Pesquisa mostra avanço da expectativa de vitória do presidente Lula em praticamente todos os segmentos do eleitorado, inclusive entre evangélicos, eleitores de maior renda e parte da direita não bolsonarista. Flávio vê recuar a confiança na candidatura em meio ao aumento da rejeição e à sequência de desgastes políticos
A pouco menos de 3 meses das eleições presidenciais, a percepção do eleitorado sobre quem deverá ocupar o Palácio do Planalto em 2027 tornou-se ainda mais favorável ao presidente Lula (PT), que concorre à reeleição.
Pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta segunda-feira (20), mostra que 55% dos brasileiros acreditam que Lula será reeleito, 6 pontos percentuais acima dos 49% registrados em abril.
No sentido oposto, caiu para 25% a parcela dos entrevistados que acredita na vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), contra 32% no levantamento anterior. Outros 4% apostam em um terceiro candidato, enquanto 16% não souberam responder.
Embora a pergunta não meça intenção de voto, mas sim a percepção sobre o provável vencedor da eleição, cientistas políticos costumam considerar esse indicador importante do termômetro do ambiente eleitoral.
A expectativa de vitória tende a influenciar a dinâmica das campanhas, a atração de apoios políticos, a mobilização das militâncias e até o comportamento do chamado voto útil.
A pesquisa ouviu 2.004 eleitores com 16 anos ou mais, entre os dias 10 e 13 de julho, por meio de entrevistas presenciais. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07181/2026.
MELHORA DOS INDICADORES ELEITORAIS
O avanço da percepção de vitória de Lula ocorre em contexto de melhora gradual dos indicadores do presidente nas pesquisas divulgadas ao longo de julho.
No levantamento Genial/Quaest publicado na semana passada, Lula ampliou vantagem sobre Flávio Bolsonaro tanto no primeiro quanto no segundo turno. Em eventual rodada final, o presidente aparece com 45%, contra 37% do senador, abrindo vantagem de 8 pontos percentuais. No primeiro turno, Lula registra 40%, diante de 28% de Flávio Bolsonaro.
O mesmo levantamento mostrou ainda redução da rejeição ao presidente, enquanto a do senador do PL avançou para 57%, tornando-o o presidenciável mais rejeitado entre os nomes testados.
SEGMENTOS ESTRATÉGICOS
Um dos aspectos mais relevantes da nova pesquisa é que a percepção de vitória de Lula cresce justamente em segmentos considerados decisivos para o resultado eleitoral.
Entre os evangélicos, tradicionalmente mais favoráveis ao chamado campo “conservador” nas últimas eleições, 45% agora acreditam que Lula vencerá o pleito. Em abril eram 37%. Já a expectativa de vitória de Flávio Bolsonaro caiu de 43% para 36%.
O movimento também aparece entre os eleitores com renda familiar superior a 5 salários mínimos. Nesse grupo, a crença na reeleição do presidente passou de 43% para 51%, enquanto a confiança numa vitória do senador recuou de 42% para 30%, uma queda de 12 pontos percentuais.
SUL MUDA
Regionalmente, Lula continua sendo apontado como favorito em todas as regiões do País, mas foi justamente na Região Sul, tradicional reduto eleitoral do bolsonarismo, que ocorreu uma das mudanças mais expressivas.
Em abril, apenas 33% dos entrevistados da região acreditavam na vitória do presidente. Agora, esse percentual alcança 50%, crescimento de 17 pontos percentuais.
No mesmo período, a expectativa de vitória de Flávio Bolsonaro caiu de 37% para 29%, o que indica mudança relevante na percepção do eleitorado sulista sobre os rumos da disputa presidencial.
DIREITA NÃO BOLSONARISTA
A pesquisa também revela mudança importante entre os eleitores que se definem como de direita, mas não se identificam com o bolsonarismo.
Nesse segmento, a expectativa de vitória de Flávio Bolsonaro despencou de 67% para 46% em apenas 3 meses.
Ao mesmo tempo, aumentou de 19% para 31% a parcela que acredita na reeleição de Lula.
Além disso, cresceu o número de entrevistados que não arriscam prognóstico ou apostam em um terceiro candidato, sinalizando maior incerteza dentro de eleitorado considerado estratégico para qualquer candidatura competitiva.











