Entidades sindicais, centrais, trabalhadores e lideranças políticas reagiram à decisão do Banco Central que manteve a taxa básica dos juros em 13,75%, na quarta-feira (4). Em Porto Alegre, uma mobilização convocada pela CUT-RS levou representantes do movimento sindical e trabalhadores à Esquina Democrática, no Centro de Porto Alegre, com a palavra de ordem: “Juros Baixos Já! Fim da Autonomia do Banco Central!”.
De acordo com as lideranças sindicais e parlamentares presentes ao ato, “a definição da taxa básica de juros (Selic) deve estar subordinada ao projeto de desenvolvimento econômico e às decisões das urnas, e não aos interesses das instituições financeiras privadas”.
“Eles querem corte nas políticas públicas e no gasto público. O nosso problema real é o juro alto. É um juro que causa o endividamento das famílias e que rende à política econômica ao sistema financeiro”, afirmou Ísis Garcia, diretora do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região (SindBancários), durante o ato.
O presidente da Cut-RS, Amarildo Cenci, pediu um “basta” a “exorbitante e criminosa taxa de juros no Brasil”, para que “esse dinheiro que rentabiliza os banqueiros seja para desenvolver o nosso país e proporcionar mais direitos para nossa população”.
A deputada estadual Sofia Cavedon (PT) também defendeu mudanças na condução econômica do país, lembrando que “o presidente Lula candidato, foi muito cobrado pelo endividamento das famílias”. “E nós sabemos que o endividamento das famílias vem da política desastrosa de Temer e Bolsonaro e da autonomia do Banco Central, com juros altos, em cima de uma política anacrônica de que juros altos é que seguram a inflação”, afirmou.
Para a Confederação dos Trabalhadores do Serviço Público Federal (Condsef), a manutenção da taxa básica dos juros em 13,75%, só “favorece os rentistas e compromete os investimentos públicos”.
“É necessário questionar a quem serve uma política econômica que mantém o Brasil entre os campeões mundiais de juros, favorece os detentores de títulos da dívida e limita a capacidade de investimento do Estado. O debate sobre as contas públicas precisa considerar não apenas as despesas sociais, mas também o enorme volume de recursos destinado ao pagamento de juros”, destaca a entidade, ressaltando que “a Selic a 13,75% é uma escolha contra o Brasil”.
Referindo-se às análises de representantes do mercado contra a queda dos juros, a presidente da Confederação Nacional das Trabalhadoras e dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e vice-presidente da CUT, Juvandia Moreira, pondera que “eles criticam o governo, democraticamente reeleito, de ser gastador e o pressionam, por meio da grande imprensa, a reduzir os investimentos primários, que chamam de ‘gastos’, mas o que eles não contam é que 51,6% da dívida pública federal está vinculada à Selic”. Ou seja, “quanto mais alta a Selic maior também será a dívida do Estado, com menos recursos sobrando para o que importa, como saúde, educação e segurança”, argumenta a sindicalista.











