O presidente em fim de mandato da Colômbia, Gustavo Petro, denunciou a existência de uma fraude no segundo turno das eleições presidenciais de junho, que teriam alterado os resultados para impor por uma margem estreita o candidato fascista Abelardo de la Espriella, abertamente apoiado por Trump.
Espriella, que fez fortuna como advogado do narcotráfico e dos esquadrões da morte e também tem dupla nacionalidade, sendo uma delas norte-americana, foi declarado vencedor por uma diferença de menos de 1% (250 mil votos), em uma eleição em que votaram mais de 26 milhões de pessoas.
Em declarações no Palácio Presidencial, na capital colombiana Bogotá, Petro afirmou na segunda-feira (03) que o país vive uma grave crise institucional.
“Estamos diante de uma fraude, um problema institucional profundamente grave, e trata-se da posse de um presidente ilegítimo. Toda a Constituição da Colômbia desmorona e somos uma colônia (…) isso coloca a Colômbia em sua pior crise de soberania nacional desde que a conquistamos com o exército de Bolívar”, ele afirmou.
FRAUDE ORGANIZADA DO EXTERIOR
Petro reiterou que o segundo turno foi marcado por uma “fraude eleitoral algorítmica, sistemática e em grande escala”, manipulando o sistema do computador, organizada do exterior para prejudicar o candidato antifascista, Iván Cepeda. O presidente cessante garantiu que “dinheiro estrangeiro e empresas estrangeiras” interferiram no resultado da votação.
Entre as acusações de Petro estão a falta de transparência no tratamento dos dados da contagem, a atuação dos Cartórios de Registro Civil e do Conselho Nacional Eleitoral, e o suposto descumprimento de uma decisão de 2018 do Conselho de Estado que determina a propriedade estatal do software eleitoral e que não esteja sujeito à manipulação por agentes externos ou privados.
O chefe de Estado assinalou que a principal irregularidade residiu na remoção dos elementos de segurança (códigos hash) dos formulários E-14 carregados no sistema. Ele explicou que os documentos em PDF acabaram se tornando arquivos editáveis após a conclusão da votação, violando tratados internacionais e leis nacionais.
“Os 120 mil documentos eleitorais não possuem o código de segurança (hash bloqueante) para impedir que sejam alterados. O responsável pelo registro eleitoral mentiu ao público quando disse que havia um código de segurança: trata-se simplesmente de um código para identificar cada formulário, não de um mecanismo para impedir modificações”, enfatizou ele.
Ele também se referiu às evidências que corroboram o trabalho de organizações da sociedade civil e de especialistas em programação, estatística e direito, documentando irregularidades no sistema de apuração eleitoral. O grupo de voluntários batizado “Frente Digital” identificou “1.350 postos de votação com padrões estatísticos que não corresponderiam a um comportamento aleatório da votação, afetando cerca de sete milhões de votos”. Ele afirmou que essas evidências estão sendo entregues às autoridades judiciais.
Petro denunciou estar sendo ameaçado por denunciar a fraude nas eleições. “Disseram-me para me portar bem”, afirmou, acrescentando que “como democrata”, não pode aceitar “esta fraude eleitoral”. Ele disse temer “ser retirado” da Colômbia, em referência ao sequestro do presidente venezuelano Nicolas Maduro e às ameaças a líderes cubanos e bolivianos.
Cepeda, o líder do Pacto Histórico, anunciou que não reconhecerá Espriella como presidente da Colômbia até que renuncie à dupla nacionalidade. Pela lei americana, ele é cidadão dos EUA.
“REJEIÇÃO POPULAR SERÁ MUITO GRANDE”
O mandatário também afirmou que “a rejeição popular às propostas do próximo governo será muito grande e pode provocar uma escalada da tensão política”. Ele advertiu sobre o que “pode vir a ser uma guerra civil na Colômbia”.
A posse de Espriella será nesta sexta-feira (07) em Cali, rompendo com a tradição centenária de realizar a posse em Bogotá, diante do Congresso. Cepeda e o Pacto Histórico convocaram protestos no dia da posse em Bogotá, Cali e Barranquilla.











