Sambistas, escolas de samba e blocos carnavalescos se unem por Lula: “O samba não se cala”

Desfile da Mangueira na Sapucaí. Escola declarou apoio à reeleiçã de Lula - Foto: reprodução

Sambistas e representantes da cultura popular do Rio de Janeiro se reúnem na segunda-feira (12), na Lapa, no ato “O samba não se cala – a luta é na rua”, em apoio à reeleição do presidente Lula (PT). A mobilização junta nomes de destaque do carnaval carioca, baterias de três escolas de samba, blocos e rodas tradicionais da cidade na disputa do segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Entre os participantes estão a cantora Teresa Cristina, o intérprete Neguinho da Beija-Flor, o carnavalesco Leandro Vieira e a porta-bandeira Rute Alves, da União de Maricá. O ritmo fica por conta das baterias da Estação Primeira de Mangueira, da União de Maricá e do Império Serrano.
A Orquestra de rua do Cordão do Boitatá, um dos mais tradicionais blocos de rua do Rio, se junta às baterias das escolas. O ato tem ainda a presença e o apoio da Feira das Yabás, do Terreiro de Crioulo, do Auwre, da Roda de Samba da Pedra do Sal e dos blocos Simpatia é Quase Amor e Carmelitas. A programação inclui músicos e produtores ligados à cena cultural carioca, entre eles Kiko Horta e Rita Fernandes.

O ato acontece na semana em que o Senado discute a PEC que acaba com a escala 6×1 e reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais. Na terça-feira (6), Flávio disse que Lula, “agora, no meio do segundo turno, vem de uma forma oportunista” com a proposta. Na quarta (7), comparou a PEC a “mais uma promessa de picanha que não vai resolver a vida de ninguém” e defendeu que o texto só seja analisado depois das eleições.

O candidato propõe que jornada e condições de trabalho sejam combinadas diretamente entre trabalhador e empresa, o chamado negociado sobre o legislado. O coordenador de sua campanha e líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que votar a PEC agora faz mal ao país. A proposta passou na quinta-feira (8) pela terceira das cinco sessões de discussão exigidas antes da votação em primeiro turno.

O adversário de Lula abriu 2026 em confronto com uma escola de samba. Em fevereiro, quando a Acadêmicos de Niterói desfilou em homenagem ao presidente, Flávio escreveu no X que o dinheiro do trabalhador “está sendo torrado num desfile de carnaval na cara de todos os brasileiros” e anunciou uma ação no Tribunal Superior Eleitoral contra a agremiação. Dois dias depois, comemorou a queda da escola para a Série Ouro: “o próximo rebaixamento vai ser o de Lula e o do PT”.

O dinheiro que o senador atacou veio de um termo de R$ 12 milhões entre a Embratur e a Liesa, com R$ 1 milhão para cada escola do Grupo Especial, destinado à promoção internacional do carnaval do Rio. O TSE havia rejeitado os pedidos para impedir o desfile.

O ataque ao financiamento da cultura vem de antes. Em janeiro de 2023, quando o Ministério da Cultura autorizou a atriz Claudia Raia a captar R$ 5 milhões pela Lei Rouanet, Flávio afirmou que a “farra com o dinheiro público já está instalada”. A lei, de 1991, funciona por incentivo fiscal: empresas patrocinam projetos aprovados e abatem o valor do Imposto de Renda.

No governo de Jair Bolsonaro, pai do candidato, o Ministério da Cultura foi extinto e virou secretaria. O então presidente vetou a Lei Aldir Blanc 2 e a Lei Paulo Gustavo, e o Congresso derrubou os dois vetos em julho de 2022. Hoje a Política Nacional Aldir Blanc destina R$ 3 bilhões por ano a estados e municípios, e a Lei Paulo Gustavo liberou R$ 3,86 bilhões para o setor.

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