Trump deporta para a África cubanos homiziados há anos na Flórida e seus eleitores

Cubanos expulsos pelo ICE de Trump aleatoriamente para a África. (imagem sem crédito)

A polícia de imigração de Donald Trump, o ICE, está deportando homens cubanos de Miami para a Libéria e Guiné Equatorial, dois países africanos, sem documentos de viagem, sem acesso a advogados e com as liberdades violadas.

A comunidade cubana da Flórida é eleitora assídua do partido Republicano, cerca de 70% dos cubanos que vivem na Flórida votaram em Trump nas eleições presidenciais de 2024 e agora eles têm que lidar com o medo de serem deportados dos EUA pela própria polícia xenófoba de Trump.

O jornal Miami Herald entrevistou um desses deportados que relatou que eles não foram avisados que estavam sendo mandados para a África, achavam que seriam enviados para o México.

“Dissemos a eles que não somos africanos”, disse Carlos Rodriguez Lopez, por telefone, ao Miami Herald, ele estava detido pelo ICE desde abril do ano passado, foi mandado em um voo de 15 horas, com escala no Senegal em 19 de agosto, e desembarcou na Libéria, na África Ocidental.

Quando estava detido pelo ICE nos EUA, Carlos foi transferido várias vezes para centros de detenção no Texas, Arizona, Louisiana e na Flórida, até ser deportado para fora dos EUA.

“Eles nos carregaram para fora algemados, torcendo as algemas e machucando nossos pés e mãos”, disse Carlos. “Me tiraram do avião e, em seguida, quatro pessoas pularam em cima de mim, me prendendo contra o chão.”

O governo da Libéria se recusou a receber os cubanos, que foram novamente embarcardos no avião e enviados para a cidade de Malabo, na Guiné Equatorial, onde foram recebidos por policiais mascarados armados com fuzis e levados para um hotel, mantidos confinados.

O artigo descreve que o governo americano está pagando milhões para países na América Latina e na África para aceitarem deportados que não tenham nenhuma relação com esses países. Imigrantes que o governo federal americano considera problemático a deportação por vias legais, como no caso dos imigrantes cubanos que Havana se recusa a repatriar por terem antecedentes criminais nos EUA.

Quando contatou o Departamento de Estado dos EUA, o Miami Herald questionou sobre os acordos de imigração com Cuba, sem obter resposta. Conforme o Herald, o Ministério do Interior de Cuba anunciou a repatriação de 127 cubanos deportados pelos EUA.

Outro cubano deportado que foi entrevistado, Leonardo Sanchez, de 49 anos, com problemas de saúde por causa de ferimento e que teve que passar por cirurgias, foi deportado assim mesmo para a Guiné Equatorial com enxertos de pele de outras partes do corpo cobrindo o abdômen. Ele relatou que foi ferido 10 anos atrás em uma briga de rua.

Ao desembarcar com febre na Guiné Equatorial, foi levado para uma clínica local, mas esta não conseguiu providenciar analgésicos mais fortes para a dor de Leonardo, que disse que não sabe se terá tratamento médico adequado no país e que sofreu mais ferimentos ao desembarcar do avião.

“Eles me carregaram, quatro deles, e fui jogado entre os assentos, para me tirarem do avião. Me jogaram para fora do avião, escada abaixo. Eu estava algemado, mas eles me carregaram, quatro deles, sabendo que eu tinha passado por cirurgia, sabendo a situação em que estava,” disse.

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