o modelo de escolas cívico-militares adotado pelo governo estadual e apontou a falta de investimentos nas escolas do campo e a falta de liberdade dos professores. “A minha proposta para educação é a volta da alegria para a sala de aula, com ensino técnico adaptado às demandas regionais”, afirmou.
Requião Filho também contestou a afirmação de que a educação paranaense estaria entre as melhores do país. “Educação de verdade valoriza o professor e o aluno. Paguem o salário aos professores. Hoje, a maioria dos professores no Paraná são PSS [Processo Seletivo Simplificado]”, rebateu.
Na área da saúde, o candidato afirmou que “no atual governo, mais do que dobrou a fila do transplante”. Também cobrou a entrega de hospitais prometidos e chamou atenção para a falta de profissionais para colocar as unidades em funcionamento. “Não tem concurso, não tem enfermeiro, não tem médico”, afirmou. O pedetista também destacou a importância dos recursos federais para a manutenção do atendimento no Estado.
Entre as propostas apresentadas estão a implantação de centros de hemodiálise e quimioterapia em cada hospital regional, além da realização de concursos públicos para a área da saúde. O candidato também criticou os gastos com terceirizações: “Terceirizar tem custado muito caro, e os resultados têm sido péssimos.”
A violência contra a mulher também entrou no debate. Requião Filho defendeu a criação de um Centro da Mulher, inspirado na Casa da Mulher Brasileira, reunindo atendimento policial especializado, apoio psicológico e acolhimento às vítimas. Também citou a criação de linhas de crédito para mulheres empreendedoras e a proposta de imposto zero para micro e pequenas empresas. “A gente não quer cuidar da violência contra a mulher depois que ela aconteceu, a gente quer trabalhar na prevenção”, afirmou.
Na discussão sobre desenvolvimento econômico, o candidato defendeu o fortalecimento do Porto de Paranaguá, com melhores ligações rodoviárias e ferroviárias para facilitar o escoamento da produção e beneficiar produtores e a indústria. Também falou sobre a necessidade de reerguer a indústria paranaense e apoiar os produtores rurais.
O deputado criticou ainda o preço dos pedágios e o ICMS estadual, de 19,5%, além de questionar a condução da infraestrutura pelo atual governo.
A Copel apareceu na discussão sobre privatizações e o aumento da conta de luz. Requião Filho negou que pretenda reestatizar a companhia e defendeu que ela volte a atuar de acordo com os interesses do Estado. “Copel mista, como sempre foi, mas voltada ao interesse público”, afirmou.
APAGÕES CONSTANTES
Em suas redes, nesta semana, Requião já havia se manifestado sobre a situação da Copel. Entre os problemas apontados, destacou as dificuldades enfrentadas principalmente pelo setor agropecuário em razão das interrupções no fornecimento de energia e da demora no restabelecimento do serviço.
“87% do agro rejeita hoje a privatização da Copel, porque ela deixou os serviços mais caros, mais ineficazes, e tem causado um prejuízo enorme para o agro aqui no Paraná, com quedas de luz constantes que levam mais de 72 horas para voltar a energia no campo”, afirmou.
O candidato também relatou situações de municípios que, segundo ele, chegaram a ficar dias sem energia. “Tem cidade do Paraná que ficou seis dias num bairro sem luz porque a Copel não tem equipe”, disse.
Na sequência, criticou a redução do quadro de trabalhadores e dos investimentos da companhia, desde a privatização feita pelo governador Ratinho Jr. (PSD), em 2023: “A Copel demitiu a equipe, a Copel cortou custos, a Copel diminuiu o investimento no Paraná e a Copel aumentou, e muito, a tarifa de luz.”
Para Requião, os problemas no fornecimento atingem toda a economia paranaense. “Isso gerou um prejuízo para a nossa indústria, gerou um prejuízo para o nosso agro, gera prejuízo para as nossas empresas e tira dinheiro do bolso das famílias paranaenses.”
Ele também questionou o critério utilizado para avaliar o desempenho da companhia. “Eu não julgo uma empresa pública com um monopólio como a Copel pelo lucro que ela dá para fundos de pensão lá de Taiwan e da China. Eu julgo uma Copel pelo benefício econômico que ela traz para o meu agricultor, para o meu agro, para a minha indústria, para a minha empresa, para o povo paranaense.”
Os problemas de fornecimento se agravaram nos últimos dias após uma sequência de temporais no Paraná. Cerca de 106 mil unidades consumidoras chegaram a ficar sem energia no Estado. A região Oeste foi a mais atingida, com 50,1 mil unidades sem luz. A Copel informou que havia conseguido religar 58% dos clientes inicialmente atingidos e mantinha equipes mobilizadas para recompor a rede.
Em Umuarama, na região metropolitana de Curitiba, mais de 2,4 mil unidades consumidoras ainda estava sem energia elétrica nesta quarta-feira. O balanço foi divulgado pela própria Copel e corresponde a atualização das 7h30. Até ontem à noite eram 14,2 mil.
Mas as reclamações contra a companhia não se restringem aos efeitos dos temporais. Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) mostram que a Copel registrou 6.051 reclamações entre setembro de 2025 e agosto de 2026, uma alta de 110,4% em relação aos 12 meses anteriores. Foi o quarto maior aumento entre as 51 distribuidoras analisadas pela agência.
Entre os problemas relatados estão interrupções frequentes e prolongadas, oscilações de tensão e demora no religamento. O Sistema FAEP encaminhou ao Ministério Público estadual e ao Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União pedidos de investigação sobre as falhas no serviço.
Mesmo com o aumento das reclamações e os relatos de problemas no fornecimento, a tarifa da Copel subiu 20,51% desde 24 de junho. O Sistema FAEP criticou o reajuste, afirmando que os produtores passaram a pagar mais por uma energia que, segundo os relatos apresentados pela entidade, não chega com a qualidade esperada.










