Selic em 13,75% é injustificável e custa caro para empresas e famílias, afirma CNI

Ricardo Alban, presidente da CNI, (Foto: Iano Andrade/CNI)

“A Selic permanece muito alta e isso afeta crédito, investimentos e a atividade econômica”, alerta Ricardo Alban, presidente da CNI”

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) considerou “equivocada e excessivamente conservadora” a manutenção da taxa básica de juros (Selic) em 13,75% pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. “A prolongação do aperto monetário mantém o crédito caro, prejudica empresas e famílias e trava, ainda mais, a economia”, ressalta a entidade.  

“A Selic permanece muito alta e isso afeta crédito, investimentos e a atividade econômica”, afirmou Ricardo Alban, presidente da CNI. “É possível continuar diminuindo os juros em ritmo compatível com a convergência da inflação para a meta, sem impor à economia um custo maior do que o necessário para assegurar a estabilidade dos preços”.    

“A política monetária restritiva tem pesado sobre a economia real. A manutenção da taxa básica de juros em patamares elevados por um período prolongado vem endurecendo as condições de crédito, encarecendo o capital de giro e desestimulando decisões de investimento e consumo. Como resultado direto desse ambiente financeiro adverso, os indicadores de atividade passaram a registrar sinais de retração nos principais setores”, alerta a entidade. 

“Na Sondagem Industrial da CNI de setembro, os estoques indesejados atingiram o maior nível desde outubro de 2023 e a margem de lucro teve a pior avaliação desde a pandemia. A perda de fôlego, porém, não se restringe à indústria. Em agosto, as vendas do varejo estavam cerca de 1% abaixo do nível de janeiro, com perda de força concentrada nos segmentos mais sensíveis ao crédito, enquanto o volume de serviços permanece praticamente parado desde o fim de 2025”.  

Para a CNI, a política monetária sufoca empresas e consumidores. 

“O comprometimento de renda das famílias atingiu 29% em agosto, o maior nível em 21 anos, e o endividamento alcançou o recorde de 50,1% da renda acumulada em 12 meses. Na indústria, a pressão chega ao caixa das empresas. Em consulta da CNI aos empresários do setor realizada em outubro, 51,9% esperam maior necessidade de financiamento para pagar fornecedores nos próximos três meses e 56,9% projetam redução do lucro”.  

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