Cúmplice do Marrocos e de Israel, governo norte-americano queria eliminar da Minurso a referência ao “referendo” e consolidar a supremacia criminosa do reinado de Mohammed VI sobre a República Árabe Saarauí Democrática
A Rússia bloqueou o projeto norte-americano no Conselho de Segurança para renovar mais uma vez o mandato da Missão das Nações Unidas para o Referendo no Saara Ocidental (Minurso), por considerar que se trata de um texto desequilibrado e parcial em favor do Marrocos, que ocupa ilegalmente a última colônia da África.
A resolução dos EUA significava um retrocesso no quadro político e operacional da missão internacional, pois promovia uma proposta voltada a modificar a denominação da Minurso — eliminando dela a referência ao referendo — e a consolidar o plano de autonomia marroquino, sob a supremacia criminosa do reinado de Mohammed VI (que ocupa o trono desde 1999), como a principal base de negociação para a solução do conflito.
Utilizando seu poder de veto, o representante permanente da Federação Russa no Conselho de Segurança da ONU, Vasily Nebenzya, impediu a tentativa do governo dos Estados Unidos de reconfigurar as diretrizes da missão de forma “parcial” e prejudicial aos esforços de paz na região, já que trazia um retrocesso no seu quadro político e operacional.
Com essa decisão, o governo de Vladimir Putin não apenas trava as ambições de Washington no Norte da África, mas abre oficialmente uma nova e complexa frente diplomática em um território historicamente marcado por disputas de soberania e silêncios internacionais.
A disputa pelo Saara Ocidental persiste desde a descolonização espanhola na década de 1970, opondo o Reino de Marrocos — que controla ilegalmente a maior parte do território — à Frente Polisário, movimento que luta pela independência da República Árabe Saarauí Democrática (RASD), apoiado pela Argélia.
Nos últimos anos, os EUA mudaram drasticamente sua postura ao reconhecer formalmente a pretensa “soberania marroquina” sobre a região. A decisão foi tomada ainda na primeira gestão de Donald Trump (2017-2021) e mantida pela administração de Joe Biden (2021-2025) em troca da “normalização” das relações entre Marrocos e Israel.
A resolução vetada pela Rússia buscou consolidar a imposição imperialista e sionista no âmbito da ONU, reduzindo as pressões por um plano de “autonomia” proposto pelo reinado marroquino — com o respaldo dos governos dos EUA, de Israel e da França.
Ao aplicar o veto, a diplomacia russa justificou que o texto estadunidense ignorava os direitos legítimos do povo saarauí e desequilibrava o papel mediador da ONU. Em defesa do direito internacional, Moscou reitera que qualquer solução duradoura deve basear-se nas resoluções anteriores do Conselho de Segurança, que preveem a autodeterminação por meio de uma consulta popular livre.
A postura do governo russo redesenha as pontes diplomáticas no Sul Global. Ao se posicionar em favor da autodeterminação saarauí, o Kremlin se fortalece perante as nações africanas e latino-americanas como um contrapeso ao imperialismo.
Neste momento, os países se mobilizam contra o congelamento de qualquer solução humanitária imediata para os milhares de refugiados saarauís que vivem em condições precárias nos campos de Tindouf, na Argélia, esquecidos pela grande mídia.











