CAROLINA MARIA RUY
As condições de trabalho estão subordinadas ao modelo de desenvolvimento em que se inserem e à maneira como o Estado valoriza o trabalho, o trabalhador e suas organizações. Foi essa a ideia que defendi em uma palestra durante o evento comemorativo dos 80 anos da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria (CNTI), em setembro de 2026.
Relacionei o tema para o qual fui convidada a falar, “Proteção Social, Precarização, Ambiente e Condições de Trabalho”, aos projetos de desenvolvimento implementados no Brasil desde 1930, considerando que as escolhas econômicas e políticas de cada período influenciam a remuneração, os direitos, a proteção social e as condições de saúde e segurança no trabalho.
A exposição deu origem a este artigo, que posteriormente revisei e reformulei em alguns trechos, preservando sua essência e estrutura.
Minha reflexão aponta para a necessidade de um novo nacional-desenvolvimentismo no atual contexto tecnológico e cultural: um projeto que associe soberania, inovação, valorização do trabalho e proteção social.
DESENVOLVIMENTISMOS
Entre 1930 e o fim da ditadura, o Brasil viveu diferentes formas de desenvolvimentismo. Houve crescimento econômico, consolidação industrial e expansão da vida urbana, mas também diferenças profundas na relação do Estado com os trabalhadores e com a internacionalização do mercado.
A partir de 1930, mesmo que a elite brasileira ligada ao setor agrário e ao capital internacional — e que ainda era adepta do escravismo como relação de trabalho — defendesse o liberalismo, o governo de Getúlio Vargas, em oposição a esse pensamento, implementou um projeto que previa ampla urbanização e industrialização com base na formação de um povo e na ideia de nação. A expansão do emprego urbano formal, das cadeias industriais e de serviços e do mercado consumidor marcou esse período, que se tornou um grande referencial e um modelo — até mesmo de resistência — que até hoje oferece elementos fundamentais. Elementos que estão em vigência, que podem ser retomados ou que servem como contraponto ao neoliberalismo que veio depois.
Nos anos 1950, Juscelino Kubitschek iniciou seu próprio e ousado projeto por meio do Plano de Metas. Investimentos em energia, transportes e indústria aceleraram o crescimento econômico e diversificaram a produção. Mas, embora ele tenha investido também na indústria nacional para garantir condições para a instalação das multinacionais, diferentemente de Vargas, seu governo abriu a economia para o capital internacional.
Durante a ditadura iniciada em 1964, os militares mantiveram, à sua maneira, o desenvolvimentismo. Porém, ainda que se apresentassem como nacionalistas, o que prevaleceu foi o alinhamento com os Estados Unidos no contexto da Guerra Fria. Alinhamento que, aliás, sustentou o golpe.
No período, a dependência externa cresceu com os empréstimos contraídos para financiar a expansão econômica, especialmente durante o chamado milagre econômico. A repressão e a perseguição política contra partidos e dirigentes sindicais foram outros fatores que prejudicaram o povo trabalhador, que viu suas entidades representativas enfraquecidas, violentadas e sob constantes ameaças.
Ou seja, o desenvolvimentismo no regime militar foi diferente, muitas vezes contrário, ao implementado por Getúlio Vargas. E esse histórico evidencia que considerar o nacional-desenvolvimentismo como um período homogêneo que abrange da década de 1930 à de 1980 cria falsas equivalências e induz ao erro.
Sob a ditadura, o crescimento ocorreu junto com o arrocho salarial, o agravamento dos riscos e das doenças no trabalho, o alinhamento com os EUA e o aumento da dependência externa. Enquanto isso, o projeto inaugurado por Vargas associou industrialização à soberania, à criação de direitos, às instituições de proteção ao trabalho e à urbanização.
DO FORDISMO À ACUMULAÇÃO FLEXÍVEL
O modo de produção fordista, entretanto, atravessou todo o período, começando a decair na década de 1970. Grandes linhas de produção, concentração de operários em fábricas, vínculos formais em grande medida, consumo de massa e fortalecimento do mercado consumidor, organização sindical massiva e elevação do padrão de vida marcaram as relações de trabalho sob o fordismo.
Sinais de esgotamento do modelo surgiram a partir das crises do petróleo de 1973 e da estagnação industrial. Enfraquecido pela crise financeira, pelo rebaixamento do consumo, por problemas com o acúmulo de mercadorias e com os custos de manutenção, o fordismo entrou em declínio, dando espaço para um sistema mais flexível, com produção sob demanda — just in time — e contratos de trabalho também flexíveis, informais, terceirizados etc.
Foi um contexto que impulsionou uma onda de desregulamentações, quebras de contratos, fechamentos de fábricas e migrações de empresas para países com mão de obra barata.
