Polícia apreende celular de candidata bolsonarista por vídeo criminoso contra filha de Omar Aziz

Candidata bolsonarista divulgou vídeo criminoso - Foto: Divulgação

Investigação apura divulgação de montagem que atribuiu conotação sexual a uma fotografia do governador eleito com a filha adolescente. Delegado classificou o conteúdo como “estarrecedor”

A Polícia Civil do Amazonas apreendeu um celular e um computador na casa da empresária Maria do Carmo Seffair (PL), em Manaus, na manhã desta sexta-feira (6). A busca faz parte da investigação sobre um vídeo divulgado durante a campanha ao governo do estado que usou uma fotografia do governador eleito Omar Aziz (PSD) com a filha adolescente. O delegado Marcelo Martins, responsável pelo inquérito, classificou o conteúdo como “estarrecedor”.

Segundo Martins, a edição do vídeo destacou a mão de Aziz sobre a perna da filha, que estava sentada no colo do pai. Na avaliação do delegado, o enquadramento foi usado para dar conotação sexual à cena. O inquérito, conduzido pela Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente, apura possíveis violações ao Estatuto da Criança e do Adolescente. 

O vídeo foi publicado em uma rede social de Maria do Carmo, que disputou o governo do Amazonas contra Aziz. A polícia vai examinar os aparelhos apreendidos para esclarecer quem participou da divulgação e se a então candidata sabia da publicação ou autorizou que ela fosse feita. A defesa sustenta que Maria do Carmo desconhecia o conteúdo.

As buscas ocorreram no Vieiralves, em Manaus, depois que o desembargador Paulo Feitoza, do Tribunal de Justiça do Amazonas, derrubou a liminar que suspendia o mandado. Maria do Carmo estava fora de casa quando os policiais chegaram e compareceu ao imóvel acompanhada por advogados. Martins relatou dificuldades para entrar na residência e discussões durante a diligência, mas disse que a ordem judicial foi cumprida integralmente. 

A Polícia Civil também apura se informações sobre a diligência circularam antecipadamente e se houve ocultação ou descarte de provas. Na véspera da operação, Maria do Carmo publicou um vídeo em que dizia estar à espera da polícia. Na gravação, ela afirmou que soube da busca por notícias publicadas em portais e blogs e que estava disposta a colaborar.

Em nota divulgada após a operação, os advogados de Maria do Carmo afirmaram que garantias legais e prerrogativas da advocacia foram desrespeitadas durante as buscas. A defesa classificou a ação como perseguição política, questionou a conduta dos agentes por possível abuso de autoridade e criticou a divulgação de informações de um processo que tramita sob segredo de Justiça. 

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