Trump sofre derrota avassaladora na eleição norte-americana

Trump após o início dos resultados da eleição de meio de mandato. ( redes sociais)

Eleições assumem caráter plebiscitário contra o governo que trouxe a carestia junto com sua guerra ao Irã, além do tarifaço, perseguição extrema aos imigrantes e corrupção desenfreada

De costa a costa, o povo americano condenou nas urnas de forma avassaladora o governo de Trump, nas eleições intermediárias desta terça-feira (3) se mostrando um referendo contra a carestia, a guerra ao Irã, o tarifaço, a perseguição aos imigrantes e a corrupção desbragada do clã de Mar-a-Lago.

A oposição democrata arrancou de Trump o controle do Congresso – Senado e Câmara dos Representantes –, vencendo em estados em que não vencia há décadas. Até o momento, os democratas conquistaram 54 cadeiras no Senado (precisavam de 51 para ter maioria) e 228 cadeiras na Câmara (precisavam de 218).  Ainda há cadeiras do Senado a serem decididas: Alaska e Mississipi.

A derrota de Trump já repercute no mundo inteiro, enquanto o Irã se pronunciou dizendo que o povo americano votou contra a guerra. Como declarou um eleitor, foi a derrota do estelionato eleitoral: Trump se elegeu em 2024 prometendo acabar com as “guerras eternas” dos EUA, baixar a “inflação de Biden” e trazer as indústrias de volta (além de revelar os ‘arquivos Epstein’).

Uma avalanche: James Talarico se tornou o primeiro democrata em 38 anos a conquistar uma vaga no Senado dos EUA pelo Texas; o pastor Adam Hamilton é agora o primeiro democrata a conquistar em 94 anos uma cadeira no Senado dos EUA pelo Kansas; no Maine, o progressista Troy Jackson derrubou Susan Collins, senadora há quase trinta anos; e Abdul El-Sayed, defensor do “Medicare para Todos” (um SUS americano) e da solidariedade aos palestinos venceu em Michigan e se tornou o primeiro muçulmano eleito senador.

Nomes escolhidos a dedo por Trump sofreram derrotas inesquecíveis. A irmã do “senador que não tinha uma guerra de que não gostasse”, Lindsey Clark, e recém-morto foi batida pela pediatra Annie Andrews no estado profundamente conservador da Carolina do Sul. É a primeira vitória democrata desde 1998. Vivek Ramaswamy perdeu para Amy na disputa do governo de Ohio, depois de uma campanha denunciada como a mais sórdida já vista. O substituto do vice JD Vance na cadeira de Ohio do Senado, John Husted, foi derrotado por Sherrod Brown.

A eleição também marca um enorme avanço, dentro do Partido Democrata, dos setores mais aguerridos e progressistas, a ponto de Trump ter apelado ao macartismo, chamando a barrar os “jihadistas” e “comunistas”. E uma enorme rejeição à xenofobia, ao ICE e à caça aos imigantes, questão determinante para a virada no Texas e outros estados de população latina, que votaram em Trump em 2024.

PROMESSA DE US$ 5 MIL NÃO IMPEDIU A DERROTA TRUMPISTA

A intentada compra de votos fracassou rotundamente. Trump chegou a prometer um “cheque de US$ 5 mil” para cada americano no caso de vitória republicana. Elon Musk torrou meio bilhão de dólares no esforço para salvar a nau trumpista.

O levante contra Trump também se repete na disputa para os governos de 36 estados. Keisha Lance Bottoms, eleita na Geórgia, se tornou a primeira mulher negra a governar na história dos EUA. O Texas elegeu Gina Hinojosa a primeira governadora latina do estado e a primeira democrata a ocupar a mansão do governador desde 1990. David Crowley tornou-se o primeiro governador negro de Wisconsin. O democrata Aaron Ford venceu a eleição em Nevada, derrotando o republicano Joe Lombardo, que buscava a reeeleição e se tornou o primeiro governador negro do estado.

Trump passou a alegar que o nome dele “não estava na cédula”, apesar de ter dito exatamente o contrário nos comícios a que compareceu no último mês, tentando reverter o iminente desastre, como prenunciavam os 58 milhões de votos antecipados, que costumam favorecer os democratas.

O resultado não é um relâmpago em céu azul, com dois terços da população rejeitando Trump, segundo as pesquisas. O levante eleitoral também dificulta ao extremo os planos vazados de retomada dos bombardeios contra o Irã logo após as eleições, ao que parece em socorro do cúmplice Netanyahu, também ameaçado nas urnas. Tentando aplacar a indignação da população contra o genocídio em Gaza, Trump chegou a anunciar que iria cortar a verba de US$ 4 bilhões anual para Israel.

Após ter tentado todo tipo de trapaça contra a verdade eleitoral, desde o redistritamento e a tentativa de restringir o voto pelo correio até a farsa do “voto ilegal de imigrantes”, em entrevista o presidente biliardário se disse “absolutamente disposto a aceitar esses resultados”.

Mas, pela sua rede social, estampou novo boné, não com MAGA, mas com “VETO” – enquanto o próximo presidente da Câmara dos Representantes, atual líder da minoria, Hakeem Jeffries, prometeu aos americanos que “o alívio está a caminho”.

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