Trabalhadores de aplicativos têm renda menor e baixa proteção previdenciária, aponta IBGE

Foto: Roberto Parizotti/Fotos Públicas

Pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgada nesta sexta-feira (4) revela que, em 2025, o Brasil tinha cerca de 2 milhões de trabalhadores por aplicativos como Uber, 99 e iFood. Segundo os dados da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), essas pessoas, exercendo o trabalho nas plataformas como principal ou como segunda atividade, têm jornadas semanais mais extensas do que outros profissionais e contribuem menos para a Previdência via INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), e têm menor renda.

A pesquisa mostra que mais da metade da mão de obra plataformizada atuava no transporte particular de passageiros (1,1 milhão ou 53,9%), seguidos por trabalhadores de aplicativos de entrega de comida e outros produtos (585 mil ou 29,9%), de prestação de serviços gerais (313 mil ou 16%) e de táxi (232 mil ou 11,8%). Uma mesma pessoa pode exercer mais de uma atividade.

Em relação à jornada, os dados mostram que, em média, os profissionais com trabalho principal nos apps tinham jornada de 44,7 horas por semana em 2025. São 5,4 horas a mais do que a média dos demais ocupados no país no setor privado (39,3 horas).

Sobre a cobertura previdenciária do INSS, a pesquisa aponta que, em 2025, a parcela de contribuintes era de apenas 34% entre a mão de obra que usava os aplicativos como trabalho principal, diferente da registrada entre trabalhadores do setor privado não plataformizado, que é de 63%.

Entre os motociclistas de apps, somente 19,4% estavam cobertos pela Previdência em 2025. Entre os não plataformizados, o percentual foi de 37,1%.

Já em relação à renda desses trabalhadores por hora, segundo a pesquisa, ela foi 12% inferior à média dos não plataformizados no setor privado.

O rendimento dos plataformizados com ensino superior completo (R$ 27,70 por hora) foi 25,3% menor do que o dos profissionais fora dos aplicativos com o mesmo nível de instrução (R$ 37,10).

De acordo com os dados, essa situação só se inverte entre as pessoas com menor escolaridade. No grupo de trabalhadores sem instrução ou com ensino fundamental incompleto, a renda média dos que atuam por meio de aplicativos foi 11,5% maior do que a dos não plataformizados (R$ 12,60 e R$ 11,30, respectivamente).

Conforme o IBGE, “os aplicativos geram renda para muitas pessoas e oportunidade de novos mercados e redução de custos para empresas, mas, por outro lado, representam um desafio importante no que se refere às condições laborais”.

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