O professor Ronaldo Carmona destaca ainda, em entrevista à Rádio Gaúcha, que a definição de facções como organizações terroristas é uma medida ineficaz para combater o crime organizado no país
O professor da Escola Superior de Guerra (ESG), Ronaldo Carmona, afirmou nesta segunda-feira (1), em entrevista na Rádio Gaúcha, que a definição, pelos EUA, de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas, além de ineficazes do ponto de vista técnico, tem objetivos geopolíticos.
“Nós precisamos compreender a questão do ponto de vista da postura do governo americano em relação à definição da sua estratégia de segurança nacional recém definida em dezembro do ano passado”, destacou o professor.
“Os Estados Unidos estabelecem um objetivo principal de colocar os seus interesses na América Latina, no que eles chamam de hemisfério ocidental, impondo uma espécie de uma soberania limitada aos países, que parece que é o que está acontecendo”, acrescentou Carmona.
“É perigosa essa classificação por parte dos Estados Unidos. Nós vimos, por exemplo, o que aconteceu na Venezuela e a classificação do Trem de Aragua, e mesmo do hipotético Cartel de Soles, implicou, ato contínuo, na invasão e sequestro do presidente Maduro”, denunciou.
“Isso também ocorreu no México, onde agentes da CIA fizeram uma operação direta no território americano e mesmo na Nigéria, onde também uma organização muçulmana, recentemente foi declarada uma organização terrorista e isso teve como consequência bombardeios ao território nigeriano”, observou o professor.
“Então, há de se esperar, do ponto de vista da soberania, que essa declaração possa, inclusive representar um risco de ações militares diretas dos Estados Unidos em território brasileiro”, apontou o especialista.
Em relação ao segundo aspecto da questão, que é o problema da efetividade, o professro citou entrevista do principal promotor que combate o PCC no Brasil, o promotor Lincoln Gakiya, um personagem que há 20 ou 30 anos combate o PCC.
“Ele alerta para o risco de você deixar de tratar essa questão no âmbito da cooperação policial, entre as forças policiais brasileiras e a DEA, o FBI, e passar a tratar essa questão no âmbito de defesa ou de segurança nacional”, prosseguiu Carmona.
Ele disse que o promotor Gakiya argumenta que essa definição diminui a efetividade do combate ao crime organizado. “Por isso que, do ponto de vista técnico, também você pode, colocar em causa essa medida. Então, eu acho que em ambos os casos, essa medida é bastante questionável”, afirmou Ronaldo Carmona.
O professor da ESG falou também sobre o PIX. “Não tenha dúvida, que o PIX está no alvo dos Estados Unidos, mas aí mais por uma questão, digamos assim, das suas grandes corporações financeiras”, explicou.
“Inclusive”, lembrou ele, “o PIX é objeto da investigação na chamada sessão 301 da lei do comércio americana, que pode significar o anúncio essa semana de novas sanções e que visa proteger a ação das empresas americanas, especialmente daquelas empresas de cartão de crédito, que supostamente estariam sendo prejudicadas em função do PIX”.
Confira a entrevista na íntegra!











