Produção industrial brasileira recua 0,8% em setembro

Produção de bens de capital caiu 1,9% em relação a agosto. (Foto: Arquivo/ Agência Brasil)

Sob o peso dos juros elevados, indústria de transformação cai 1,3%, aponta IBGE

A produção industrial brasileira recuou -0,8% em setembro em relação ao mês anterior, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta quinta-feira (5). Esse é o segundo mês consecutivo de queda, já que o setor havia ficado -0,7% em baixa em agosto, e ficar estagnado em julho (0%), prejudicada pelo patamar muito elevado dos juros no país.

Com os resultados, a indústria como um todo assinala uma queda de 1,4% no terceiro trimestre de 2026, em comparação ao mesmo intervalo do ano anterior. No ano até setembro, cresceu apenas 0,4%. Frente a setembro de 2025, a produção industrial apresenta queda de -2,5%.

Em setembro deste ano, a produção da indústria de transformação caiu 1,3%. O setor responde por mais de 80% do total da indústria brasileira.

Ontem, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu manter a taxa básica de juros (Selic) em 13,75% a.a., o que impõe aos brasileiros uma taxa de juros reais de 9,4%, após o desconto da inflação. Nível que isola o Brasil com a maior taxa de juro real do planeta, segundo levantamento do MoneYou. A Turquia, segunda colocada, conta com uma taxa de 7,7%.

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, afirmou que a decisão do BC foi “equivocada e excessivamente conservadora” e exigiu a retomada do ciclo de corte dos juros já na próxima reunião, prevista para dezembro. “A Selic permanece muito alta e isso afeta crédito, investimentos e a atividade econômica”, criticou Alban.

Em nota publicada na noite de ontem, a CNI alerta que “a política monetária restritiva tem pesado sobre a economia real. A manutenção da taxa básica de juros em patamares elevados por um período prolongado vem endurecendo as condições de crédito, encarecendo o capital de giro e desestimulando decisões de investimento e consumo. Como resultado direto desse ambiente financeiro adverso, os indicadores de atividade passaram a registrar sinais de retração nos principais setores”.

Os números da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do IBGE mostram que, na passagem de agosto para setembro de 2026, a indústria como um todo perdeu dinamismo, com três das quatro grandes categorias econômicas e 17 dos 25 ramos industriais pesquisados registrando queda na produção.

Os impactos negativos mais relevantes vieram das atividades de veículos automotores, reboques e carrocerias (-1,2%), máquinas e equipamentos (-2,1%), produtos de minerais não metálicos (-2,6%) e produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-3,1%). Também assinalaram taxas negativas coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-4,2%) e produtos alimentícios (-1,7%).

Entre as grandes categorias econômicas, o segmento de bens de capital retraiu -1,9% em setembro, intensificando a perda que já tinha sido verificada em agosto (-0,1%). Já a produção de bens de consumo semi e não duráveis declinou -1,2%, enquanto a de bens intermediários variou em queda de -0,7%, sendo o quinto mês seguido de queda, período em que acumula uma redução de -3,5%.

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *