Assessor de Lula denuncia a interferência de Washington e das big techs na disputa presidencial e afirma que, apesar das pressões internacionais, a decisão cabe ao povo brasileiro
O assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, afirmou que o povo brasileiro decidirá as eleições presidenciais deste domingo (25), apesar das pressões e ingerências externas que, segundo ele, atuam na disputa.
Em entrevista à revista CartaCapital, publicada na sexta-feira (23), o ex-chanceler alertou para a atuação de setores da extrema direita internacional e das grandes plataformas digitais na tentativa de influenciar o cenário político brasileiro.
“O povo brasileiro vai ganhar essa eleição”, apesar das “influências imensas do lado de fora”, declarou Amorim ao manifestar confiança na capacidade dos eleitores de fazer as próprias escolhas diante das pressões externas.
Para o diplomata, o Brasil ocupa posição estratégica na América Latina por defender relações internacionais diversificadas e resistir à pretensão dos Estados Unidos de exercer hegemonia sobre a região.
“Não dá para querer que o Brasil seja parte de um quintal”, afirmou, em referência à política de Washington para o continente. Amorim defendeu que o País mantenha relações com diferentes parceiros, incluindo China e União Europeia, sem aceitar imposições sobre as escolhas diplomáticas e comerciais.
BIG TECHS E DISPUTA ELEITORAL
Amorim também chamou atenção para o poder das plataformas digitais e dos algoritmos na circulação de informações durante a campanha.
A candidatura do presidente Lula (PT) levou às Nações Unidas denúncias de favorecimento ao senador Flávio Bolsonaro (PL) pela Meta, empresa responsável pelo Instagram, WhatsApp, Threads e Facebook.
“É muito mais do que provável, é quase certo, que tenha havido outros tipos de interferências através de outros meios”, afirmou o assessor, ao comentar a possibilidade de atuação externa na disputa eleitoral.
As declarações ocorrem em meio à preocupação com a disseminação de notícias falsas, a manipulação de conteúdos e o alcance das redes sociais na formação da opinião pública.
As suspeitas de favorecimento algorítmico, contudo, devem ser distinguidas de fatos comprovados.
PRESSÃO DE WASHINGTON
O assessor de Lula também criticou a orientação da política externa americana para a América Latina e apontou contradições entre o discurso de soberania e manifestações de setores brasileiros que exibem a bandeira dos Estados Unidos.
Amorim reconheceu que Donald Trump mantém relação de diálogo com Lula, mas diferenciou essa interlocução da atuação de setores do governo americano. “O Departamento de Estado tem uma orientação para a América Latina que é muito negativa”, avaliou.
Na visão do diplomata, a defesa da soberania não significa romper relações com os Estados Unidos, mas impedir que interesses estrangeiros determinem as escolhas brasileiras. “Soberania não é uma coisa abstrata”, resumiu.
Às vésperas do segundo turno, a entrevista recoloca no centro da disputa o direito de o Brasil decidir o próprio destino, sem tutela externa, e a importância de proteger o processo eleitoral contra a desinformação e eventuais interferências.
A palavra final, como ressaltou Amorim, pertence aos eleitores brasileiros.










