Trump usou bajulação de Flávio para tentar abrir caminho à ingerência e atuação ilegais da CIA no Brasil

Flávio e demais traidores se oferecendo para ajudar Trump em sua provocação ao Brasil (Foto: divulgação)

Governo rechaçou decisão. “Colaboração sim, ingerência jamais”, disse Amorim. Lincoln Gakiya, principal investigador do PCC, afirmou que classificar facções como terroristas tem por objetivo a intromissão externa no Brasil. Para o promotor, a medida enfraquece a PF e acaba favorecendo o crime organizado

Depois que foi flagrado num áudio pedindo R$ 134 milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro, vendo a sua candidatura se desintegrar, Flávio Bolsonaro correu para os Estados Unidos numa tentativa de sair de cena e abafar a revelação que o colocou no olho do furacão do escândalo do Banco Master.

Na Casa Branca, o que ele conseguiu foi uma foto posando de papagaio-de-pirata de Donald Trump. Como não podia deixar de ser, mentiu mais uma vez. Disse que levou a ideia aos EUA de declarar as facções brasileiras como “organizações terroristas globais”. Mentira. Todos sabem que essa é uma intenção do próprio Trump. São eles que querem usar isso como pretexto para interferir nos assuntos internos de outros países. Foi exatamente o que fizeram na Venezuela.

Ou seja, o capacho quis facilitar a vida da extrema-direita americana e do próprio Trump, os verdadeiros interessados na decisão. Eles já usaram recentemente esse mesmo pretexto, de ameaça de “terrorismo global” de um grupo criminoso qualquer da Venezuela, para invadir e sequestrar o presidente do país, juntamente com sua esposa, e depois se apoderar do rico petróleo venezuelano.

O governo dos EUA anunciou duas caracterizações para as facções criminosas. Uma de “Terroristas Globais Especialmente Designados”, que passa a valer a partir desta quinta-feira (28), e a outra de “Organizações Terroristas Estrangeiras”,  que entra em vigor no dia 5 de junho. As duas abrem brecha para ingerência nos assuntos internos do Brasil.

Este episódio é um sinal claro de que Flávio segue traindo a pátria, com um agravante: está usando os milhões obtidos junto ao banqueiro Daniel Vorcaro – que sustenta o irmão nos EUA – para novamente instigar o governo americano a cometer uma ingerência indevida nos assuntos internos do Brasil, com fizeram com o tarifaço. O episódio revela também que Trump está com intenções arrogantes em relação à soberania brasileira.

A reação a essa provocação inaceitável do governo Trump foi imediata. O assessor para assuntos internacionais da Presidência, Celso Amorim, criticou a decisão dos Estados Unidos e afirmou que a “cooperação é bem-vinda, mas o pretexto para intervenção é inaceitável”.

“Segurança pública é um tema fundamental para o desenvolvimento sócio-econômico. Crime organizado é um mal que tem que ser combatido. Cooperação internacional é bem-vinda, especialmente em temas como lavagem de dinheiro e contrabando de armas. Pretexto para intervenção é inaceitável””, afirmou Celso Amorim em nota.

O promotor de Justiça do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, do Ministério Público de São Paulo, Lincoln Gakiya, principal promotor de justiça que investiga o PCC, afirmou, em entrevista recente à Agência Brasil, que a designação, pelos Estados Unidos, do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas representa um potencial risco à soberania brasileira.

Além do mais, destaca o promotor Lincoln Gakiya, a decisão atrapalha o combate ao crime organizado. As ações deixam de ser classificadas como policiais e passam a ser tratadas como de segurança nacional dos EUA e, com isso, elas passam a ser de responsabilidade militar e da CIA, que não dá satisfação a ninguém sobre suas ações.

“Vamos abrir um flanco para que, no futuro, possa haver algum tipo de operação militar secreta, da CIA [Agência Central de Inteligência] ou de forças especiais [estadunidenses], na fronteira ou mesmo dentro do território brasileiro”, declarou o promotor.

