Segundo a PF, Jaques Wagner conversou 74 vezes por telefone com sócio de Vorcaro

Senador Jaques Wagner (PT-BA) (Foto: Carlos Moura - Agência Senado)

O senador Jaques Wagner (PT-BA) conversou por telefone 74 vezes com o ex-CEO do Banco Master  e sócio de Daniel Vorcaro, Augusto Ferreira Lima, e recebeu um apartamento de R$ 2,4 milhões como “vantagem indevida”, afirma a Polícia Federal.

A análise do celular de Augusto Lima revela a proximidade entre o funcionário de Vorcaro e o senador. A família de Jaques Wagner chegou até a viajar para uma ilha de Augusto, utilizando um helicóptero no deslocamento.

“Estas relações, segundo elementos informativos colhidos, acabam por adentrar no espectro da ilicitude, na medida em que os agentes privados passam a fornecer evidentes vantagens econômicas indevidas ao servidor público, em decorrência do cargo que exerce”, disse a PF.

De acordo com os investigadores, a relação entre os dois nasceu em 2018, no contexto da participação de Wagner na privatização da Empresa Baiana de Alimentos (EBAL) e da criação do Credcesta, serviço que foi utilizado nas fraudes fiscais.

Mais tarde, quando Jaques Wagner foi eleito senador, os dois passaram a tratar dos interesses do Banco Master no parlamento.

Somente entre novembro de 2023 e maio de 2025, Jaques Wagner e Augusto Lima conversaram 74 vezes por telefone, somando mais de 5 horas de ligação. Eles conversavam quase uma vez por semana.

No dia 13 de agosto de 2024, por exemplo, Jaques Wagner e Augusto Ferreira Lima passaram quase 10 minutos no telefone conversando. “Imediatamente após o encerramento da chamada”, o banqueiro enviou para Jaques Wagner um link com a “Emenda Master”, que havia sido protocolada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI) no mesmo dia.

Ciro Nogueira apresentou uma emenda que elevava o montante coberto pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), o que favorecia o esquema do Banco Master.

Segundo a investigação, Jaques Wagner utilizou gratuitamente aeronaves de Augusto e até recebeu ingressos para o show da cantora Taylor Swift.

Além disso, o senador recebeu um apartamento de R$ 2,4 milhões em Salvador.

A aquisição do apartamento foi realizada por Augusto Lima depois que Jaques Wagner escolheu o imóvel.

Para esconder a origem do dinheiro e o verdadeiro beneficiário, foram utilizadas outras empresas e registradas outras pessoas.

“Todo o conjunto de elementos acima demonstra que os recursos utilizados na aquisição do citado apartamento têm origem no grupo REAG, vinculado a Daniel Vorcaro e Augusto Ferreira Lima” e que os signatários do contrato “foram utilizados apenas como veículo de interposição para dissimular a real origem dos recursos e o efetivo beneficiário da operação, o senador Jaques Wagner”.

O relatório da PF ainda aponta que Augusto Ferreira Lima realizou pagamentos para a empresa do enteado de Wagner, Eduardo Mendonça Sodré Martins.

Em setembro de 2025, Eduardo Sodré cobrou Augusto dos pagamentos e recebeu como resposta que o cenário estava “crítico”. Augusto, em seguida, enviou reportagens sobre a rejeição do Banco Central da aquisição do BRB pelo Banco Master e comentou “deve ter visto o que aconteceu, né? Mas estou firme querendo resolver”.

Em contrapartida, conclui a PF, Jaques Wagner agia no Congresso Nacional de forma “alinhada aos interesses econômicos do Banco Master”. O relatório menciona o apoio do senador à “Emenda Master” e outras propostas e à aquisição do BRB pelo Master.

Um dos textos é a Lei 14.413, de 2022, que foi apresentada pelo governo de Jair Bolsonaro e aumenta a margem dos salários que pode ser utilizada em empréstimos consignados e permite esse tipo de operação para pessoas que recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC), favorecendo largamente o Banco Master por conta do Credcesta.

Nesse caso, Jaques Wagner apresentou uma emenda que aumentava o limite de juros cobrados, estabelecendo um limite de 300% do CDI, o que em 2025 passaria de 42%.

A apresentação, por parte do governo Bolsonaro, da lei e da emenda de Jaques Wagner, guarda “relação cronológica precisa com o início das relações contratuais e financeiras” entre a empresa do senador e o Banco Master.

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