Para o partido, o Brasil não pode “aceitar o papel de mero exportador de minério bruto”
Um documento que está sendo discutido no 8º Congresso Nacional do PT defende que as terras raras do Brasil sejam processadas dentro do país para gerar empregos qualificados e proteger “nossa riqueza contra a cobiça internacional”.
Para o partido, o Brasil não pode “aceitar o papel de mero exportador de minério bruto”.
As terras raras estão no centro do debate sobre o desenvolvimento do país por terem uma crescente importância na economia mundial, uma vez que são utilizadas em tecnologias modernas, como smartphones e baterias, e são fundamentais na transição energética.
“Nosso projeto exige que o processamento e a inteligência sobre esses minerais ocorram em solo nacional, gerando empregos qualificados e protegendo nossa riqueza contra a cobiça internacional”, diz o documento interno do PT que foi divulgado pelo g1.
Enquanto o campo político do presidente Lula defende que esses minerais sejam utilizados de forma estratégica para garantir que tragam desenvolvimento para o país, os bolsonaristas defendem que eles sejam entregues para os estrangeiros, principalmente norte-americanos.
O governador bolsonarista de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), já assinou acordos para que os Estados Unidos façam a extração das terras raras no Estado. A única mina de terras raras que já produz no país, localizada em Goiás, foi vendida para a USA Rare Earth com apoio de Caiado.
O governo Lula está discutindo e ainda não definiu o modelo que será utilizado para a exploração e processamento das terras raras. Alguns setores, entre eles o PT, defendem a criação de uma estatal, a Terrabrás, mas o governo federal alega dificuldades na tramitação na Câmara e no Congresso.
Ao mesmo tempo, são tratadas formas de fortalecer a estrutura dos órgãos de estudos, fiscalização e regulação, como o Serviço Geológico do Brasil (SGB) e a Agência Nacional de Mineração (ANM), além de ajustes na Política Nacional de Minerais Críticos.
LULA
O 8º Congresso Nacional do PT está acontecendo entre sexta (24) e domingo (26), em Brasília. O presidente Lula enviou um vídeo que foi transmitido na abertura e disse que os documentos que estão sendo discutidos estão “bons de conteúdo”, mas alertou que o partido só deve prometer o que tem “condições de fazer”.
Ele falou que quer ser presidente “outra vez porque o Brasil precisa de alguém democrático, que saiba ouvir e conversar com o coração das pessoas”. Lula ainda afirmou que “temos o dever de defender a democracia, a soberania nacional e o multilateralismo”.
Segundo ele, o PT tem “que botar na frente” e “mostrar a diferença entre o governo nosso e o candidato que governou antes de nós”.
“Vejam o que nós já fizemos: a menor inflação no acumulado de quatro anos, a maior renda da massa salarial, aumento do salário mínimo, aumento em educação e saúde”, citou. “Temos que comparar tudo com o que os outros fizeram. O que vai ganhar as eleições é a nossa capacidade de convencimento”, acrescentou.
“Depois que a gente defender o nosso legado e convencer as pessoas, precisamos discutir o que queremos fazer para o futuro, o que vai ser a nossa transformação energética, o que vai ser a nossa exploração de minerais críticos e terras raras, qual é a nova indústria que vamos criar para dar um salto tecnológico”, completou.
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, avalia que “essa é a eleição mais importante da vida do PT e da esquerda brasileira, porque temos a tarefa de derrotar o fascismo, a ultradireita e a agenda que eles representam”.
Para Edinho, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, “é o maior líder fascista do século 21”.











