Líderes dos partidos denunciam seletividade de André Mendonça e também rechaçam qualquer “ingerência” externa sobre o processo eleitoral: “quem decide o destino do Brasil é o povo brasileiro”, afirmou Jandira Feghali
Líderes partidários do Congresso Nacional reagiram ao que chamaram de “investigação” seletiva diante das últimas decisões monocráticas do ministro André Mendonça, agravadas, hoje (8), com afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial da instituição, Leandro Almada.
Em vídeo conjunto divulgado nas redes sociais, a líder do PCdoB na Câmara dos Deputados, Jandira Feghali (RJ), afirmou que “estamos aqui para fazer uma denúncia e também um alerta. A denúncia é de que está havendo parcialidade no Supremo Tribunal Federal por parte do ministro André Mendonça. O único candidato à PR envolvido nas denúncias do Banco Master é Flávio Bolsonaro e André Mendonça sentou em cima dessa investigação”.
A parlamentar acrescentou que “queremos a quebra do sigilo fiscal, bancário e telefônico do senhor Flávio Bolsonaro em cima dessa investigação e André Mendonça até agora não fez isso”, denunciou.
“Nós estamos a 30 dias das eleições e não vamos aceitar qualquer acordo, qualquer articulação que possibilite a parcialidade e a ingerência externa sobre as eleições brasileiras. Quem decide o destino do Brasil é o povo brasileiro com autonomia, independência, com a sua urna e o seu voto. Não aceitaremos qualquer acordo que envolva a ingerência de outra nação para influenciar na democracia brasileira”, acrescentou Jandira.
Já o líder do PT na Câmara dos Deputados, Pedro Uczai (SC), também pediu “transparência e isonomia nas investigações do Banco Master”, lembrando que foram R$ 72 milhões para financiar o filme Dark Horse, autobiográfico de Jair Bolsonaro. “Que André Mendonça investigue o filme . O povo brasileiro quer saber. Se o Flávio Bolsonaro não quer prestar contas, que o Judiciário preste contas e dê uma contribuição à democracia brasileira”, argumentou.
Uczai também ressaltou que “o povo tem que ser respeitado e decidir o seu destino e julgar democraticamente seu próprio futuro”.
Por sua vez, o deputado André Janones (MG), líder da Rede Sustentabilidade, na mesma linha de raciocínio, afirmou que “estamos aqui para exigir equidade, transparência, e que todos tenham o mesmo tratamento”.
“Nós não estamos aqui para fazer a defesa do Alexandre de Moraes ou para fazer a defesa de nenhum envolvido. Alexandre de Moraes, se estiver envolvido, que pague pelos crimes dele. Se não tiver envolvido, que prove a sua inocência. Agora, o que queremos é o mesmo rigor para investigar o dinheiro roubado que o Flávio Bolsonaro recebeu do Daniel Vorcaro. Tem áudio comprovando isso”, denunciou.
Janones questionou “o que levou André Mendonça a se encontrar com o banqueiro ladrão dentro de uma instituição privada, o instituto dele”, acrescentando que “todos devem ser tratados de forma igual para não repetir o que aconteceu em 2018 numa tentativa clara de interferir no processo eleitoral. Este ano, não vamos permitir que a história se repita”, finalizou.
O deputado Renildo Calheiros (PCdoB-PE), também foi incisivo: “nós queremos que a investigação seja feita com o máximo rigor. Não aceitamos investigação seletiva. Todo aquele a quem resta alguma suspeição ou alguma acusação importante, tem, sim, que ser investigado. Nós precisamos que essas questões sejam esclarecidas para aproveitarmos esse período de crise e darmos um passo adiante na consolidação da democracia e na melhora das instituições brasileiras”, sentenciou.











