Descoberta de petróleo na Margem Equatorial é “muito animadora”, declarou o ex-diretor da Petrobrás
O professor do Instituto de Energia e Ambiente da USP e ex-diretor da Petrobrás, Ildo Sauer, considerou a descoberta de petróleo na Margem Equatorial brasileira pela estatal com uma notícia “muito animadora”.
Em entrevista à BBC News, Sauer disse que é necessário debater mudanças no atual modelo de exploração. Segundo ele, o formato vigente destina à sociedade apenas uma pequena parcela da riqueza gerada pelo petróleo, o que inviabiliza qualquer transformação real na vida dos brasileiros.
Ildo Sauer avalia que tanto no regime de concessão quanto no de partilha, o Estado brasileiro sai prejudicado por capturar uma parcela menor da renda petroleira do que poderia. Por isso, destaca a necessidade de se criar um mecanismo eficaz para garantir que os ganhos obtidos com o óleo sejam direcionados, prioritariamente, para o desenvolvimento socioeconômico do país.
“A minha defesa sempre foi de usar os recursos do petróleo para financiar um plano nacional de desenvolvimento econômico e social”, afirma o professor.
Sauer alertou que com a descoberta do pré-sal, grande parte dos ganhos acabou sendo drenada, ao longo dos anos, pelo sistema financeiro e por acionistas da Petrobrás, em sua maioria, estrangeiros.
O ex-diretor da estatal defende que o Brasil utilize um dispositivo da Lei nº 12.351/2010, que criou o regime de partilha para o pré-sal e áreas estratégicas, para a contratação direta da Petrobrás pela União em um regime semelhante ao de prestação de serviços.
Por esse formato, a empresa receberia apenas uma retribuição pelo custo de produção e o restante do excedente econômico ficaria com o Estado brasileiro para investir em educação, saúde, infraestrutura e ciência e tecnologia.
Com uma produção de cerca de 4,5 milhões de barris por dia e a perspectiva de expansão por meio da Margem Equatorial, o engenheiro avalia que o Brasil terá condições de assumir um papel mais estratégico no mundo.










