Prejuízo é estimado em cerca de R$ 100 milhões, entre equipamentos, estruturas e insumos, informou o reitor. Pesquisas inteiras foram perdidas
A Polícia Federal vai instaurar inquérito para investigar as circunstâncias e as possíveis causas do incêndio que atingiu, na noite de quarta-feira (7), o antigo prédio da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (DINE) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), na Zona Oeste do Recife. O edifício abrigava laboratórios de fármacos, inovação terapêutica, informática e genética, além de equipamentos, amostras e dados de pesquisas científicas. Não houve vítimas.
Peritos federais foram enviados ao local nesta quinta-feira (8) para realizar exames e levantar informações que possam esclarecer a origem do fogo. A PF informou que manteve contato com o reitor da UFPE, Alfredo Gomes, e com o comandante do Corpo de Bombeiros de Pernambuco. O incêndio mobilizou oito viaturas do Corpo de Bombeiros, que permaneceram no local durante toda a madrugada. As equipes deixaram a universidade por volta das 5h.
O incêndio provocou grandes perdas para a produção científica da universidade. O segundo andar do prédio foi praticamente destruído e o prejuízo material é estimado em cerca de R$ 100 milhões, entre equipamentos, estruturas e insumos, informou o reitor. Pelo menos 80 dissertações e teses estavam relacionadas ao material armazenado no local. “É uma perda irreparável, porque dados de 20 anos de pesquisa eram também guardados nos espaços”, lamentou o Gomes.
O caso chama ainda mais atenção porque este foi o terceiro incêndio registrado na UFPE em apenas uma semana. Em 30 de setembro, um laboratório do Departamento de Física foi atingido pelo fogo. Na ocasião, a universidade apontou como possível origem uma câmara de alta temperatura utilizada para aquecer substâncias. Já em 5 de outubro, outro incêndio atingiu o Laboratório de Citogenética e Evolução Vegetal, no Centro de Biociências. As duas ocorrências anteriores não deixaram vítimas.
O ministro da Educação, Leonardo Barchini, afirmou que acompanha as investigações e colocou a pasta à disposição da universidade. “Recebemos com tristeza a notícia do incêndio que atingiu um prédio da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) nesta noite. O fogo atingiu a Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (Dine), que integra o Núcleo de Inovação Tecnológica da instituição. Felizmente, não houve feridos. Estamos em contato com a Reitoria da UFPE e acompanhamos as investigações para apurar as causas do incêndio. Colocamos o MEC à disposição para prestar o apoio necessário. Nossa solidariedade à comunidade da UFPE”.
O deputado federal eleito Jones Manoel (PSOL) também cobrou uma investigação imediata. Segundo ele, estudantes receberam, horas antes do incêndio, mensagens com ameaças explícitas contra setores da universidade. Em publicação nas redes sociais, Jones afirmou que os relatos mencionavam a possibilidade de “explodir o departamento” e faziam referência à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). Ele disse ainda que solicitaria à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal uma investigação diante da possibilidade de o incêndio ter origem criminosa.
Entre as mensagens que circulam na internet está a seguinte: “Vamos explodir o departamento de vocês. Segundo turno é Flávio. Nosso ato vai vir mais forte. E não vai ser só amor, igual vocês seus esquerdistas de merda. Se arrependam e dobrem os joelhos seus acéfalos. Fiquem espertos. Fiquem espertos com a bomba”, ameaça o texto. As mensagens são atribuídas a apoiadores do candidato da extrema direita Flávio Bolsonaro, mas a autoria e a autenticidade ainda não foram oficialmente confirmadas. Também não há, até agora, comprovação de que as ameaças tenham relação com o incêndio. É justamente essa eventual conexão que a investigação deverá esclarecer.
ESTUDANTES OCUPAM AS RUAS EM DEFESA DE LULA
O incêndio ocorreu em meio a uma intensa mobilização dos estudantes da UFPE em defesa da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na terça-feira (6), estudantes realizaram uma grande manifestação no campus do Recife, com participação do Diretório Central dos Estudantes (DCE), da União Estadual dos Estudantes de Pernambuco (UEEP), da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e da União Nacional dos Estudantes (UNE). Os estudantes defenderam a democracia, a universidade pública e a garantia de financiamento para as instituições federais.
A mobilização faz parte de uma onda nacional de atos estudantis depois do primeiro turno. Na quarta-feira (7), milhares de secundaristas e universitários ocuparam as ruas do centro do Rio de Janeiro em defesa da reeleição de Lula. A manifestação saiu da Candelária e seguiu até a Cinelândia, com reivindicações pela educação pública, manutenção de direitos sociais e defesa da democracia. A UNE anunciou a intenção de levar novas mobilizações às universidades e às ruas de outras cidades até o segundo turno, marcado para 25 de outubro, em oposição à candidatura de Flávio Bolsonaro.
A articulação estudantil também já alcança universidades de mais de dez estados. A própria UNE informou que, após o primeiro turno, assembleias estão sendo organizadas em instituições de ensino de todo o país para fortalecer a campanha pela reeleição de Lula. Em Pernambuco, além do campus Recife, houve mobilização no Centro Acadêmico do Agreste, em Caruaru, e no Centro Acadêmico de Vitória.











