Durante sabatina Folha/UOL, realizada na terça-feira (11), o deputado estadual do Paraná, Requião Filho (PDT) defendeu a retomada do controle público da Companhia Paranaense de Energia (Copel) com a reestatização da companhia e criticou o modelo de privatização de pedágio adotado no estado.
Pré-candidato ao governo do Paraná, o pedetista afirmou que pretende buscar formas de reestatizar a companhia, privatizada durante a gestão de Ratinho Junior (PSD). Entre as alternativas citadas estão a recompra de ações, a revisão judicial da operação e até a anulação da venda, caso sejam encontradas irregularidades nas investigações.
Segundo Requião Filho, o Paraná recebeu cerca de R$ 3 bilhões com a privatização, enquanto a Copel teria distribuído mais de R$ 6 bilhões aos acionistas desde a operação. O deputado afirmou ainda que denúncias relacionadas à venda foram encaminhadas ao Ministério Público Federal (MPF).
As suspeitas mencionadas durante a entrevista envolvem, segundo ele, relações entre o BTG, ativos da companhia e pessoas que participaram da operação. Requião Filho ressaltou que eventuais irregularidades ainda são objeto de investigação e não representam uma conclusão judicial.
O deputado rejeitou a possibilidade de aumentar impostos para financiar uma eventual recompra da Copel. Como alternativa, defendeu uma revisão dos incentivos fiscais concedidos pelo Estado, com a manutenção daqueles que apresentem retorno em geração de empregos, produção ou benefícios sociais.
PEDÁGIOS
Outro alvo de Requião Filho foi o novo modelo de concessões de rodovias no Paraná. O deputado classificou os contratos de pedágio como prejudiciais à economia do Estado e afirmou que, se eleito, pretende cobrar do governo federal e da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) o cumprimento das obrigações previstas.
A proposta, segundo ele, não seria simplesmente romper contratos já assinados. Os acordos considerados legais seriam mantidos, mas submetidos a uma fiscalização mais rigorosa para garantir a realização das obras e a proteção do interesse público.
Requião Filho também defendeu a suspensão dos lotes que ainda não tenham sido leiloados ou colocados em execução.
Na educação, o pedetista afirmou que pretende encerrar o programa Parceiro da Escola e revisar contratos de gestão privada das escolas públicas. Também criticou o modelo de escolas cívico-militares adotado pelo governo Ratinho Junior.
Para Requião Filho, a presença de policiais em funções pedagógicas representa uma política ideológica, e não uma mudança efetiva na educação. Ele defendeu a retirada dos agentes dessas funções, mas afirmou ser favorável à manutenção de colégios propriamente militares, como os da Polícia Militar e do Exército, com programas pedagógicos próprios.
A defesa de serviços públicos também apareceu como eixo central de sua estratégia eleitoral. Ao final da sabatina, o deputado afirmou que pretende transformar a eleição em uma discussão sobre o papel do Estado e sobre se os serviços públicos devem priorizar o atendimento à população ou a geração de lucro privado.
SEGURANÇA
Na segurança pública, Requião Filho prometeu ampliar concursos, investir em inteligência e fortalecer a integração entre as polícias Civil e Militar, Guardas Municipais, Polícia Rodoviária Federal (PRF), Polícia Federal (PF) e Exército, especialmente nas fronteiras.
Ele também defendeu a recuperação da remuneração dos policiais paranaenses e criticou jornadas que, segundo ele, chegam a 60 horas semanais para parte dos agentes.
A entrevista também abordou a relação do deputado com Lula (PT). Apesar de ter deixado o PT e ingressado no PDT, Requião Filho mantém apoio à candidatura do presidente no Paraná e defende uma aliança baseada em um programa de governo.
Ao mesmo tempo, afirmou que não pretende abandonar as críticas que já fez a Lula, especialmente sobre a Copel e o modelo de pedágio.
“Eu me sentiria constrangido se eu não tivesse feito as críticas”, afirmou, ao ser questionado sobre a possibilidade de dividir palanque com o presidente.
O deputado também criticou Sergio Moro e atacou Flávio Bolsonaro (PL-RJ), cuja eventual candidatura à Presidência classificou como uma fonte de instabilidade política. Para Requião Filho, alianças eleitorais devem ser construídas a partir de propostas, e não de distribuição de cargos.
Durante os cerca de 50 minutos de entrevista, Requião Filho também foi questionado sobre a influência de seu pai, o ex-governador Roberto Requião, e sobre o peso do sobrenome na disputa estadual.
O deputado reconheceu a influência política do pai, mas afirmou que pretende atualizar as propostas associadas aos governos anteriores. “Eu sou Requião 2.0”, resumiu.
A fala ocorre em um cenário eleitoral desfavorável ao pedetista. Pesquisas citadas no contexto da disputa colocam Requião Filho atrás de Sergio Moro no primeiro turno, além de apontarem uma rejeição elevada ao seu nome.
A estratégia apresentada na sabatina passa, portanto, por transformar a eleição em uma disputa programática sobre privatizações, pedágio, educação, segurança e serviços públicos. A tentativa é apresentar uma alternativa ao modelo de gestão do atual governo e disputar também o eleitorado conservador com propostas para diferentes setores.