Ao mesmo tempo, o neoliberalismo ganhou força como doutrina política e econômica em um processo que desorganizou a classe trabalhadora e enfraqueceu os sindicatos e os partidos de esquerda, que passaram a enfrentar maiores dificuldades para organizar a ação coletiva.
Essa mudança, provocada pela decadência do fordismo e pela ascensão do neoliberalismo e influenciada também pelo fim da União Soviética — referência para partidos e organizações de esquerda —, levou ao enfraquecimento do discurso baseado em pautas universais, como a luta de classes, a união dos trabalhadores e a superação do capitalismo, e, por outro lado, ao fortalecimento de um discurso baseado em direitos individuais — das mulheres, dos negros, dos homossexuais, da mulher negra etc. —, ou seja, pautas pontuais que buscavam um capitalismo inclusivo, e não sua superação.
Mesmo com a crise do capitalismo de 1973, a dissolução da URSS fomentou uma ideia de triunfo do capitalismo e de que a “abundância” da produção industrial contemplaria as necessidades do povo. Restaria à esquerda dedicar-se à luta pela representatividade de grupos oprimidos.
Dessa forma, a pauta identitária cresceu como um novo progressismo, em um processo de despolitização decorrente dessa situação de flexibilidade econômica e desregulamentação no mundo do trabalho.
Por trás desse processo, consolidava-se, desde a crise do petróleo de 1973, uma visão econômica que priorizava a estabilidade monetária, a contenção dos investimentos sociais e a manutenção de determinado nível de desemprego sob o argumento de controlar a inflação.
DESENVOLVIMENTO DEPENDENTE
No Brasil, com o fim da ditadura e o avanço da redemocratização, novos partidos passaram a ocupar o centro do debate político. Entre eles, o PT e o PSDB, ambos formados em São Paulo e influenciados pela intelectualidade paulista. As ideias que marcaram esse período ajudam a compreender tanto a ruptura com o projeto anterior ao golpe de 1964 quanto a permanência da dependência econômica e tecnológica aprofundada durante a ditadura.
Ainda na universidade, o sociólogo Fernando Henrique Cardoso defendeu a teoria do desenvolvimento dependente, segundo a qual um país poderia se desenvolver mesmo mantendo relações de dependência tecnológica e econômica. Segundo o escritor Fábio Mascaro Querido, em seu livro Lugar periférico, ideias modernas (Boitempo, 2024), Cardoso defendia que a dependência, “embora inibisse, não sufocava por completo as possibilidades de desenvolvimento na América Latina”.
O autor explica que os “intelectuais paulistas” fizeram “do nacional-desenvolvimentismo, do populismo e da herança varguista os grandes alvos a serem abatidos a fim de forjar uma nova cultura política democrática brasileira”. E cita a criação do PT e do PSDB, apesar das diferenças, como uma nova expressão da cultura política.
Desgastado pelos anos da ditadura, pela crise da dívida externa e em meio às transformações da economia mundial, o Brasil entrou, na década de 1980, em um processo de desindustrialização e desregulamentação do trabalho. Os salários, desvalorizados desde o arrocho imposto pela ditadura, voltariam a ter ganhos reais apenas nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva, mas distantes do que já representaram e longe de cumprir sua função.
Foi um contexto que, somado à reestruturação produtiva, contribuiu para o desemprego e para a precarização das relações de trabalho, dificultou a organização coletiva e aprofundou a desarticulação entre os trabalhadores.
CRISE DO NEOLIBERALISMO
Mas os limites do paradigma neoliberal, que já eram evidentes por conta da injustiça social, tonaram-se indisfarçáveis após a crise financeira de 2008. Os efeitos em cadeia da crise sobre economias de vários países (como Grécia, Portugal, México e também os EUA) somados às transformações culturais provocadas pela expansão das novas tecnologias, contribuíram, entre outros fatores, para o fortalecimento da extrema direita em escala global, com um discurso marcado pela xenofobia e pela exaltação do protecionismo econômico.
Anos mais tarde, a pandemia de Covid-19 (2020 a 2023) escancarou ainda mais a incapacidade do mercado de garantir, sozinho, as necessidades básicas da população e evidenciou a importância da ação do Estado. Ao mesmo tempo, a ascensão da China, impulsionada por um modelo de desenvolvimento com forte participação estatal, passou a desafiar a tese do Estado mínimo e a hegemonia dos Estados Unidos. Até mesmo o Banco Mundial, um dos organismos que tiveram papel central na difusão das políticas de liberalização econômica, reconheceu, em relatório publicado em março de 2026, erros de avaliação sobre a indústria e o papel do Estado no desenvolvimento global.
