Pressionado diante da determinação iraniana, Trump ralha com Netanyahu: “Você está louco? Estaria na prisão se não fosse por mim. Todo mundo odeia Israel”. No CS da ONU, China, Rússia, França e Reino Unido condenaram a escalada de Israel no Líbano
A suspensão, pelo Irã, das negociações com os EUA, até que cesse a escalada israelense em curso no Líbano e o cessar-fogo seja respeitado “em todas as frentes”, forçou o presidente norte-americano, Donald Trump, a, de acordo com o portal norte-americano Axios, ter de encrespar com o primeiro-ministro Netanyahu, para que este recuasse do anúncio, que chegara a fazer, de ataque a Beirute, após a tomada do castelo de Beaufort, depois de cruzar o rio Litani.
“Uma violação em uma frente é uma violação do cessar-fogo em todas as frentes. Os EUA e Israel são responsáveis pelas consequências de qualquer violação”, advertiu o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi.
Aos mediadores, Teerã comunicou que qualquer retomada das negociações estava condicionada à completa cessação das operações militares israelenses em Gaza e no Líbano, bem como à retirada das forças israelenses do território libanês ocupado.
Desde 8 de abril está em vigor uma trégua precária entre os EUA e o Irã. Os EUA e Israel desencadearam a guerra de agressão ao Irã em 28 de fevereiro, acreditando que iriam instalar um regime fantoche, deixar sem retaguarda a resistência ao genocídio e apartheid e assaltar o petróleo iraniano, mas quebraram a cara.
Segundo a agência iraniana de notícias Tasnin, próxima à Guarda Revolucionária Islâmica, tendo em vista os crimes contínuos do regime sionista no Líbano, e considerando que a cessação da agressão contra o Líbano era uma das pré-condições para o cessar-fogo, e que este cessar-fogo foi violado em todas as frentes, inclusive no Líbano, a equipe de negociação iraniana suspenderá “as negociações e a troca de textos por meio de um mediador (paquistanês)”.
A Tasnim afirmou, ainda, que Teerã e a assim chamada Frente de Resistência à ocupação e ao apartheid, integrada pelo Hezbollah, milícias iraquianas e pelos revolucionários houthis do Iêmen, estavam coordenando suas agendas para bloquear completamente o Estreito de Ormuz e ativar outras frentes, como o Estreito de Bab el-Mandeb, que dá acesso ao Mar Vermelho e, a partir daí, ao Canal de Suez.
As forças armadas do Irã advertiram que não tolerarão os “crimes selvagens” de Israel no Líbano e que iriam intervir diretamente se a escalada contra Beirute não parasse.
O Quartel-General Central Khatam Al-Anbiya emitiu um alerta de evacuação para os colonos nos territórios ocupados do norte, caso Israel cumpra suas ameaças de bombardear o sul de Beirute sob o pretexto de atacar a resistência libanesa. A escalada sionista ocorre apesar de, no papel, estar em vigor uma trégua desde o dia 17 de abril.
Além do assalto a Beirute, Netanyahu havia anunciado que em Gaza as forças israelenses que, faz tempo, empurraram a chamada linha amarela para mais longe, agora pretendem controlar “70%” do território, em mais um achincalhe a qualquer noção de cessar-fogo. E sem esconder que isso é a caminho dos “100%”. Seu ministro da “Defesa” andou prometendo, de novo, uma deportação “voluntária” em massa de palestinos.
Na segunda-feira, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, em conversa telefônica com seu homólogo libanês, Nabih Berri, descreveu o vínculo entre Teerã e Beirute como “inquebrável”, destacando a exigência de implementação do cessar-fogo.
Depois do ultimato de Teerã e de um telefonema desde a Casa Branca ao primeiro-genocida israelense, o presidente Trump se apressou a asseverar que Israel estaria cancelando o ataque a Beirute. “Não haverá tropas indo para Beirute”, ele postou em sua rede Truth Social. Ele disse ainda ter se “comunicado com o Hezbollah por intermediários”.
“VOCÊ ESTÁ LOUCO”, DIZ TRUMP A NETANYAHU
Vazamento do teor do entrevero entre Trump e Netanyahu, publicada pelo Axios, explicita o desastre, para Washington, que vem sendo a guerra de escolha contra o Irã. “Você está completamente louco. Estaria na prisão se não fosse por mim. Estou salvando sua pele. Agora todo mundo odeia você. Todo mundo odeia Israel por causa disso”, teria dito Trump a Netanyahu, segundo as fontes citadas.
No Conselho de Segurança da ONU, convocado a pedido da França para discutir a escalada israelense no Líbano, seguiu se agravando o isolamento regime de genocídio e apartheid. Quatro dos cinco membros permanentes, Rússia, China, França e Reino Unido condenaram a invasão israelense como uma violação da soberania libanesa e da resolução 1701 e exigiram a retirada.
O representante do Líbano no Conselho de Segurança, Ahmad Arafa, denunciou uma “campanha sistemática de destruição” levada a cabo por Israel no seu país, com ataques “deliberados” contra pessoal médico, hospitais, jornalistas, escolas, agências de segurança, forças da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL), locais de culto, sítios arqueológicos e “inúmeros alvos que representam a memória coletiva e a identidade civilizacional do Líbano”.
Ele descreveu as ações do regime sionista como “crimes de guerra”, enfatizando que essas agressões são resultado de uma incapacidade coletiva de encontrar soluções e da falta de responsabilização. “Isso, por sua vez, encoraja o perpetrador a cometer os mesmos crimes repetidamente”, completou.
CRIMES SIONISTAS
“As mudanças atuais no Líbano, na Síria e em Jerusalém ocupada tornaram uma realidade ainda mais clara: a crise regional não é resultado de tensões isoladas, mas dos crimes e da impunidade do regime sionista, que viola a soberania dos Estados, torna os acordos de cessar-fogo sem sentido e profana os locais sagrados palestinos”, enfatizou o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Qaribabadi.
Em relação às alegações de Trump de que dissuadiu Netanyahu de lançar um ataque em grande escala contra Beirute, a capital libanesa, ele afirmou que tais posições não são um “sinal da busca de paz por Washington”, mas sim confirmam o papel direto dos EUA “na gestão das agressões do regime sionista”.
“Se a decisão de atacar a capital de um Estado independente pode ser alterada com um simples telefonema, a principal questão é: por que meses de violações do cessar-fogo, agressões contra o Líbano, deslocamento de sua população e ameaças à soberania deste país — apoiadas pelo suporte político e militar ocidental — continuaram sem cessar?”, questionou.











