O salário mínimo seria de R$ 852 se a proposta do candidato do PL, Flávio Bolsonaro, de não valorização do piso nacional estivesse em vigor. O mesmo valor se aplica às aposentadorias, pensões e BPC, que são vinculados à valorização do salário mínimo.
Seguindo a proposta do presidenciável Flávio Bolsonaro, se a política de valorização não tivesse sido implementada a partir de 2003, no primeiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o salário mínimo e as aposentadorias estariam hoje, aproximadamente, no valor de R$ 852, considerando que fossem corrigidos apenas pela inflação entre janeiro de 2004 – quando o mínimo era de R$ 260 – e janeiro de 2026, conforme o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC),
Segundo reportagem do Brasil de Fato e reproduzida ICL Notícias, o piso nacional estaria cerca de 90% abaixo do salário mínimo atual de R$ 1.621. O governo Lula propôs um salário mínimo de R$ 1.717 no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, já em análise no Congresso Nacional.
A valorização do salário mínimo foi criada em 2004 e foi oficializada em 2006 pelo governo Lula. O reajuste do piso nacional com ganho real, ou seja, acima da inflação, foi extinto no governo Bolsonaro.
Com o retorno de Lula ao Palácio do Planalto, o reajuste do piso salarial voltou a ser composto pela projeção esperada para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), acumulado em 12 meses, mais o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes – limitado a 2,5%.
O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) estima que cerca de 61,9 milhões de brasileiros têm rendimento referenciado no salário mínimo. A entidade calcula que em 2026 a valorização do piso salarial nacional injetou na economia R$ 81 bilhões.
A professora da Universidade Federal Fluminense e economista Juliane Furno explica que “quando os trabalhadores ganham mais, cresce o consumo”.
“Se crescer o consumo, os empresários vão querer produzir mais para atender essa demanda. Cada R$ 1 a menos no reajuste do salário mínimo, dos servidores, na previdência ou no BPC representa uma perda enorme de renda local, comprometendo o comércio, os serviços e toda a atividade econômica”.
Já o economista e professor da Universidade de Brasília José Luís Oreiro lembra que “desenvolvimento econômico representa aumentar o poder de compra da população”.
“Para que isso aconteça, você tem que aumentar salários, principalmente o mínimo. Congelar o salário mínimo é acabar com o poder de compra da população e impactar toda a economia”, afirma Oreiro.
Diante da péssima repercussão de sua proposta de acabar com a valorização do salário mínimo, a campanha de Flávio emitiu uma nota na sexta-feira (9), dizendo que não pretende mexer nas políticas de valorização do salário mínimo, aposentadorias e BPC. Puro engodo. A assessora econômica, Daniella Marques, aliados e o próprio candidato do PL vêm reiterando que vão fazer um “tesouraço” econômico para gerar um arrocho fiscal de cerca de R$ 250 bilhões num eventual mandato.
Essa poupança será à custa do povo, principalmente dos mais carentes deste país, e não sobre os privilegiados, englobando bancos, bilionários e especuladores da dívida pública brasileira que – por meio dos juros exorbitantes – extraem mais de 1 trilhão por ano do Erário.
“Seria um desastre”, afirma o presidente da Central Única dos Trabalhadores em São Paulo (CUT-SP), Raimundo Suzart, ao destacar que “o salário mínimo forte é a base da movimentação da economia, sobretudo para pequenos comércios”.
“O aumento do mínimo impacta diretamente no crescimento da economia, porque o trabalhador consome, faz girar. Acabar com a valorização do salário mínimo é condenar o trabalhador à miséria, como faz o [presidente argentino Javier] Milei”, explica Suzart.
“Acabar com a valorização impacta também nas contas da previdência, já que reduz a arrecadação, prejudicando a capacidade de pagamento das aposentadorias. Daí logo vão querer fazer uma nova reforma da Previdência também”, alerta.