“A maioria dos países desenvolvidos adota o conceito da ONU [Organização das Nações Unidas] para terrorismo”, comentou o promotor, explicando que tal conceito exige que, para ser classificado como terrorismo, um ato criminoso violento tem que ter uma motivação ou objetivo ideológico, como os crimes de ódio contra raças, etnias ou religiões ou os praticados por razões políticas.

“A gente não vê estas características nem no PCC, nem no CV, que são organizações criminosas do tipo mafioso […] com atuação transnacional; formação empresarial; infiltração nos poderes do Estado, com a corrupção de agentes públicos; dominação territorial, dentre outras características [típicas de organizações mafiosas]”.

Gakiya avalia que a mudança de status jurídico das facções permitiria que o governo dos Estados Unidos passasse a tratar a segurança pública do Brasil sob uma ótica militar e de segurança nacional.

“Muita gente que está defendendo a classificação de facções brasileiras como organizações terroristas talvez desconheça que isso trará uma série de implicações gravíssimas para o país”, disse Gakiya, explicando que a legislação dos Estados Unidos prevê a possibilidade de ações militares em outros países em caso de ameaça à segurança e à integridade do território ou da população estadunidense.

Para o promotor, além dos riscos de se tornar alvo de uma operação militar semelhante a que ocorreu na Venezuela, em janeiro deste ano, o Brasil poderia sofrer sanções econômicas severas. “Também há, nos EUA, previsão legal para que [o governo federal] aplique sanções econômicas [a outros países] quando há esta classificação [de organizações terroristas]. Existe uma série de implicações. Empresas multinacionais podem ter que vir a tirar suas sedes do Brasil, por exemplo”, ponderou Gakiya.

“Uma parte da população brasileira, influenciada por um determinado viés político, acha que classificar estas facções como terroristas vai endurecer a situação dos criminosos e melhorar as investigações e o aporte de recursos estrangeiros”, avaliou o promotor.

“Pelo contrário”, diz ele. “[Com a reclassificação] estas organizações passariam a ser tratadas como um risco à segurança nacional dos EUA e o assunto passaria [à esfera militar], e não mais policial. E, possivelmente, os canais por meio dos quais eu hoje troco informações com o FBI [Departamento Federal de Investigação], com o DEA [Departamento Federal de Repressão às Drogas, vão ser fechados”, denunciou.

Certamente, o objetivo de Flávio Bolsonaro – como ademais o de todo o bolsonarismo – ao se oferecer rastejante a Trump e propiciar que a CIA ou tropas dos EUA interfiram nos assuntos de Segurança Pública no Brasil, não pretende melhorar o combate ao crime organizado. Pelo contrário, como disse o promotor Lincoln Gakiya, visam favorecer o crime organizado. Afinal, são públicas e notórias as ligações de Flávio Bolsonaro com as fações, principalmente o Comando Vermelho, do Rio de Janeiro.

Três aliados seus, Rodrigo Bacellar, vice-governador do Rio, Alessandro Pitombeira Carracena, ex-secretário Estadual de Esportes do Rio de Janeiro, e Gutemberg Fonseca, ex-secretário de Defesa do Consumidor do Rio, foram presos por ligações com a facção do Comando Vermelho. Sem falar das ligações históricas profundas do político com as milícias que infelicitam a vida da população fluminense.

Outra coisa que sobressai nas reais intenções do clã Bolsonaro com mais essa traição ao Brasil – de entregar a luta contra as facções à CIA – está no fato de que Flávio tratou desses assuntos com Marco Rubio, o auxiliar de Trump conhecido mundialmente por suas ligações com o tráfico internacional de drogas e com a máfia cubana (leia aqui). É sabido também, desde o famoso escândalo “Irã-Contras”, das ligações criminosas do tráfico internacional de drogas e armas com integrantes da agência de espionagem dos EUA. É urgente, portanto, barrarmos urgentemente, mais essa provocação da facção criminosa “trumpiano/bolsonarista”.

SÉRGIO CRUZ

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