Entretanto, apesar de a crise de 2008, da pandemia e do fortalecimento do extremismo terem exposto os limites do neoliberalismo, a agenda liberal presente no Brasil desde a redemocratização foi aprofundada nos governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro. A reforma trabalhista de 2017, que contribuiu para a expansão de formas precárias de trabalho, é uma das maiores expressões de como a lógica do mercado ainda prevalece sobre a lógica social. A reforma também contribuiu para o enfraquecimento das entidades sindicais e abriu novas possibilidades de flexibilização das relações e da jornada de trabalho.
DE GETÚLIO A LULA
Contrariando o pensamento que influenciou a formação de partidos no pós-ditadura, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nos últimos anos, passou a resgatar a memória do presidente Getúlio Vargas como forma de reconhecer os avanços daquele governo.
No prefácio do livro Trabalhadores do Brasil! Discursos à nação, organizado por Lira Neto, Lula reconhece que sua visão sobre Vargas mudou ao longo do tempo:
“Nasci na política criticando Getúlio. Eu reconhecia as conquistas da classe trabalhadora na Era Vargas, mas criticava a CLT por acreditar que havia nela um DNA fascista: a ‘Carta del Lavoro’, de Mussolini, o que não era verdade.”
A declaração foi reproduzida pelo jornalista Bernardo Mello Franco em artigo publicado em O Globo, em fevereiro de 2026. Segundo o jornalista, no início de sua trajetória sindical, Lula associava Vargas aos “pelegos” que dominavam a antiga estrutura sindical corporativista e chegou a chamá-lo de “pai dos pobres e mãe dos ricos”. No prefácio, porém, o presidente conta que passou a compreender o “real significado de Getúlio para o Brasil” depois de ler os três volumes da biografia de Vargas escrita por Lira Neto:
“Getúlio trouxe para o centro da arena política questões que permanecem atuais: o Estado como indutor do desenvolvimento, a defesa da soberania nacional e o combate à desigualdade e aos privilégios.”
Essa releitura já vinha aparecendo publicamente. Em 24 de agosto de 2024, quando se completaram 70 anos do suicídio de Vargas, Lula relacionou, durante um ato público, Vargas à transformação das condições de trabalho:
“Aqui em São Paulo não se fala muito de Getúlio, porque a elite paulista nunca gostou de Getúlio. Porque foi Getúlio que criou o salário mínimo. Porque foi Getúlio que criou a CLT, que tirou o trabalhador da escravidão e colocou o trabalhador de férias, com jornada de trabalho.”
A mesma interpretação reapareceu de maneira ainda mais explícita em 24 de julho de 2026, durante a participação de Lula no encontro de líderes do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Ao fazer uma retrospectiva das transformações sociais do país, Lula colocou o salário mínimo e a CLT entre os momentos decisivos dessa trajetória:
“Há momentos importantes. Eu digo que um deles foi em 1936, quando Getúlio Vargas resolveu criar o salário mínimo. Porque, até então, o povo não tinha salário. E o segundo momento foi em 1943, quando ele criou a CLT.”
Em seguida, contrapôs a importância histórica que atribui à legislação trabalhista às críticas contemporâneas à CLT:
“Hoje tem muita gente que é contra a CLT. Tem muita gente que acha que modernidade é ser contra a CLT. Mas, quando ela foi criada, a gente trabalhava num sistema de escravidão. Não tinha horário de trabalho, não tinha horário de entrada, não tinha jornada, não tinha férias, a gente não tinha direitos.”
A referência a Vargas voltou a aparecer na Convenção Nacional do PT para as eleições de 2026. Ao recordar a criação da CLT, Lula afirmou que ela “tirou o povo da semiescravidão” e garantiu direitos aos trabalhadores. Na mesma intervenção, relacionou a manutenção e a ampliação das conquistas trabalhistas à capacidade de organização sindical.
Não se trata, portanto, apenas de uma homenagem histórica. Há, nessas declarações, a recuperação de ideias acerca de um projeto político e econômico que, durante décadas, foram objeto de críticas, inclusive no campo progressista.
O Estado como agente do desenvolvimento, a soberania nacional, a industrialização, a legislação trabalhista e a organização dos trabalhadores voltam a aparecer como partes de um mesmo processo.
GOVERNOS LULA
Através da retomada de políticas sociais, da valorização do salário mínimo, de programas de combate à pobreza e de iniciativas de geração de empregos, o terceiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, iniciado em 2023, buscou reverter parte do desgaste promovido por décadas de neoliberalismo.
Além disso, o presidente tem enfatizado a intenção de fomentar o desenvolvimento da ciência e da tecnologia como base para uma produção industrial mais sofisticada e autônoma.
Em seus três governos, Lula conseguiu combater aspectos da pobreza crônica e do atraso promovido pelo neoliberalismo. Ele realizou a façanha de restringir e buscar resolver o problema da extrema pobreza, provendo luz, gás, alimentos, saúde, renda e educação para populações marginalizadas. Também tomou medidas para garantir a geração de empregos.
