Tribunal de Haia determina detenção do primeiro-ministro de Israel a governos de 125 países membros

Isolamento de Netanyahu por crimes de guerra é crescente em todo o mundo (Independent)

De acordo com o site Zman Yisrael, a edição hebraica do site de notícias israelense Times of Israel, o primeiro ministro israelense Benjamin Netanyahu, corre risco de detenção caso visite qualquer um dos 125 países membros do Tribunal Penal Internacional (TPI) pois estes tiveram a prisão dele determinada pelo tribunal.

Incluindo, de acordo com o artigo postado na segunda-feira no site israelense, países do ocidente como a França, Alemanha, Reino Unido, Canadá, que continuam parceiros comerciais de Israel, mesmo com a limpeza étnica de palestinos em Gaza e na Cisjordânia executada pelos fanáticos e militares israelenses.

A razão se deve graças a um mandado de prisão contra Netanyahu emitido pelo TPI em novembro de 2024, por crimes de guerra contra a humanidade cometidos pelas forças militares israelenses no massacre de Gaza, restringindo o poder de circulação de primeiro-ministro de Israel de visitar esses países.

A campanha de limpeza étnica de Israel contra a população de Gaza matou cerca de 73.000 palestinos e deixou mais de 174.000 feridos, o tribunal com sede em Haia, nos Países Baixos, responsabilizou Netanyahu pelo crime de guerra de usar da fome em massa como arma de guerra, assim como outros crimes contra a humanidade como assassinato, perseguição e outros atos desumanos.

De acordo com o artigo, o impacto nas viagens internacionais de Netanyahu é visível com seus aviões tomando medidas para evitar sobrevoar o espaço aéreo de países membros do TPI. O primeiro-ministro também está evitando eventos em países em que poderia ser preso, como o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, países membro do TPI.

Netanyahu só visitou um país membro do TPI, onde o mandato de prisão se aplica: a Hungria, em abril de 2025, durante o mandato do primeiro-ministro, Viktor Orbán, declaradamente contra a decisão emitida por Haia.

O artigo atesta que a restrição nas viagens não é um mero inconveniente diplomático para Netanyahu, mas que é “impossível ver isso como ‘uma posição internacional superior’ — mas sim como isolamento internacional”.

Netanyahu ainda pode visitar 70 países, tecnicamente, por não serem membros do TPI. Mas a maioria desses países não tem relações com Israel, nem relações diplomáticas com o regime israelense.

Outras atribuições ao desgaste das relações de Israel às políticas do gabinete de Netanyahu, se devem à expansão dos assentamentos ilegais nos territórios ocupados na Cisjordânia, declarações extremistas de seus ministros, principalmente o ministros da Finanças, Bezalel Smotrich, e o ministro da Segurança, Itamar Ben Gvir, a recusa de Israel em estabelecer um estado Palestino, a continuação do massacre em Gaza e mais recente a guerra fracassada de Israel e os EUA contra o Irã.

Mesmo assim, o governo americano de Trump, está fazendo uma campanha de pressão contra o TPI em favor dos israelenses, desde que o TPI emitiu o mandato de prisão, o secretário de Estado Marco Rubio, já disse que o governo Trump está trabalhando para desmantelar o TPI.

Os americanos já impuseram sanções contra membros do TPI envolvidos na investigação sobre os crimes cometidos por Israel e estão pressionando os países membros do TPI a se retirarem da instituição.

A sensação de crescente isolamento internacional, com a proibição de participação em shows, medidas de restrição a produtos fabricados nos territórios ocupados e campanhas de boicote e sanções, já são sentidas pela população israelense.

Artigo recente do Times of Israel destaca que a “maioria dos israelenses tëm medo e se sentem impossibilitados de viajar ao exterior devido à crítica global crescente ao paí”.

De acordo com pesquisa publicada no dia 21 essa sensação já é majoritária desde a divulgação das atrocidades cometidas pelas forças israelenses em Gaza.

Diz ainda o jornal Times of Israel, que “de acordo com uma pesquisa divulgada pela TV Canal 12, 56% dos israelenses repondeream que têm medo de viajar para fora devido ao crescente criticismo de Israel em torno da guerra na Faixa de Gaza”.

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