Soberania só virá com indústria forte e trabalhador valorizado, afirma deputado do PCdoB

Deputado Daniel Almeida. (Foto: Richard Silva/PCdoB na Câmara)

“Contamos com entraves históricos: juros elevados, custo do crédito, sistema tributário complexo, gargalos logísticos e a necessidade urgente de qualificação profissional”

DANIEL ALMEIDA*

A indústria é um setor estratégico, considerado um dos pilares do desenvolvimento da nação. Também é responsável por impulsionar o crescimento econômico, gerar empregos de qualidade, promover inovação tecnológica e reduzir desigualdades regionais.

Para se ter dimensão dessa importância, os números mais recentes apontam que a indústria respondeu por 23,4% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e por mais de 35% da arrecadação de tributos federais. Além disso, a indústria é responsável por cerca de 20% dos empregos formais no país, sustentando milhões de famílias brasileiras.

Com a proximidade do Dia do Trabalhador, é fundamental pautar a discussão sobre os mais de 10 milhões de trabalhadores e trabalhadoras diretamente envolvidos na produção industrial. São eles que constroem diariamente a riqueza do país, muitas vezes enfrentando jornadas intensas, desafios tecnológicos e pressões por produtividade. Por isso, não há projeto industrial consistente sem compromisso com direitos, valorização salarial, segurança no trabalho e inclusão social.

O Brasil vive um momento crucial com a nova política industrial do governo brasileiro, batizada de Nova Indústria Brasil. O país retoma o debate sobre a reconstrução de sua base produtiva por meio deste plano estratégico, que tem o objetivo de firmar a reindustrialização do país até 2033. E a retomada do crescimento da indústria é notória. O faturamento da indústria de transformação cresceu 5,6% em 2024, o maior avanço em mais de uma década.

Mas ainda há desafios a serem superados no setor. A geração de emprego industrial apresenta oscilações, com crescimento acumulado, mas ainda sensível às variações da economia. Além desse cenário, contamos com entraves históricos: juros elevados, custo do crédito, sistema tributário complexo, gargalos logísticos e a necessidade urgente de qualificação profissional.

É nesse contexto que ganha relevância a Agenda Legislativa da Indústria 2026, elaborada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O documento reúne dezenas de propostas em tramitação no Congresso Nacional e aponta caminhos para temas como reforma tributária, inovação, infraestrutura, comércio exterior e regulação das relações de trabalho.

São inúmeras as potencialidades que o Brasil reúne para liderar setores estratégicos como a transição energética, a economia de baixo carbono, a indústria da saúde e as tecnologias digitais. A indústria brasileira também responde por cerca de 66% das exportações de bens e serviços, mostrando seu papel central na inserção internacional do país.

Por isso, precisamos de um projeto nacional de desenvolvimento que combine aumento da produtividade com valorização do trabalho, descartando modelos que apostaram na precarização como caminho para o crescimento.

Temos de investir em tecnologia, mas também em qualificação profissional, respeitando a dignidade humana e colocando em voga as pautas da classe operária, para que possamos fortalecer a indústria nacional, assegurando empregos dignos, salários justos e condições adequadas de trabalho.

A chamada indústria 4.0 é o futuro que chega à nossa porta, e ele precisa ser moderno, sustentável e inclusivo. Defender a indústria brasileira é defender a soberania nacional. E defender os trabalhadores é garantir que esse desenvolvimento tenha sentido para o povo brasileiro.

*Daniel Almeida é deputado federal do PCdoB-BA

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