Permanecem, porém, desafios importantes, dos quais destaco os efeitos de políticas de abertura comercial sobre setores produtivos nacionais.
Sobre esse ponto, não cabe negar a importância do comércio internacional para a economia. Uma restrição abrupta às importações poderia prejudicar a população, elevar custos e provocar crise. O fortalecimento da produção nacional, contudo, exige planejamento e medidas de médio e longo prazo. Exige políticas de proteção e fomento à indústria, em um esforço que deve alcançar tanto os setores tradicionais quanto as cadeias de maior valor agregado e intensidade tecnológica, ampliando a capacidade do país de produzir, inovar e gerar bons empregos.
Na prática, isso significaria investir no desenvolvimento e na produção de bens como automóveis, smartphones e computadores, além de serviços digitais e tecnologias como a inteligência artificial, com capacidade de competir no mercado global.
Pode parecer uma meta distante, mas a China pode ser uma inspiração. Há quarenta anos, poucos imaginavam que aquele país alcançaria a posição que ocupa hoje na produção mundial. Não é preciso voltar tanto no tempo: há dez anos, os produtos chineses ainda eram sinônimos de preços baixos e qualidade inferior. Hoje, porém, muitos consumidores sonham mais com um Build Your Dreams ou com um GAC do que com um Volkswagen, marca alemã que, por sua vez, sofre com a concorrência asiática.
A China não se tornou uma potência global por meio de um desenvolvimento dependente. Ao contrário, seguiu sua própria estratégia de nacional-desenvolvimentismo.
CONDIÇÕES DE TRABALHO E TIPO DE DESENVOLVIMENTO
Para abordar o tema “Proteção Social, Precarização, Ambiente e Condições de Trabalho”, proposto pela Plenária dos 80 anos da CNTI, fiz um retrospecto histórico sobre os modelos de desenvolvimento.
Isso porque, como expus no início, as condições de trabalho estão subordinadas ao modelo de desenvolvimento e à maneira como o Estado valoriza o trabalho, o trabalhador e suas organizações. No Brasil, existe um mercado de trabalho grande e diversificado. As categorias formais e que têm sindicatos mais fortes tendem a contar com mais direitos, mais benefícios e mais chances de evoluir na carreira.
Porém, a crescente informalidade faz com que mais trabalhadores fiquem desassistidos, sem jornada regulamentada, sem nem mesmo salário regulamentado, previdência ou regras sobre saúde e segurança. Ou seja, muitos trabalhadores estão à margem dos direitos historicamente conquistados.
Mais do que isso, em um contexto de progressiva desregulamentação da economia, até mesmo trabalhadores inseridos no mercado formal têm alguns desses direitos negados. A reforma trabalhista é um exemplo cabal desse processo.
No livro O Capital no Século XXI, o economista Thomas Piketty argumenta que estamos retornando ao capitalismo patrimonial que dominou a Europa nos séculos XVIII e XIX, com sua lógica de aristocracia. De fato, a realidade expressa tal contradição: de um lado, bilionários que concentram grande poder e riqueza e que se comportam como reis e príncipes; de outro, um povo trabalhador cada vez mais marginalizado e sem direitos. Retroceder a uma época anterior aos direitos conquistados sob o disfarce da “modernização”, é resultado da agenda neoliberal.
UM NACIONAL DESENVOLVIMENTISMO PARA O NOSSO TEMPO
O desafio que se impõe é reposicionar o Brasil e seu povo na economia global por meio da adoção de um nacional desenvolvimentismo do século XXI. Para isso, é preciso substituir a tese do desenvolvimento dependente associado e abandonar preconceitos que levam à rejeição do modelo de crescimento que impulsionou o país nas três décadas anteriores à ditadura militar, sob pena de continuarmos com baixo crescimento, ampla informalidade e aumento da desigualdade.
É preciso também, de forma democrática e com participação social, reorganizar a divisão do trabalho e o sistema de distribuição da riqueza produzida pelo país, considerando a jornada, a mobilidade e o salário. Isso exige combater o sistema de privilégios; investir em infraestrutura, pesquisa e tecnologia; aproveitar a capacidade energética do país, com sua grande oferta de energia limpa; fortalecer os sindicatos; recuperar direitos suprimidos; e investir nas cadeias produtivas da indústria, dos serviços e do comércio, a fim de criar postos de trabalho que ofereçam qualidade, dignidade, engajamento e oportunidades de ascensão social.
Carolina Maria Ruy é jornalista e pesquisadora, coordenadora do Centro de Memória Sindical e editora do Rádio Peão Brasil. Integra o Conselho Consultivo da Fundação Maurício Grabois.











