País é espremido por meia dúzia de agiotas que ganham bilhões sem fazer nada. São eles mesmos que pressionam o BC a jogar a Selic nas alturas. Eles é que endividam o país e depois vêm pressionar para cortar da sociedade
A hipocrisia da mídia pró-bancos não tem limites. Ao divulgar os resultados das contas públicas do governo no mês de junho, ela tratou os gastos com juros, que chegaram a R$ 110,7 bilhões em doze meses, como resultado de um suposto “gasto excessivo” do governo com a sociedade. Nada mais longe da verdade. Quem endivida o Brasil são os agiotas e seus representantes no BC.
Eles invertem tudo e vêm com a mesma cantilena de sempre. “Comentaristas” de economia – ou melhor dos bancos – fazem filas nas TVs para defender que o governo tem que cortar os gastos com a sociedade. E, se não houver a redução desses gastos, eles ameaçam o país: “como vocês não querem cortar, os juros permanecerão nas alturas”, dizem. Alegam que o governo gasta muito com o povo e é por isso que se endivida. E concluem que esta é a causa dos juros altos.
Puro engodo. Aquilo que mais espreme o orçamento é o gasto com os juros da dívida pública. E quem define os juros são exatamente os representantes dos bancos, alocados do Banco Central. Eles definem uma taxa (Selic) escandalosa e o governo é obrigado a remunerar seus títulos com os maiores juros do mundo. Então, o governo corta da sociedade para pagar aos bancos. Mesmo assim, a dívida segue crescendo como bola de neve.
Ela [a dívida] não está crescendo porque a sociedade está recebendo “recursos excessivos”. Ou porque o país está a todo vapor consumindo investimentos. Nada disso. Ao contrário. O país não cresce como devia há anos porque não há recursos disponíveis para os investimentos públicos necessários. São os juros alucinados, definidos pelo BC, que estão consumindo tudo, como máquina de sugar verbas públicas. Faltam recursos para todos os setores produtivos da sociedade enquanto a agiotagem se esbalda.
Aí vem a enganação da mídia dos banqueiros. Seus porta-vozes repetem todos os dias que os juros são altos porque o governo gasta demais com a sociedade, com salários, com a Previdência., etc. Fazem isso para concluir que é necessário cortar na Previdência, no reajuste do salário mínimo, nos pisos constitucionais, na Segurança Pública, na Defesa, na Saúde, etc. Ou seja, garantindo o meu – e cada vez mais – o resto não me interessa. Esse é o bordão dos bancos.
A sociedade vive espremida há décadas por uma crônica política fiscal regressiva e injusta, com vistas a obter-se o chamado superávit primário (contas positivas sem computar os gastos com juros). Para isso, os recursos para Educação, Saúde, Segurança, Ciência & Tecnologia, Defesa, etc, são reduzidos ou limitados. Só não há limites para os gastos financeiros. É por isso que a dívida bruta (sem os créditos) cresce e chegou a R$ 10,8 trilhões, ou 81,9% do PIB. A dívida líquida (descontadas as reservas), por sua vez, é de R$ 9,0 trilhões, ou 68,5% do PIB.
É óbvio que este círculo vicioso tem que ser rompido com a redução das taxas exorbitantes de juros. Não há o menor cabimento em buscar o “equilíbrio” fiscal destruindo as atividades econômicas e sociais do país e provocando uma recessão. Isso é insustentável.
Só mesmo quem acha que o país vai assistir calado a sua destruição e o agravamento da crise social, pode pensar que isso vai continuar por muito mais tempo sem uma grande reação popular. O país quer crescer e o nó a ser desatado é a ganância sem fim do setor rentista, que quer receber cada vez mais através dos juros sem levar em conta os interesses gerais do país.
Reduzidos os juros, haverá uma grande folga nas finanças para que se façam os investimentos produtivos. Com isso, as empresas vão lucrar, o povo vai ter mais empregos e o país se desenvolverá e arrecadará mais. Este é o verdadeiro caminho para se atingir um equilíbrio fiscal verdadeiro. Conseguir esse equilíbrio nas contas asfixiando a sociedade e a produção não passa de um suicídio.
Não é mais possível que se defenda afundar o Brasil na estagnação para garantir os ganhos frenéticos de meia dúzia de rentistas e especuladores. O país precisa produzir para crescer. É necessário que se ponha um ponto final na ciranda que vem dominando há muito tempo a economia brasileira. Cortar os juros imediatamente para investir e crescer. Esta é a maior urgência do país. O resto é a velha enganação neoliberal.










