Sindicato dos Metroviários denuncia privatização: “São Paulo não merece mais tragédias”

Foto: Reprodução/Redes Sociais

Em reação ao caos no transporte sobre trilhos registrado nos últimos dias na capital paulista três dias após a concessionária Trivia Trens assumir a gestão das linhas privatizadas pelo governador Tarcísio de Freitas, o Sindicato dos Metroviários divulgou uma nota de repúdio afirmando que “São Paulo não merece mais tragédias”.

Para o sindicato, as falhas e até a explosão em uma composição da Linha 12, como a ocorrida na quinta-feira (23), eram uma “tragédia anunciada”, já que a entidade e diversos movimentos sociais “haviam alertado sobre os riscos que as privatizações de Tarcísio traziam para o transporte sobre trilhos”.

“Um serviço de transporte público, de alta complexidade, que transporta milhões de pessoas, não pode ficar nas mãos de quem só pensa em lucro”, afirma o sindicato, pedindo que sejam canceladas “imediatamente” a concessão das linhas 11, 12 e 13.

De acordo com o Sindicato dos Metroviários, as operações devem ser devolvidas à CPTM, “para não arriscar que algo mais grave aconteça nas próximas semanas”.

A entidade ressalta ainda que também é preciso “rever as privatizações mais antigas que também apresentam uma série de riscos e problemas diários”.

“A Artesp diz que retornará à operação conjunta pelos próximos três meses, mas isso é apenas porque o governador Tarcísio não quer novos acidentes durante as eleições”, alerta o sindicato.

“O que parece é que o governo do estado está querendo empurrar o problema para depois das eleições, retomando a operação para a empresa pública por um curto período de tempo”.

Segundo o diretor do sindicato Arthur Andrade, “desde o início do mandato do governador Tarcísio, o que vimos foi uma precarização sistemática da manutenção preventiva das linhas [10, 11, 12 e 13] da CPTM. Isso passa desde a falta de reposição de peças e equipamentos, tanto de via quanto dos próprios trens, até a falta efetiva de trabalhadores”, denunciou.

“Trata-se de uma tragédia anunciada, mas de fato impressiona a gravidade das falhas em apenas três dias, o que demonstra que houve um despreparo e um descaso total em gerenciar problemas operacionais a partir do momento em que a Trivia assumiu”, afirma.

Segundo a nota do sindicato, é preciso que haja investimento nas empresas públicas (Metrô e CPTM), e a realização de concurso público para ampliação do quadro de funcionários para garantir “um serviço de transporte público e de qualidade para todo o transporte em São Paulo”.

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