Só quem pulou contra ela foram os parasitas do mercado financeiro e os bolsonaristas lunáticos que afiavam o “tesouraço” para degolar os sonhos do povo. O economista disse o óbvio: que os juros estão asfixiando o país
O economista André Lara Resende disse o óbvio em seu artigo “Eu Acuso: uma proposta para eliminar os juros absurdos”, publicado recentemente em seu site na internet. “São os juros a principal causa do desequilíbrio das contas públicas”, afirmou o autor.
Só quem se contrapõe a essa afirmação de forma fervorosa são os lunáticos bolsonaristas que, apesar de esconder suas reais intenções, pretendiam aplicar um “tesouraço” radical e criminoso nos programas sociais e nos investimentos públicos do Brasil sob o pretexto de promover um “equilíbrio nas contas públicas”.
Os parasitas do capital financeiro apostaram todas as suas fichas no candidato fascista que foi derrotado exatamente porque pretendia fazer isso. Ou seja, promover um corte draconiano nas despesas com a sociedade e garantir a permanência da mamata dos juros estratosféricos. É deles a maior grita contra as ideias inovadoras e de bom senso, apresentadas por Lara Resende em seu artigo.
“O aumento da relação dívida/PIB tem um único motor: a absurda taxa de juros fixada pelo Banco Central. Todos estão de acordo: a taxa de juros é um problema. Inviabiliza o crédito para a produção e o consumo, provoca o endividamento insustentável das famílias e das empresas e desestimula o investimento produtivo”, argumenta Resende.
O economista mostra, em gráficos que reproduzimos abaixo, que o Brasil vem mantendo um equilíbrio nas contas públicas e que o país é um dos que tem um bom resultado, quando o quesito é a despesa primária, ou seja, as despesas que não computam os gastos financeiras, ou seja, os gastos com os juros.

“Temos uma das mais altas taxas reais de juros do mundo, com a taxa básica em mais do dobro da taxa de crescimento nominal da economia. O serviço da dívida equivale a mais de 10% do PIB ao ano e é o responsável pela trajetória ascendente e insustentável da relação dívida/PIB. Sem uma redução do juro para algo em torno da taxa de crescimento nominal da economia, não há ajuste fiscal possível que interrompa o crescimento da dívida em relação ao PIB”, prosseguiu Lara Resende.

Ele propõe então um novo “Conselho Fiscal e Monetário Nacional (CFMN)”. Este órgão definiria metas fiscais e monetárias para um período de quatro a cinco anos à frente. As metas fiscais seriam pautadas pela racionalização e simplificação da arrecadação e dos gastos de custeio e de investimentos.
As metas de inflação, segundo Lara Resende, seriam anunciadas em conjunto com metas para a taxa básica de juros. O BC se comprometeria a manter a taxa básica num intervalo entre a meta de inflação, 3,0%, e taxa de crescimento nominal potencial, ou seja, a meta da inflação somada ao crescimento real potencial, o que hoje seria em torno de 5,5% ao ano (3% de inflação mais 2,5% de crescimento).
Ele explica que só em casos excepcionais, autorizados pelo CFMN, a taxa básica poderia ser inferior ao piso – a meta de inflação – ou superior ao teto – o crescimento nominal do PIB potencial – do intervalo.
O economista propõe ainda que “para dar início ao novo regime fiscal e monetário, o BC anunciaria a redução gradual do juro básico, ao longo de cerca de 12 meses, para a taxa de crescimento nominal potencial mais um spread transitório de segurança de 2%, isto é, perto de 7,5% ao ano”. A proposta apresenta claramente um horizonte de queda de juros e de retomada dos investimentos.
“Este spread de segurança”, explica Resende, “seria periodicamente reavaliado e gradualmente reduzido até ser eliminado. Anunciaria ainda que se necessário atuará no câmbio para suavizar toda depreciação mais acentuada, devido à possível redução do volume de carry-trade de capitais especulativos”.
“Com reservas internacionais de mais de US$ 350 bilhões, o BC tem munição de sobra para isso. Os dois canais pelos quais a redução do juro poderia pressionar a inflação no curto prazo estão, assim, neutralizados no Brasil: o fiscal, pela dívida curta; o cambial, pelas reservas”, destaca.
Lara Resende lembra que o Brasil tem problemas sociais e institucionais graves. “Nenhum deles tem solução fácil. Exigem inteligência na formulação de propostas, bom senso na costura de apoio político e competência na implementação”. “A economia tem um problema básico: a extraordinariamente alta taxa básica de juros. Um problema que tem solução clara. Só é preciso vencer os preconceitos associados a uma teoria monetária e fiscal anacrônica”, argumenta o economista.
Depois de apresentar um caminho seguro para a retomada do crescimento da economia, Lara Resende termina seu artigo parafraseando Émile Zola e acusando os responsáveis pela manutenção de um política econômica que está asfixiando a população brasileira e impedindo o Brasil de se desenvolver.
“Acuso o Banco Central de sustentar, em nome de uma teoria anacrônica, a taxa de juros que é a principal causa do desequilíbrio fiscal que diz combater. Acuso a grande imprensa de repetir, sem exame, que o problema está no gasto primário, quando está nos juros. Acuso os analistas do mercado financeiro de confundir o interesse dos rentistas com a racionalidade econômica. E acuso todos os que, sabendo que juros absurdos inviabilizam o país, preferem o conforto do consenso ao incômodo da verdade”, conclui.
SÉRGIO CRUZ










